31
Out 17

Léxico: «megacamião»

Ficam avisados

 

      Aí temos o Decreto-Lei n.º 132/2017, de 11 de Outubro, que transpõe uma directiva do Conselho datada de 2015. Vamos passar a ver nas nossas estradas camiões — tractor com atrelado — que podem ter até 25,25 metros de comprimento. Xi! Agora é que tenho de comprar um Maserati Ghibli para ir por essa A23 fora. Muito bem, e aqui para o blogue, qual a relevância disto? A um veículo com aquelas características dá-se o nome de megacamião ou gigacamião. Noutras paragens, eurocombi ou ecocombi.

 

[Texto 8282]

Helder Guégués às 22:48 | comentar | favorito
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31
Out 17

Léxico: «marrequinha»

O mesmo pato

 

      «Na opinião da SPEA [Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves], cinco das nove espécies de aves contempladas na lista cinegética em discussão não deveriam lá estar, já que não é tido em conta a sua abundância, o seu estado de conservação ou a sua importância ecológica. O principal problema apontado é o facto de algumas apresentarem um número reduzido de exemplares, já que isto prejudicaria a capacidade da espécie perdurar. É o caso de três espécies de patos migradores: o Pato-real, a Marrequinha e a Piadeira» («Ambientalistas querem tirar algumas aves da mira dos caçadores açorianos», Maria Wilton, Público, 31.10.2017, p. 21).

      Maria Wilton, nos pormaiores parece-me estar tudo bem — agora é tempo de tratar dos pormenores. Mas avancemos para outras considerações. Para quê a maiúscula inicial nos nomes das aves? No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora podemos ver o pato-real (Anas platyrhynchos) e a piadeira (Anas penelope), mas não a marrequinha (Anas crecca). Regista, sim, marrequinho, que remete para marreco; contudo, como neste verbete não está o nome científico — que ando há anos a sugerir que seja incluído em todos os verbetes em que se aplique —, o consulente não pode afirmar que se trata da mesma espécie. Mas sim, ao que parece, a marrequinha e o marreco são dois nomes da mesma espécie. Vejamos a definição: «nome extensivo a umas aves palmípedes da família dos Anatídeos, muito frequentes em Portugal durante o Inverno, também designadas por marreca, marrequinho, parreco, etc.» Quando consultamos os verbetes dos sinónimos, marreca e parreco, ficamos desiludidos, pois nenhum deles regista o nome científico.

 

[Texto 8281]

Helder Guégués às 20:10 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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30
Out 17

Rajoy, Carles Puigdemont...

Chinês é mais fácil

 

      Puigdemont lá levou aquele corte de cabelo inenarrável para fora da Península Ibérica. Numa coisa, porém, tem mais sorte do que o chefe do Governo espanhol: toda a gente, fora de Espanha, lhe sabe pronunciar o nome. Mas Rajoy... Ontem, na sua rubrica na SIC, foi a vez de Marques Mendes tentar pronunciá-lo: Ragoy. Está bem, pronto, desde que não o diga à frente do próprio. Toda a gente lhe sabe pronunciar o nome, comecei por afirmar. Pode haver excepções: Marques Mendes guardou-se bem de pronunciar o nome Puigdemont. E nem é bom pensar como pronunciaria Carles Puigdemont.

 

[Texto 8280]

Helder Guégués às 22:36 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Léxico: «pirocumulonimbo»

É a palavra do dia

 

      «Pelo menos um dos gigantes incêndios de dia 15 de outubro na zona Centro pode ter formado um fenómeno raro que até aí, na Europa, só tinha acontecido em Pedrógão Grande: um pirocumulonimbo, ou seja, uma tempestade causada pelo próprio incêndio» («Pirocumulonimbo. Fenómeno raro pode ter-se repetido a 15 de outubro», Nuno Guedes, TSF, 30.10.2017, 12h07).

     Até hoje, só o vira nas suas vestes alatinadas — pirocumulonimbus. Já pode ser entesourado pelo Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Só downburst é que ainda não sabemos traduzir, não é assim?

 

[Texto 8279]

Helder Guégués às 19:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Ortografia: «rétro»

Retro!

 

      «Estudos académicos mais recentes demonstram que há um grande apetite por parte dos jovens consumidores pelo retro. E as marcas perceberam rapidamente que poderiam explorar esse lado nostálgico» («O frigorífico da avó é fixe», Paulo Pinto, Rádio Renascença, 30.10.2017).

      Garanto-lhe, Paulo Pinto, que é rétro que se escreve. A palavra tem acento e é francesa, logo, grafa-se em itálico ou entre aspas. Não lhe custará muito corrigir, é o que nos parece.

 

[Texto 8278]

Helder Guégués às 18:48 | comentar | favorito
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30
Out 17

Léxico: «espanholada»

Mais trabalho sujo

 

      Já que estamos virados para Espanha, outra que falta no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora é espanholada na acepção de... na acepção de... Ai que eu não sou capaz de escrever isto... na acepção de mamafelação. (Esta é de morrer a rir.) É isso, espanholada (Dutch fuck, para a legião de anglófonos que nos segue). Como dirá um sexólogo? Talvez «coito intermamário».

 

[Texto 8277]

Helder Guégués às 13:43 | comentar | favorito
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29
Out 17
29
Out 17

Ortografia: «marca de água»

Memofante Forte

 

      Notas de zero euros... O capitalismo reinventa-se a cada instante. «Uma nota de zero euros para colecionadores e turistas com imagens típicas de Portugal entrou este mês em circulação e até final do ano será impressa uma edição alusiva ao centenário das aparições de Fátima. [...] As ‘notas souvenir’ possuem as mesmas características de uma nota de euro verdadeira, como a marca de água, holograma, registo transparente, sistema de segurança e um número de série. É considerada a última moda entre as lembranças adquiridas pelos turistas nos países que visitam e está já entre as lembranças mais vendidas. [...] A ideia foi lançada em 2015 por Richard Faille em França, tendo nesse ano sido lançadas 100 notas de diferentes locais, e já se estendeu à Alemanha, Áustria, Bélgica, Suíça, Países Baixos e Espanha» («Portugal passa a ter notas de zero euros para colecionadores e turistas», Rádio Renascença, 29.10.2017, 12h53). De quando em quando, a Rádio Renascença esquece-se de desaplicar o Acordo Ortográfico de 1990. E, neste caso, eu nunca desaproveitaria o ensejo de usar um apóstrofo, que também está em extinção: «marca-d’água». Ah, está bem, essa é a grafia brasileira. Que diz o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora? Grafa marca de água. Houve um dia, contudo, em que se esqueceu de tomar a pílula de Memofante e, no Dicionário de Francês-Português, no verbete «filigrane», grafou marca d’água. Esperemos que a legalidade seja reposta.

 

[Texto 8276]

Helder Guégués às 17:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito