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Mar 17

Tradução: «district», de novo

Ora bolas

 

      No coração do Chiado, abriu agora o Wine District. Para inglês ver e beber, está tudo dito. Mas, e os indígenas? A jornalista Ana Cristina Marques, do Observador, tem dificuldade em descrever a coisa. No título, diz logo que é um distrito: «Em Lisboa há um distrito inteiro dedicado ao vinho». Depois, porém, megalómana, afirma que é — xi! — um mundo, não sem acabar por confessar, já com os pés assentes na terra, que «não é propriamente fácil dar de caras» com o espaço.

 

[Texto 7652]

Helder Guégués às 15:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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«Ângelus», de novo

Também falamos português

 

      «Para o Angelus de domingo é melhor chegar a São Pedro por volta das 11h00» («Chegue uma hora antes para apanhar os lugares melhores», O Meu Papa, ed. n.º 1, 31.03.2017, p. 63). Não escreva assim, Clara Raimundo. Primeiro, não é preciso letra grelada, depois, em português a palavra também existe, ângelus. Veja na página da Ecclesia.

 

[Texto 7651]

Helder Guégués às 15:12 | comentar | favorito | partilhar

«Santo/são»

Eu não avisei?

 

      Tenho à minha frente o número 1 da revista O Meu Papa, que segue a grafia do Acordo Ortográfico de 1990. Na rubrica do almanaque, lê-se: «Bispo de Grenoble, França, é um beneditino que viveu entre os séculos XI e XII. Recorda-se também o seu sobrinho Santo Hugo abade de Bonneveaux, que em 1177 foi mediador entre Barbarossa e o Papa Alexandro III. Hugo significa “espírito, bom senso”. E é um nome germânico» («Santo Hugo de Grenoble», Enzo Caffarelli, p. 58).

      Para Enzo Caffarelli, é efectivamente Barbarossa e Alexandro (ou quase: Alessandro), mas não para nós. E agora outra questão: será Santo Hugo ou São Hugo? As gramáticas que tratam da matéria prescrevem «santo» quando o nome que se segue começa por vogal e «são» se começar por consoante. Bem, não era preciso mais, dir-se-á, pois o h é consoante. E é, mas temos de convir que é uma consoante especial. Vamos lá citar alguém muito apreciado por aqui: «E alguns episódios bizarros: conta Jonathan Sumption, autor do artigo, que no século XII São Hugo, bispo de Lincoln, não se teria portado condignamente quando pernoitou na abadia francesa de Fécamp» (Vamos ao Que Interessa, João Pereira Coutinho. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2015). Há, no entanto, obras que referem explicitamente os nomes começados por h, para os quais prescrevem o uso de «santo».

 

[Texto 7650]

Helder Guégués às 14:24 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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31
Mar 17

Léxico: «paredão»

Passeio marítimo

 

      «Para o jornalista [José Carlos de Vasconcelos], andar à beira-mar, “a ver, a ouvir e a sentir o mar”, “é das coisas melhores da vida”. Sempre o fez e, sempre que pode, continua a fazê-lo. Sobretudo em três locais: “Na minha Póvoa [de Varzim]”, no paredão de Cascais ou no calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro» («O gosto dos outros», Sara Belo Luís, Visão, 23.03.2017, p. 128).

      Agora chegava aqui um marciano e lia no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (mas podia ser noutro qualquer, dizem mais ou menos o mesmo) sobre paredão: «1. muro alto e com alguma largura, construído geralmente para segurar terras ou refrear águas; 2. parede grande». Acham que o marciano ia ter uma ideia, aproximada que fosse, do que é o paredão de Cascais ou de qualquer outro semelhante?

 

[Texto 7649]

Helder Guégués às 00:22 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar