18
Fev 17

Erros a toda a hora

Lampreias e dedais

 

      Acabo de ler que o dedal sai do Monopólio depois de votação na Internet. Ora esta... Mas está bem, tudo acaba, e com certeza os mais novos nem sabem o que é um dedal (thimble, para a legião de anglófonos que nos segue). Ao menos foi por votação. Pode acaso dizer-se o mesmo da saída dos revisores dos jornais? Só se foi por votação dos accionistas, que os leitores não foram ouvidos. Nem quando os corrigimos. Ainda hoje, em certo noticiário da televisão, afirmaram que a lampreia é um peixe (e ontem, vimo-lo aqui, que o teredem é um insecto), e aos reparos só respondem: «Ah, vamos tomar nota.»

 

[Texto 7490]

Helder Guégués às 17:52 | comentar | ver comentários (12) | favorito
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Léxico: «zamaque»

Para mim, já é

 

      No ano passado, a Associação Empresarial Ourém-Fátima, em parceria com o Santuário de Fátima e a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, lançou um terço comemorativo do centenário das aparições de Fátima. Por todo o lado leio que é composto «por contas em vidro soprado, produzidas artesanalmente na Marinha Grande, passador e crucifixo em zamak com acabamento de cobre e prata e corrente e arame em latão prateado». Para isto é que precisamos da colaboração dos lexicógrafos: já sabemos que vem do alemão Zink-Aluminium-Magnesium-Kupfer, mas nós estamos em Portugal. Seja zamaque.

 

[Texto 7489]

Helder Guégués às 17:38 | comentar | ver comentários (2) | favorito

Diagnóstico: contracção, e grave

Batem grave, gravemente

 

      Só prò caso de ser preciso, prò caso de não saberem — se fizermos a contracção, o acento é grave. Já se sabe o que acontece a quem anda à chuva...

 

[Texto 7488]

Helder Guégués às 12:06 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Dotado ao abandono»!

Jornalismo ao abandono

 

      «Foram pintadas as paredes, reforçadas as fachadas, reunidos e restaurados os azulejos — centenas deles encontrados na Feira da Ladra. Tudo devolvido ao Pavilhão Carlos Lopes. Catorze anos depois de ter sido dotado ao abandono, o pavilhão reabre hoje, após um ano de obras de reabilitação que trouxeram de volta “a dignidade ao espaço”, encerrado desde 2013 por falta de condições de segurança. Di-lo Vítor Costa, director-geral da Associação de Turismo de Lisboa (ATL), entidade encarregada da reabilitação» («Até na Feira da Ladra havia pedaços do Pavilhão Carlos Lopes», Margarida David Cardoso, Público, 17.02.2017, p. 18).

      Já aqui tínhamos visto outra versão avariada (e o autor ficou furioso), «devotado ao abandono». Claro que «dotado ao abandono» é muito, mas muito pior.

 

[Texto 7487]

Helder Guégués às 11:46 | comentar | favorito
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18
Fev 17

Como se escreve nos jornais

Estranhas ocorrências

 

      «De acordo com uma fonte da GNR, o alerta para o crime foi dado por volta das 20:15h desta sexta-feira e do incidente resultaram duas vitimas [sic], uma mortal e outra ferida. O estado de ambas ainda não é conhecido» («Famalicão. Homem mata mulher e tenta suicidar-se», Sol, 17.02.2017).

      O jornalista também ignorava o estado da GNR, que já se encontrava no local (logo depois do jornalista?).

 

[Texto 7486]

Helder Guégués às 09:33 | comentar | favorito
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