02
Fev 17

Tanto disparate

E o AO90 atrai a parvoíce

 

      Agora estou sempre a topar com um vídeo em que um emigrante português no Brasil que participava (tudo se passou, afinal, há um ano) no programa MasterChef ouve um jurado, um tipo de rosto porcino e língua viperina, dizer-lhe: «Cinco anos no Brasil e nem fala português ainda?!» O concorrente não tugiu nem mugiu, mostrando bem a sua fibra. Mas eis que, entretanto, vejo uma trapalhada já conhecida: no PT Jornal, publicam o vídeo e titulam: «Vídeo: A polémica no Masterchef que ameaça enterrar o Acordo Ortográfico». Quem escreveu isto, não vamos estar agora com paninhos quentes, não percebe boi da questão e devia estar quietinho e caladinho ou, enfim, falar do que percebe.

 

[Texto 7458]

Helder Guégués às 12:31 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Tradução: «skittles»

Estaline atrai o azar

 

      Já há uns tempos que ando com vontade de levar a minha filha a jogar bowling. Disseram-me que o Playbowling Cascais é um sítio excelente. Pois é, não temos nem tradução nem aportuguesamento para bowling. Ah, sim, no Brasil usam o termo «boliche». Bem, cá também o usam — mas deve ser por distracção, suponho. «Jogamos bowling e boliche» (Estaline, A Corte do Czar Vermelho, vol. 1, Simon Sebag Montefiore. Tradução de Mário Dias Correia. Lisboa: Alêtheia/Expresso, 2017, p. 169). No original, lê-se isto: «We played bowling and skittles.» Tanto quanto sei, costuma-se traduzir skittles por «jogo da laranjinha». Seja como for, este é o menor dos erros desta tradução. O leitor desprevenido vai apanhar uns valentes sustos e praguejar como um mujique.

 

[Texto 7457]

Helder Guégués às 11:10 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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02
Fev 17

Como se escreve nos jornais

SELF compounds use a hyphen

 

      «Carimbá-lo como uma simples abjecção é uma posição muito confortável, muito comodista e muito estúpida. Se alguma coisa Trump nos ensinou a todos, europeus e cidadãos informados sempre cheios de selfrighteouseness, é que há um novo mundo a abrir-se, profundamente reactivo à globalização, e que de alguma estranha maneira um magnata americano com um discurso primário conseguiu captar o espírito do tempo, ao ponto de conquistar a Casa Branca» («Donald Trump e Adolf Hitler», João Miguel Tavares, Público, 2.02.2017, p. 48).

      Não percebo porque é que, num contexto como este, se usa uma palavra inglesa — ainda para mais mal grafada —, quando a tradução é algo tão simples como «arrogância», «sobranceria». Não percebo. Será porque está a referir-se a um norte-americano? Mas ao mencionar Hitler não desatou a escrever em alemão, nem em mandarim quando o assunto é a China.

 

[Texto 7456]

Helder Guégués às 09:33 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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