21
Set 17

«Temerosamente/temerariamente»

Mas não queremos

 

      «Vários especialistas recusaram fazer a perícia às músicas de Tony Carreira por receio da dimensão do artista, indica a resposta da Inspecção das Actividades Culturais enviada quase dois anos após o pedido de perícia feito pelo Ministério Público. [...] No documento, o inspector-geral da IGAC explica as razões das recusas: “Por um lado, pela especialidade dos conhecimentos musicais exigíveis, por outro, porque nos contactos efectuados a pessoas com conhecimentos desta natureza, estas têm temerariamente recusado a colaboração ou demonstrado indisponibilidade, fundamentalmente alegando a dimensão do artista, sucesso comercial das obras e receio de futuro litígio em que se possam ver envolvidos”» («Ministério Público propôs acordo entre Tony Carreira e editora que se queixou do cantor», Rádio Renascença, 21.09.2017, 15h07).

      Nenhum especialista aceita fazer a perícia por receio — logo não é temerariamente que o fazem, mas temerosamente. Isto é temerar a língua, isso sim. Não tanto, mera confusão, mais uma. Se quiséssemos enviesar o sentido da frase, diríamos que os especialistas recusaram temerariamente o pedido/proposta da IGAC. Sem receio.

 

[Texto 8164]

Helder Guégués às 20:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito (1)
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Léxico: «noz-de-cola»

E estas?

 

      Então a noz-de-cola (Cola accuminata), tão importante na África Ocidental, onde é (ou era?) consumida como excitante, e até chegou a servir de moeda, não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora? E no Brasil é conhecida como obi, outro vocábulo que aquele dicionário não regista. O VOLP, da Academia Brasileira de Letras, por exemplo, regista ambos.

 

[Texto 8163]

Helder Guégués às 16:47 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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21
Set 17

Léxico: «Viosinho»

Outra esquecida

 

      «As castas utilizadas para elaboração do vinho são “autóctones, de vinhas velhas da Região Demarcada do Douro, como a Malvasia Fina Branca, Viosinho, Códega do Larinho, Gouveio Branco ou Verdelho”» («Ice Wine. O “chamado vinho dos deuses” é produzido a partir de uvas congeladas», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 21.09.2017, 8h47).

      Já aqui tínhamos visto que os nomes de algumas castas de uvas não estavam registados no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. O mesmo sucede desta vez: Viosinho não o encontram lá.

 

[Texto 8162] 

Helder Guégués às 12:06 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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