28
Set 17

Como se escreve por aí

Que no domingo vão andar à mocada

 

      A Motor 24 vem hoje falar das consequências de deixarmos o carro fora da garagem. Ah, são tantas. Por exemplo: «Riscos e moças: se calhar é dos perigos mais habituais.» Não quero alarvejar, mas, francamente, tomara-me a mim uma moça a valer no carro. Eu sei, eu sei: depende. As leitoras do Linguagista — mas haverá excepções, e não estamos aqui para julgar ninguém — hão-de preferir um valente moço. Já as catalãs decerto preferirão um belo mosso d’esquadra. Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso.

 

[Texto 8174]

Helder Guégués às 20:40 | comentar | favorito
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Léxico: «frijoca»

Se souberem

 

      «O almoço confecionado por um grupo de cozinheiras da freguesia é a prova disso. Foram, pelo menos, uma dezena as mulheres que se juntaram para confecionar a Frijoca: prato típico da matança do porco» («“Frijoca”, a “caldeirada” política da CDU no Couço», Rádio Renascença, 28.09.2017, 17h40).

     Ai as aspas, ai as maiúsculas... A frijoca, ao que parece — já conheciam? —, é carne de porco frita com batata cozida e salada. Localismo? Regionalismo? Invencionismo?

 

[Texto 8173]

Helder Guégués às 20:24 | comentar | favorito
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28
Set 17

Léxico: «madista», «madismo»

Para trás ou para a frente?

 

      Há falhas nos dicionários que dificilmente se compreendem. Por exemplo, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista — e bem — mádi (habitualmente com maiúscula), nome por que é conhecido, na tradição muçulmana, o messias aguardado. Ora, o adjectivo, madista, que já estava na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (que acolhe madi ou made), está ausente do dicionário da Porto Editora, assim como também não encontramos nele madismo. Avançamos ou retrocedemos?

 

[Texto 8172]

Helder Guégués às 13:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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27
Set 17
27
Set 17

Léxico: «galena»

E o mais importante?

 

      «As peças mais antigas, um Stomberg-Carlson [sic] e um Federal Telephone (galena), recuam a 1922. O exemplar mais recente data de 1980 e tem o selo da Grundig. Todos funcionam. Os aparelhos estavam guardados em casa de familiares, em Vagos, e eram apreciados a pedido. Um protocolo de depósito do espólio, assinado este ano entre a família e a Autarquia, permitiu a constituição do museu» («Coleção de 1500 rádios deu origem a museu», Zulay Costa, Jornal de Notícias, 27.09.2017, p. 38).

      Na citação de artigos de jornais, tem de haver sempre um sic, não é? Por vezes, até fingimos que não têm erros, ou desculpamos a incúria. No caso, porém, é da definição de galena no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora que nos temos de ocupar: «minúsculo e primitivo receptor de rádio em que se emprega um cristal deste mineral». Primitivo, rudimentar, sem dúvida (creio que seria capaz de construir um), mas não minúsculo. A miniaturização, nestas coisas, é feito mais recente. É habitualmente pequeno, sim, não minúsculo, mas não dizem o mais importante: não necessita de energia eléctrica nem de baterias. Nada.

 

[Texto 8171]

Helder Guégués às 13:38 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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26
Set 17

Léxico: «subcórtex»

Diminuído

 

      «Registos da actividade cerebral também revelaram melhorias, como aumento da conectividade funcional e da acção metabólica nas regiões do córtex e subcórtex, responsáveis pela memória, atenção, consciência, linguagem e perceção [sic]» («Homem em estado vegetativo há 15 anos recupera consciência após estimulação nervosa», Rádio Renascença, 25.09.2017, 23h04).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora é que não tem subcórtex, coitado. O subcórtex, que é o repositório da nossa herança animal, é desconhecido por aqui. No entanto, acolhe o adjectivo subcortical.

 

[Texto 8170]

Helder Guégués às 11:07 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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26
Set 17

Como se escreve nos jornais

O verbo «tar»

 

      «Em que medida este binómio fica posto em causa só se saberá quando as negociações alemãs tiverem mais avançadas. Para esse objectivo, o Presidente francês apostava num cenário alemão que acabou por não acontecer» («Macron vai alterar o discurso?», Teresa de Sousa, Público, 26.09.2017, p. 3).

      Na oralidade, pelo menos num registo menos formal, é tolerável este descuido, mas não na escrita, mas não num jornal, mas não numa jornalista tarimbada. Simplesmente lamentável. E, o que é pior, cada vez vejo mais este erro.

 

[Texto 8169]

Helder Guégués às 10:05 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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24
Set 17
24
Set 17

Léxico: «anarqueirada»

Rima com «carneirada»

 

      «É uma curiosa companhia. O PDeCat, a que pertence Carles Puigdemont, tem uma cultura nacionalista e neoliberal. A ERC, do vice-presidente Oriol Junqueras, é nacionalista e socializante. A CUP é uma réplica do antigo anarquismo catalão: anticapitalista, anti-Espanha, anti-UE, anti-NATO. Assumiu de facto a liderança estratégica do processo e impôs uma “fuga para a frente”, com sucessivos ultimatos ao govern. Prepara, se lhe derem espaço, o que antigamente se chamava uma “anarqueirada”» («Lei e política», Jorge Almeida Fernandes, Público, 23.09.2017, p. 55).

      Um antigamente não muito longínquo, ao que parece, pois em todo o lado leio que foi Bento Gonçalves que inventou a palavra.

 

[Texto 8168]

Helder Guégués às 20:19 | comentar | favorito
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