28
Set 17

Como se escreve por aí

Meus queridos afiliados

 

      Costumam errar em português. Vejamos em latim. «O documento de 25 páginas e intitulado “Correcção de afiliados de haeresibus propagagatis” (Correcção filial em relação à propagação de heresias) terá sido enviado ao Papa no dia 11 de Agosto» («Papa responde aos críticos da exortação sobre família», Rádio Renascença, 28.09.2017, 14h44).

    Mas que trapalhada! Metade semiportuguês, metade semilatim. E escusavam de patinar em cima da sílaba ga. Mas se fosse em inglês? Já outro galo cantava, e não erravam nada: «A filial correction concerning the propagation of heresies». Something went wrong.

 

[Texto 8177]

Helder Guégués às 23:30 | comentar | favorito
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Léxico: «escolástico»

Desempoeirem-no

 

      Em cinco anos, 94 membros abandonaram certa congregação, «(26 sacerdotes, 16 irmãos e 52 escolásticos)». Uma sangria? Talvez. Mas reparem na palavra «escolástico». Nos dicionários modernos, nem rasto. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, leva o pobre leitor ao equívoco total. ↯↯↯ O Aulete salva a honra dos lexicógrafos: «Antq. O aluno, o estudante em geral». Antigo, decerto, mas não o relegaram para o sótão dos obsoletismos — porque depois faz falta, não é?

 

[Texto 8176]

Helder Guégués às 23:02 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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Incultura geral

Antes surdo

 

      Perdido na gaveta dos retroses, encontrou um porta-chaves com o símbolo ☮ . «Nonô, queres este porta-chaves da Mercedes?»

 

[Texto 8175]

Helder Guégués às 22:17 | comentar | favorito
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Como se escreve por aí

Que no domingo vão andar à mocada

 

      A Motor 24 vem hoje falar das consequências de deixarmos o carro fora da garagem. Ah, são tantas. Por exemplo: «Riscos e moças: se calhar é dos perigos mais habituais.» Não quero alarvejar, mas, francamente, tomara-me a mim uma moça a valer no carro. Eu sei, eu sei: depende. As leitoras do Linguagista — mas haverá excepções, e não estamos aqui para julgar ninguém — hão-de preferir um valente moço. Já as catalãs decerto preferirão um belo mosso d’esquadra. Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso.

 

[Texto 8174]

Helder Guégués às 20:40 | comentar | favorito
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Léxico: «frijoca»

Se souberem

 

      «O almoço confecionado por um grupo de cozinheiras da freguesia é a prova disso. Foram, pelo menos, uma dezena as mulheres que se juntaram para confecionar a Frijoca: prato típico da matança do porco» («“Frijoca”, a “caldeirada” política da CDU no Couço», Rádio Renascença, 28.09.2017, 17h40).

     Ai as aspas, ai as maiúsculas... A frijoca, ao que parece — já conheciam? —, é carne de porco frita com batata cozida e salada. Localismo? Regionalismo? Invencionismo?

 

[Texto 8173]

Helder Guégués às 20:24 | comentar | favorito
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28
Set 17

Léxico: «madista», «madismo»

Para trás ou para a frente?

 

      Há falhas nos dicionários que dificilmente se compreendem. Por exemplo, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista — e bem — mádi (habitualmente com maiúscula), nome por que é conhecido, na tradição muçulmana, o messias aguardado. Ora, o adjectivo, madista, que já estava na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (que acolhe madi ou made), está ausente do dicionário da Porto Editora, assim como também não encontramos nele madismo. Avançamos ou retrocedemos?

 

[Texto 8172]

Helder Guégués às 13:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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