30
Abr 17

Léxico: «senense»

E os de Siena?

 

      «Copadroeira da Europa e da Itália, desde 1939, [Santa Catarina de Siena] nasceu na família senense Benincasa (1347-1380), foi terceira dominicana e na sua casa acolheu clérigos e leigos, fundando o primeiro núcleo dos “Caterinati”» («Vida e obras dos santos que se celebram esta semana», Enzo Caffarelli, O Meu Papa, ed. n.º 5, 28.04.2017, p. 58).

      Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, senense é somente o «natural ou habitante de Seia». Tudo fosse tão fácil de corrigir como isto.

 

[Texto 7766]

Helder Guégués às 15:26 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «Encarnados»

Sempre esquecidos

 

      «Fraca exibição dos encarnados salva por dois golos de Jonas. Estoril fez tudo para trazer pontos da Luz» («Jonas salva encarnados de aperto na Luz», Carlos Calaveiras, Rádio Renascença, 29.04.2017, 17h10).

      Vamos supor que eu era selenita e, aluado ou enfastiado, decidia vir à Terra e ouvia ou lia isto. Se consultasse o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora para saber o que significa «encarnado» neste contexto, ficaria com uma ideia errada. Este dicionário não regista esta acepção, nem, aliás, nenhuma relativa aos clubes de futebol: Verdes, Azuis-e-Brancos, Axadrezados, Leões, Dragões, etc. Um avanço deve já, entretanto, assinalar-se: os jornalistas (alguns?) compreenderam finalmente que estas palavras não precisam de estar envoltas em aspas assépticas. Aleluia!

 

[Texto 7765]

Helder Guégués às 11:19 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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30
Abr 17

Do h aspirado

Sempre nos compreenderemos

 

      «O Óquei de Barcelos está na final da Taça CERS em hóquei em patins, depois de vencer os italianos do Sarzana por 3-1, na meia-final, em Viareggio, Itália» («Hóquei em patins. Óquei de Barcelos na final da Taça CERS», Rádio Renascença, 30.04.2017, 00h05).

      Curioso, este caso, o clube Óquei de Barcelos, que pratica, não óquei, mas hóquei. Temos outros casos, é verdade, mas não dentro do mesmo país: nós escrevemos andebol e, no Brasil, escrevem handebol, por exemplo. E, contudo, quem prefere «hóquei» também devia preferir «handebol», ou não? Mas não se procure lógica na língua. Mais estranho, para nós, é que no Brasil, ao que parece de forma maioritária, se aspire o h medial e até o h inicial em muitos vocábulos. No VOLP da Academia Brasileira de Letras, isso até já está assinalado com a indicação «(barra)». Pesquisem, por exemplo, as palavras «bahamiano» e «bahaísmo». E não devia, ocorre-me agora, «saheliano» ter a mesma indicação? Não tem. E não regista «jihadista», por exemplo. Não somos donos da língua, eles que divirjam à vontade. Continuemos nós a escrever jiadista, jiadismo, baamiano, etc.

 

[Texto 7764]

Helder Guégués às 11:08 | comentar | ver comentários (2) | favorito
29
Abr 17

Léxico: «monoamortecedor»

Mas é nossa

 

      «O braço oscilante cresceu 40 mm em comprimento e está ligado a um monoamortecedor em posição horizontal» («Atitude máxima», Bruno Gomes, Motociclismo, n.º 312, Abril de 2017, p. 39).

     Não desdenhem: o Aulete regista-a. E quem diz monoamortecedor, é claro, lembra-se também de monobraço. E quase a propósito: hoje vi uma Can-Am Spyder na estrada do Guincho. Não custa acreditar que pode ultrapassar os 200 km/h.

 

[Texto 7763]

Helder Guégués às 21:45 | comentar | favorito
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Léxico: «matriculação»

Acto ou efeito de matricular

 

      «Curiosamente, e de forma contrária ao que habitualmente sucede, o maior aumento de matriculações ocorreu nos ciclomotores e Moto4 ATV[,] que registaram um crescimento de 62,4 e 80%, respetivamente» («Mercado com tímida subida em fevereiro», Motociclismo, n.º 312, Abril de 2017, p. 14).

      Os funcionários do Instituto da Mobilidade e dos Transportes usam-na provavelmente todos os dias, mas o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora desconhece-a.

 

[Texto 7762]

Helder Guégués às 21:25 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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29
Abr 17

Tradução: «close call»

Por um triz

 

      «Mas o certo é que todos nós, com mais ou menos experiência, já teremos passado — e, infelizmente, algumas vezes ficado — pelo que os ingleses chamam um “close call”, o escapar à justa de uma situação potencialmente perigosa no trânsito» («A melhor defesa é o ataque», Luís Carlos Sousa, Motociclismo, n.º 312, Abril de 2017, p. 4).

      Lemos no Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora: «a close call Estados Unidos da América quase um desastre». O Cambridge Dictionary, porém, prescinde do artigo e define-o assim: «a situation in which something bad, unpleasant, or dangerous almost happens, but you manage to avoid it». E no Novo Dicionário de Expressões Idiomáticas Americanas, de Luiz Lugani Gomes (São Paulo: Thomson, 2003, p. 66), ficamos a saber que se diz close call ou close shave, que o autor define como «algo indesejável que só não acontece por um triz, uma quase-ocorrência, um quase-acidente, derrota, fracasso etc.».

 

[Texto 7761]

Helder Guégués às 19:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito