Um simples estaleiro

Serve para melhorar os dicionários

 

      «Para além [sic] de acolher o final da primeira etapa, que arrancará a 23 de Outubro em Alicante, Lisboa passou a ser a base permanente do boatyard (estaleiro) da VOR, onde os oito veleiros que vão fazer a regata de circum-navegação serão totalmente remodelados, o que, segundo Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, “contribui significativamente para a dinamização económica da cidade”» («Lisboa já se prepara para a “dinamização económica” da VOR», David Andrade, Público, 3.02.2017, p. 44).

      A VOR é a Volvo Ocean Race. Sem o boatyard, o artigo ficaria desprovido do seu mais significativo cerne, como se sabe. Mas o desejo de pôr toda a gente a saber inglês não acaba aqui: «Para já, a VOR 2017-18 tem três equipas confirmadas (Dongfeng, AzkoNobel e Mapfre) e dois dos Volvo Ocean 65 já estão prontos a rasgar as águas do rio Tejo após sofrerem [sic] um refit (remodelação) no boatyard, instalado nos antigos armazéns da Docapesca, na Doca de Pedrouços, agora transformados num estaleiro topo de gama [sic].» Até ao fim, ainda se usam ambas as palavras mais uma vez. Pelo menos, vá lá, ainda traduz, o que poucos fazem. Claro que, quando há tradução, mais depressa se compreende que o termo estrangeiro não era necessário. Boatyard é mesmo, como se lê no Merriam-Webster, «a yard where boats are built, repaired, and stored and often sold or rented». Palavra que não encontramos, por exemplo, no Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora, que se limita a acolher o mais vulgar shipyard.

 

[Texto 7459]

Helder Guégués às 09:59 | comentar | ver comentários (6) | favorito