Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Léxico: «biobanco»

Não esperem mais

 

      «Sangue, osso, saliva e tumores estão reunidos em milhares de amostras guardadas no biobanco do Instituto de Medicina Molecular (iMM) de Lisboa, para o qual as pessoas são convidadas a doar mais sangue numa campanha no fim do mês» («Há um banco em Lisboa que guarda milhares de amostras de sangue, ossos e tumores», Rádio Renascença, 4.10.2017, 9h43).

      Pode ir para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, pois é usado regularmente. E vejo que no Brasil também o usam.

 

[Texto 8190]

Concordâncias desvairadas

E era tão simples

 

      Tantas mulheres com «uns quilos a mais». Ah, mas espera, esta aqui pratica HIIT. Oh, diacho, isso é muito intenso. Estou em mais um laboratório de observação.

    Mas mudemos de assunto: «Os primeiros escravos negros haviam desembarcado em 1619 nos Estados Unidos. Na antiga revolução contra os Ingleses, contavam-se mais de 500 mil nas colónias rebeldes. Em 1776, cerca de 5 mil colocaram-se ao lado dos patriotas, como soldados, apesar de a maioria não usufruir do estatuto de cidadã» (Crítica da Razão Negra, Achile Mbembe. Tradução de Marta Lança. Lisboa: Antígona; 2.ª ed., 2017, p. 36).

      Então não é «pôr-se ao lado dos patriotas» que se diz, Marta Lança? E que coisa estranha é essa de escrever que os escravos negros não usufruíam do «estatuto de cidadã»... Bastava fazer a concordância, o que não há-de ser difícil a uma pessoa formada em Línguas e Literaturas Modernas. Em contrapartida, mas talvez graças ao revisor, L. Baptista Coelho, lá estão os «Ingleses». Muito bem. Quando os editores nos deixam, quando não estão lá formados em Línguas e Literaturas Modernas que no-lo impedem...

 

[Texto 8189]

«Pôr água na fervura»

Que lêem, que ouvem?

 

      Ontem apanhei um grande susto: ao fim da tarde, num noticiário na Antena 3, avisaram que o rei Filipe II ia falar à nação. Eu já não sabia de que terra era nem em que tempo estava. E hoje também já me arrepiei com uma frase do jornalista Tiago Pimentel no Público: «Julen Lopetegui, ex-treinador do FC Porto e actual seleccionador espanhol, sentiu necessidade de colocar água na fervura» («Gerard Piqué, o futebolista no centro da tempestade», p. 14). Um jornalista... «Esse sentimento era particularmente agudo no núcleo que habitava na capital checa, o que levou Cunhal a tentar pôr água na fervura numa reunião com os comunistas portugueses de Praga convocada para novembro do mesmo ano, e onde Cândida Ventura também estava» (Álvaro Cunhal. O Homem e o Mito, Joaquim Vieira. Carnaxide: Objectiva, 2013, p. 190).

 

[Texto 8188]