27
Mar 17

Léxico: «backdoor»

Outros tempos

 

      «As agências de segurança governamentais têm como principal objetivo a segurança da população do seu país. Com o aumento de ferramentas mais seguras para comunicações escritas, orais ou visuais, alguns governos, uns de forma clara, outros de forma mais obscura, obrigam a criação de acessos alternativos à informação. A ideia por detrás destas imposições é que exista uma backdoor que, em caso de um atentado à segurança nacional, seja possível que se ceda as conversas de um cidadão específico a pedido da agência governamental» («Espionagem online e privacidade», Pedro Tarrinho, Público, 19.04.2015, p. 54).

      É o excerto de um texto de 2015, mas cada vez ouço e leio mais a palavra backdoor, nos últimos dias relacionada com o atentado de Londres e o acesso ao WhatsApp que, em certas circunstâncias, o Governo britânico quer ter. Este textinho só serve para lembrar que está na hora de os dicionários bilingues darem conta destas acepções. Para o Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora, backdoor ainda só tem acepções da era pré-tecnológica: «porta das traseiras; porta de serviço». Talvez desta última acepção se pudesse forjar uma nova, atinente ao que estamos a tratar, mas melhor será, porventura, dizer que se trata de um programa informático concebido para permitir o acesso secreto e remoto a um dispositivo informático. Aceitam-se, contudo, outras sugestões.

 

[Texto 7634]

Helder Guégués às 22:42 | comentar | favorito

«Ponte aérea/ligação aérea»

Não é a guerra

 

      «Ponte aérea: TAP quer 1 milhão de passageiros em 2017» (TSF, 27.03.2017, 9h09). «Porto garante que sucesso da ligação aérea a Lisboa prejudica a região» (Rádio Renascença, 27.03.2017, 12h03).

      Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, e a definição não difere muito noutros dicionários, ponte aérea é a «ligação por avião contínua entre dois pontos, estabelecida sobretudo em caso de guerra ou de calamidades», o que corresponderá ao inglês airlift. No entanto, como se vê no título da notícia da TSF, agora, provavelmente por ignorância, usa-se a expressão noutro sentido — de ligação aérea (que, em inglês, é air shuttle), como está no título da notícia da Rádio Renascença. Ponte aérea foi, por exemplo, a que a TAP fez em 1975, trazendo de Angola, ao longo de 84 dias, cerca de 300 mil pessoas.

 

[Texto 7633]

Helder Guégués às 19:59 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «borboletário»

Não pode ficar de fora

 

      «Passeámos num borboletário onde voavam centenas de borboletas e no agitadíssimo mercado que conserva o nome antigo de Ver o Peso» (Uma Aventura na Amazónia, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Alfragide: Editorial Caminho, 2009).

      A propósito de fluviário, o leitor Nuno lembrou aqui a palavra borboletário, que também não está registada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que, contudo, acolhe, entre outras, ranário, serpentário, etc. Recentemente, li num livro em inglês butterfly building, o que pode indiciar que naquela língua não há uma palavra própria para designar borboletário.

 

[Texto 7632]

Helder Guégués às 19:53 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «cowork»

É o que me parece

 

      «Cowork é um termo que já faz parte do vocabulário de muitos empreendedores e empresários. Um modelo de partilha do espaço e dos recursos de um escritório, que tem vindo a crescer e que procura acompanhar, explica ao Destak Ana Redondo, Global Manager do LEAP, um centro em Lisboa que tem este tipo de oferta, as mudanças no mercado de trabalho, onde “mobilidade e flexibilidade” são palavras de ordem» («Novos conceitos de trabalho», Carla Marina Mendes, Destak, 27.03.2017, p. 13).

      É certamente muito mais usado do que outros estrangeirismos com direito de asilo nos nossos dicionários. Como o grafaria a Infopédia, que no Dicionário de Inglês-Português regista co-worker, por exemplo? 

 

[Texto 7631]

Helder Guégués às 19:25 | comentar | ver comentários (5) | favorito

Como se traduz nos jornais

Mais em benefício próprio

 

      Duas miúdas, no aeroporto de Denver, foram ontem impedidas de embarcar num voo da United Airlines porque vestiam leggings. Revolta nas «redes sociais». «Ao que tudo indica, as duas meninas estariam a viajar em beneficio [sic] de uma empresa, e esse tipo de viagens pede uma forma de vestir mais cuidada. Ainda assim, as justificações da United Airlines não convenceram a maioria e várias celebridades norte-americanas ameaçam deixar de voar com a companhia» («O caso das leggings que impediram duas meninas de voar na United Airlines», Observador, 27.03.2017, 12h11).

       Ora esta, a viajarem em benefício de uma empresa... E como é isso, o jornalista do Observador pode explicar-nos? Enquanto esperamos, vamos tentar perceber por outros meios. No Twitter, a companhia área respondeu: «The passengers this morning were United pass riders who were not in compliance with our dress code policy for company benefit travel.» Ah, company benefit travel, ou seja, é uma regalia atribuída aos trabalhadores da United Airlines, provavelmente certo número de viagens gratuitas, um passe.

 

[Texto 7630]

Helder Guégués às 19:19 | comentar | favorito
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27
Mar 17

Léxico: «orquidófilo»

Elas merecem

 

      Na semana passada, falámos aqui de orquidário. A de hoje está relacionada: «E outros nomes vão surgindo nesta vida de orquidófilo» («O ex-caçador que ressuscita orquídeas», Sara Dias Oliveira, Notícias Magazine, 26.03.2017, p. 41). Encontro-a em vários dicionários, mas não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. E quem diz orquidófilo, é claro, também diz orquidofilia.

 

[Texto 7629] 

Helder Guégués às 19:14 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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