28
Abr 17

Léxico: «geniquento»

E esta?

 

      «O moço da camisola cinzenta dá um pulo na soleira da porta, um pulo tão geniquento que até afugenta as pombas» (Os Novos Putos, Altino do Tojal. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1982, p. 64).

      Tem de se abonar com Altino do Tojal, pois claro, porque com um artigo jornalístico não é suficiente: «Chega em maio o novo Suzuki Swift e com ele regressa dos mais populares modelos da marca em Portugal. É inconfundível mas mudou bastante. Mais espaçoso e com mala bem maior, tem dois motores a gasolina, um geniquento 1.0 três cilindros turbo (111 cv) e o mais económico 1.2 Dualjet (68 cv), ambos também em versão semi-híbrida. Nem falta um quatro rodas motrizes» («Suzuki Swift: Mais espaço e outra imagem», Silva Pires, Motor 24, 28.04.2017).

 

[Texto 7759]

Helder Guégués às 15:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «cavalinho»

Só na estrada

 

      «Eu acelero pela estrada vazia, deito-me ligeiro em cada curva, tento fazer cavalinhos, mas a moto é demasiado pesada, ou sou eu que tenho pouca habilidade» (Contracorpo, Patrícia Reis. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2012, p. 108).

     Ainda ontem vi um habilidoso, num semáforo, a fazer cavalinhos numa Ducati. Só nos dicionários é que não vemos cavalinhos.

 

[Texto 7758]

Helder Guégués às 14:29 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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28
Abr 17

Léxico: «adivinhatório»

Adivinhem...

 

      «Artur Mafumo era curandeiro. Mas em Dezembro de 1955 foi preso e os seus objectos de culto e adivinhação, como ossículos adivinhatórios, foram apreendidos e trazidos para Portugal por Joaquim Santos Júnior, chefe da 6.ª campanha da Missão Antropológica de Moçambique (uma expedição científica). Agora, os seus objectos estão na exposição Plantas e Povos no Museu Nacional de História Natural e da Ciência (Muhnac), em Lisboa» («Como o banco de um curandeiro moçambicano diz muito sobre a forma de fazer ciência», Teresa Serafim, Público, 28.04.2017, p. 27).

      Suponho que também pudesse ser, mas, na verdade, o que se diz sempre é ossículos divinatórios. Um toque mais refinado. Não deixo, no entanto, de estranhar que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não registe adivinhatório.

 

[Texto 7757]

Helder Guégués às 10:37 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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27
Abr 17

Léxico: «canelite»

Basta estar atento

 

      Hoje, ouvi pela primeira vez, na Antena 1, uma palavra: canelite. Nada, nunca antes. Até pode ser o nome que se dá popularmente à periostite tibial (shin splint, para a legião de anglófonos que nos segue), mas vejo agora que aparece por todo o lado. Era a propósito dos peregrinos a caminho de Fátima. A canelite é a dor e o edema na perna que pioram com a actividade física e melhoram com o descanso. Já que estamos aqui, fiquei com dúvidas sobre a correcção da definição de tibialgia no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Mas deixo isso para os médicos que acompanham o Linguagista.

 

 [Texto 7756]

Helder Guégués às 15:33 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «heterotrofismo» e «quimiotrofismo»

Mais trabalho

 

      «Agora, Daniel Distel encontrou um exemplo desse processo — o Kuphus polythalamia. “A madeira serviu como uma alpondra evolutiva para uma transição drástica do heterotrofismo [sem capacidade de produzir o seu próprio alimento] para o quimiotrofismo”, refere o artigo. “Esta é a parte-chave do artigo”, sublinha por sua vez a investigadora portuguesa [Luísa Borges]» («Foi encontrado um alien vivo? Calma, é só um bivalve gigante», Teresa Serafim, Público, 27.04.2017, p. 25).

    No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, nem heterotrofismo nem quimiotrofismo. E, contudo, o Dicionário de Termos Médicos acolhe um sinónimo do primeiro, heterotrofia, e no Dicionário de Espanhol-Português encontramos heterotrofismo. Muitas pontas soltas.

 

[Texto 7755]

Helder Guégués às 12:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «quimiossintético»

Faz falta o par

 

     «Na elaboração das refeições, [o Kuphus polythalamia] usa o sulfureto de hidrogénio como energia para produzir o carbono com que se alimenta — é assim um animal quimiossintético (em que a sua fonte de energia são compostos químicos). Este processo é diferente do que as plantas usam para converter a energia do Sol em carbono, durante a fotossíntese» («Foi encontrado um alien vivo? Calma, é só um bivalve gigante», Teresa Serafim, Público, 27.04.2017, p. 25).

    É primo do Teredo navalis – e, a propósito da tradução de shipworm, falámos aqui do teredo ou teredem. Que temos aqui? O habitual: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que regista quimiossíntese, esqueceu-se do adjectivo quimiossintético.

 

[Texto 7754]

Helder Guégués às 11:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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27
Abr 17

«Tarrafalista», de novo

Última vez?

 

      «A sede da autarquia da capital acolhe desde terça-feira o Centro Cívico Edmundo Pedro, onde se vão instalar coletividades e organizações da sociedade civil, que terão ao seu dispor áreas de trabalho, uma sala multiusos, uma copa e o auditório da Câmara de Lisboa. A inauguração decorreu no dia 25 de abril numa homenagem a Edmundo Pedro, resistente antifascista e o único dos ‘Tarrafalistas’ ainda vivo» («Novo Centro Cívico Edmundo Pedro em Lisboa», Destak, 27.04.2017, p. 2).

      Já aqui tinha tratado deste caso anómalo do vocábulo «tarrafalista». O que há de novo, para justificar trazê-lo aqui de novo, é precisamente a forma como o jornalista o grafou, com maiúscula. Com aspas já o tínhamos visto. Enfim, pode sempre fazer-se pior.

 

[Texto 7753]

Helder Guégués às 10:54 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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