17
Fev 17

Léxico: «notafilia»

Estranhas ausências

 

      Não conheço nem sequer um dicionário que registe os termos «notafilia» e «notafilista», e, no entanto, são usados, e decerto todos os dias. Um vizinho meu está sempre com eles na boca — porque é notafilista. (Nos próximos tempos, tenho de o evitar, porque faz questão, diz, que eu leia Quinta-Feira e Outros Dias, autografado pelo autor. Acho que não sou merecedor de tanta honra...)

 

[Texto 7485]

Helder Guégués às 15:28 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Tradução: «shipworm»

Mais erros de tradução

 

      Esta notícia sobre o folheto timorense foi uma boa oportunidade para conhecer o termo teredem, que é a tradução de shipworm. Aliás, em inglês também tem o nome de teredo, porque o étimo, latino, é o mesmo. Mas reparem na notícia da Lusa/TSF: dizem que é um «inseto perfurador». Ora, trata-se de um molusco! Agora vão desculpar-se: ah, foi um erro ortográfico. E é claro que aparecer logo a seguir boring molusc não fez disparar os alarmes no cérebro do jornalista. «Moluscos que vivem debaixo d’água na madeira nos navios comendo-a», lê-se, como definição de «teredem», na página 441 dos Anais do Congresso Brasileiro de Língua Vernácula em comemoração do centenário de Rui Barbosa: promovido pela Academia Brasileira de Letras, volume 3 (Casa de Rui Barbosa, 1959).

 

[Texto 7484]

Helder Guégués às 14:52 | comentar | favorito
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17
Fev 17

Que língua se fala em Timor?

Aborrecido

 

      «O Ministério do Comércio, Industria [sic] e Ambiente (MCIA) de Timor-Leste pediu hoje desculpa pela divulgação de um folheto de promoção comercial com graves erros ortográficos nos textos, afirmando que a empresa responsável pela produção vai assumir todos os custos. […] Muitos erros terão tido origem na utilização de tradutores automáticos, por exemplo, no textos referentes à teca. A versão em inglês explica que a madeira resiste a um inseto perfurador (“boring molusc”) conhecido como ‘shipworm’. Na versão em português “boring” foi traduzido à letra como “chato” (aborrecido) e não como “perfurador” que era o sentido que deveria ter no texto. Daí que a ‘shipworm’ seja, na versão portuguesa, um “chato molusco”. Nos folhetos, há também frases sem sentido: “o método foi bem sucedido que plantou figos Figueira quase em todos os distritos que foi muito apreciado e mútua cooperou com os jovens timorenses”» («Governo de Timor pede desculpa por folhetos com erros de português e inglês», Lusa/TSF, 17.02.2017, 13h14).

     Português, pois... coitados. Quantos timorenses falam e escrevem realmente português? Mais umas décadas, e esta é uma ficção que não terá nenhuma fundamentação. «Erros ortográficos», escreve o jornalista — e depois dá os exemplos que aqui ficam. Erros atraem sempre mais erros.

 

[Texto 7483]

Helder Guégués às 14:29 | comentar | favorito
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