27
Fev 17

Ortografia: «contradetonação»

Agora já é «inactivação»

 

      «Ouvido pela TSF, o comandante Coelho Dias, relações públicas da Marinha, explicou que no local já se encontra uma equipa de mergulhadores da Marinha, especializada na inativação deste tipo de engenhos. […] Segundo este responsável, o plano de inativação passa por levar a bomba novamente para dentro de águia [sic], para uma profundidade a mais de 20 metros, e depois fazer a contra-detonação» («Arrastão “pesca” bomba ao largo da Nazaré. Porto foi isolado», TSF, 27.12.2016, 14h35).

      Habitualmente, não é inactivação que se usa, mas desactivação. São sinónimos, é certo, mas só encontro este nos dicionários. Por outro lado, é contradetonação que se escreve, a contragosto o digo de novo. Na Rádio Renascença, lê-se que o «engenho explosivo recolhido por pescadores foi desmantelado e detonado no mar».

 

[Texto 7515]

Helder Guégués às 19:02 | comentar | favorito

Óscares e afins

Fevereiro, Óscares

 

     «Durante quase cinquenta anos, o fotógrafo William Christenberry regressou ao Alabama para fotografar os prédios rurais, igrejas e cafés à beira da estrada do Condado de Hale, onde, em criança, passava o verão nas terras dos seus avôs. O oscarizado realizador Alexander Payne nasceu, como Kurt, em Omaha» (Click! Como Funciona a Criatividade, Julie Burstein. Tradução de António Teixeira dos Santos. Alfragide: Estrela Polar, 2011).

      Oscarizado — o que pressupõe o verbo oscarizar. Podem ir, porque não?, para os dicionários, que não nos envergonharão. E, já agora, oscarizável. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só regista — mas já não é mau, e devia ser seguido por todos — Óscar/Óscares. Não vejo, pois, necessidade de usar, como alguns ainda fazem, o termo Oscars. (Reparem: «passava o verão nas terras dos seus avôs». É, lembrar-se-ão daqui, como também passámos a escrever.)

 

[Texto 7514]

Helder Guégués às 11:14 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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27
Fev 17

Uma geringonça traduzida

Produto para exportação

 

      «O seu sucesso e durabilidade surpreendeu muitos em Portugal. Agora começou a chegar em força às páginas da imprensa internacional. Acima de tudo tentam compreender a “coisa” e discutem se é possível exportá-la para outros países, especialmente para aqueles em que a esquerda está afastada do poder ou em risco de o perder. E até já ganhou tradução para várias línguas. Krakende wagen, segundo os membros do Partido Trabalhista holandês que vieram a Portugal estudar o “fenómeno”; ou briquebalante, de acordo com o candidato presidencial francês, Benoît Hamon, que também esteve em Portugal e se desfez em elogios à coligação das esquerdas; ou ainda contraption, palavra encontrada pelo site Politico, que na sexta-feira dedicou um longo artigo à dita geringonça» («A geringonça está na moda», Luciano Alvarez, Público, 27.02.2017, p. 6).

      E será alguma delas boa tradução? A francesa até está mal escrita, pois é brinquebalante ou bringuebalante.

 

[Texto 7513]

Helder Guégués às 09:55 | comentar | favorito
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