01
Mai 17

Como se escreve nos jornais

Poluição linguística

 

      Talvez fosse boa ideia comprar uma máscara antipoluição com carvão activado (que os dicionários desconhecem...) para andar de moto na cidade, não? E a propósito de antipoluição: «É um facto que o programa da extrema-direita, no seu anti-capitalismo, anti-europeísmo e anti-liberalismo, é o sonho húmido do Bloco» («Bicos calados», João Pereira Coutinho, Correia da Manhã, 28.04.2017, p. 48). Corrigirem isto nos jornais é que ‘tás quieto. Parte como chega; os leitores, esses grandes asnos, não merecem mais. E, contudo, qualquer mísero dicionário ou prontuário lhes diria que se escreve anticapitalismo, antieuropeísmo, antiliberalismo.

 

[Texto 7770]

Helder Guégués às 12:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Três frasezinhas singelas

Ora vamos lá ver

 

      «Imaginemos uma romã. Vamos supor agora que a cortávamos ao meio e que uma das metades não tivesse cor. Assim era Berlim poucos meses depois da festa» (Passageiros em Trânsito, José Eduardo Agualusa. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2012).

      Três frasezinhas singelas, estas — mas estará tudo certo? Digam-me o que corrigiam, se alguma coisa há para corrigir, ou o que melhoravam, se alguma coisa há para melhorar.

 

[Texto 7769]

Helder Guégués às 11:24 | comentar | ver comentários (12) | favorito
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Ortografia: «retrorreflector»

Está nos dicionários

 

      «Usar sempre, quer de dia quer de noite, coletes retro-reflectores, não andar sozinho(a) durante a noite e tomar especiais cuidados ao atravessar as vias são outros conselhos da GNR» («Fátima. GNR pede a peregrinos que preencham questionário», Rádio Renascença, 30.04.2017, 21h25).

      Pois, mas não: é retrorreflector que se escreve. O prefixo retro-, que indica movimento para trás, segundo o Acordo Ortográfico de 1945, nunca se escreve com hífen, havendo duplicação do r e do s quando o elemento que se lhe segue começa por estas letras.

 

[Texto 7768]

Helder Guégués às 11:11 | comentar | favorito
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01
Mai 17

«Negacionismo/revisionismo»

É tirar conclusões

 

      «Mélenchon disse que Marine Le Pen é tão radical como o seu pai, Jean-Marie Le Pen – condenado por racismo e “negacionismo” histórico – e desmentiu os que o acusam de indefinição numa altura em que é preciso travar a extrema-direita» («França: Esquerda insta Macron a gesto político para deter extrema-direita», Lusa/TSF, 30.04.2017, 22h02).

      Porquê as aspas em «negacionismo»? Comecemos por ver como definem a palavra os dicionários. Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «rejeição de conceitos básicos, incontestáveis e apoiados por consenso científico em favor de ideias não fundamentadas ou controversas». Hum... Para o dicionário da Real Academia Espanhola: «Actitud que consiste en la negación de hechos históricos recientes y muy graves que están generalmente aceptados. El negacionismo del Holocausto.» Passemos agora à definição de um conceito aparentado — revisionismo. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «HISTÓRIA posição de quem nega a existência de um facto documentado ou de quem propõe interpretações não fundamentadas de fenómenos históricos já estudados; negacionismo». No dicionário da Real Academia Espanhola: «Tendencia a someter a revisión metódica doctrinas, interpretaciones o prácticas establecidas con el propósito de actualizarlas y a veces de negarlas. Sometieron a revisionismo la teoría de la evolución. En Alemania es ilegal el revisionismo del Holocausto

 

[Texto 7767]

Helder Guégués às 11:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito