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Linguagista

Léxico: «protomártir»

Brasiliae protomartyres

 

      «O Papa Francisco preside este domingo a uma cerimónia de canonizações na qual vai proclamar como santo o sacerdote português Ambrósio Francisco Ferro, morto no Brasil a 3 de Outubro de 1645 durante perseguições anticatólicas, por tropas holandesas. O santo faz parte do grupo dos chamados “protomártires do Brasil”, que foram mortos no actual território da Arquidiocese de Natal, então sob jurisdição portuguesa» («Papa canoniza padre português martirizado no Brasil», Rádio Renascença, 15.10.2017, 9h36).

      Já estive para o dizer noutras ocasiões: a definição de protomártir no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora precisa de um retoque, pois diz que é o «primeiro mártir (numa religião, seita ou movimento político)», o que não confere com o que conhecemos. Tem de se acrescentar que é o primeiro mártir cristão num determinado país.

 

[Texto 8227]

Léxico: «fumadouro»

Só nos Países Baixos

 

      «O vice-presidente conta que é neto de uma “mulher de virtude”, na altura consideradas bruxas. “Lembro-me de ser pequeno e de a acompanhar para fazer fumadouros que se deixavam nas encruzilhadas de caminhos ou de ir a casas de pessoas para curar males”, recorda, afirmando que “eram estas mulheres que tinham um dom” responsáveis por substituir a medicina» («Bruxas e demónios: o azar em Montalegre enfrenta-se com festa», André Vieira, Público, 15.10.2017, p. 15).

     Onde é que podemos encontrar fumadouro? No Dicionário de Português-Neerlandês da Porto Editora. Pois é. Fumadouro, fumo, política de tolerância, The Hash Marihuana Hemp Museum... Pronto, tinha de estar naquele e só naquele dicionário.

 

[Texto 8226]

Carta mandadeira

D’este viver aqui

 

      «O executivo liderado por Sócrates “ao contrário do que era prática comum na elaboração das Cartas Mandadeiras que nomeavam os seus representantes às Assembleias Gerais da PT”, sustenta a acusação, “não fez constar qualquer instrução de voto” no documento em que nomeou Sérvulo Correia» («Instruções verbais do Governo Sócrates definiram voto na PT», Mariana Oliveira, Público, 15.10.2017, p. 12).

      A jornalista pensa que é o título de uma obra, como Cartas da Guerra — D’este Viver Aqui Neste Papel Descripto, de Lobo Antunes. Valha-me Deus. São cartas mandadeiras, isto é, cartas em que há uma procuração outorgada para efeitos de representação voluntária. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que regista mandadeiro, podia muito bem registar a locução carta mandadeira — sobretudo porque a Infopédia já a regista no Dicionário de Português-Francês (lettre missive). Pontas soltas.

 

[Texto 8225]