23
Jul 17

Rigor jornalístico

E violência musical

 

      Todos pudemos ver Paco Bandeira, mais perto da loucura dos 80 do que da ternura dos 40, a cilindrar 50 mil discos compactos. Cilindrar, sim, pois passava-lhes por cima com um cilindro Ingersoll Rand DD23. No Diário de Notícias, contudo, viram outro veículo: «Contra a pirataria. Contra as estações de rádio que não passam música portuguesa. Foi sob este mote que o conhecido músico Paco Bandeira se apresentou em cima de uma empilhadora, pronto a destruir 50 mil exemplares de discos.» Como nos podemos fiar no que importa, no complexo, se falham tão redondamente em aspectos tão comezinhos?

 

[Texto 8050]

Helder Guégués às 18:25 | comentar | ver comentários (5) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,

Como se escreve por aí

Com os pés

 

      Como é inevitável nesta época de hipocrisia, um leitor criticou-me há uns meses por eu me referir à forma como escrevia qualquer pessoa presumivelmente de poucos estudos. Eu bem gostava de analisar como escrevia esse leitor, presumivelmente de muitos estudos, mas, como era anónimo, nada pude fazer. Assim, ficam sempre a salvo. Ora bem, um grupo de moradores aqui da Costa da Guia, da classe média-alta, se calhar com alguns pós-doutorados, mandou publicar um anúncio no Jornal da Região redigido nos seguintes termos: «Será possível que a Câmara Municipal de Cascais mande destruir um parque infantil e cortar dezenas de pinheiros para aí construir uma “Sinagoga”, junto à Rua dos Tremoceiros???» Que forma de escrever... E a Rua dos Tremoceiros não é em Birre? Não será antes na Rua dos Vidoeiros, perto do Cemitério da Guia? Sim, estou de acordo que acabar com um jardim e parque infantil (o melhor aqui na zona) para construir seja o que for é grave. Não há mais terrenos? Na Rua das Faias, por exemplo, há terrenos vagos e até construções inacabadas. Seja como for, tem de se dizer que grave é que seja um edifício para qualquer fim, não que seja uma sinagoga, até porque a Câmara Municipal de Cascais afirma que se trata do Jewish Life and Learning Center, que pertencerá à Associação Chabad, de que farão parte um supermercado kosher, biblioteca, auditório, zona de formação e zona de oração. Não é, portanto, uma sinagoga. Ou sim, porque a proposta, apreciada em aprovada a 25 de Julho de 2016, falava da cedência do direito de superfície de uma parcela «destinada à construção de uma Igreja [sic] e instalações de apoio».

 

[Texto 8049]

Helder Guégués às 17:37 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
Etiquetas:

Como se escreve por aí

Faltam psicólogos

 

    O Facebook e as caixas de comentários de alguns jornais e rádios vieram pôr a escrever milhares de portugueses que antes só faziam listas de compras. Uma alegria. Ontem, um piloto moldavo de motocrosse morreu; logo muitos portugueses deram os pêsames à família (?). Há sempre algum, porém, que quer ir além do lacónico RIP que aprendeu sofridamente (bendito latim!), como este «professor tecnico em refrigeração e estalador de arcondicionado», por exemplo, que escreveu isto: «Descança em paz rapaz que tristeza .meus pezamos a familia.tao novinho». Estes são os mansos — mas, e os que escoicinham tudo e todos e desconversam, que formam a maioria?

 

[Texto 8048]

Helder Guégués às 16:47 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas:
23
Jul 17

«Sob/sobre», a confusão continua

Jornalistas...

 

      «As Ilhas Paracel, no Mar Meridional da China, eram bancos de areia até a China, em menos de dez anos, as ter transformado em paraísos naturais. O arquipélago suscita grande interesse pela suspeita de estar sob jazigos de petróleo e é reivindicado há décadas por vários países da Ásia. A China tenta garantir a soberania ao tornar as ilhas habitáveis» («As ilhas inabitadas que a China transformou em paraísos naturais», Rádio Renascença, 22.07.2017, 17h51).

      Já aqui tínhamos falado do arquipélago das Paracel. Hoje, porém, o caso é pior: mais uma triste vez, um jornalista confunde as preposições sob e sobre. Mas serão mesmo jornalistas que escrevem isto?

 

[Texto 8047]

Helder Guégués às 16:44 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: ,