09
Nov 17

Léxico: «hematopoiese»

Para não ir mais longe

 

      «“Pela primeira vez, fora do sistema hematopoiético [do sangue], foi possível demonstrar que as células estaminais transgénicas podem ser usadas para regenerar um tecido sólido”» («Cientistas criaram uma nova pele que salvou criança com doença genética incurável», Andrea Cunha Freitas, Público, 9.11.2017, p. 27).

     O que me leva a hematopoiese e à sua (estranha) definição no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «HISTOLOGIA produção dos elementos figurados do sangue: eritrócitos, leucócitos e plaquetas». Elementos figurados? Não percebo.

 

[Texto 8316] 

Helder Guégués às 19:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Não cabem aqui

Mais um esforço

 

      «A doença chama-se epidermólise bolhosa juncional (EBJ), não tem cura e, segundo as estatísticas, mais de 40% das pessoas que sofrem deste problema morrem antes da adolescência. Há quem lhes chame “crianças-borboleta”, comparando a fragilidade da sua pele com a das asas de uma borboleta. [...] Destas células da pele, os cientistas fizeram culturas de queratinócitos, células que formam as cinco camadas da epiderme, e que foram geneticamente modificados com um vírus que introduziu uma versão “normal” do gene LAMB3. [...] E assim percebeu-se que a epiderme humana é essencialmente sustentada por um número limitado de células de vida longa, proliferativas e que contêm células estaminais (os holoclones), que são capazes de se auto-renovar e que podem produzir progenitores que reabastecem as outras células diferenciadas desta camada superficial da pele. Apesar de o enxerto incluir outro tipos de colónias de células (paraclones e meroclones), passado quatro meses estas colónias já não estavam presentes e no final de oito meses apenas os holoclones se mantinham na epiderme» («Cientistas criaram uma nova pele que salvou criança com doença genética incurável», Andrea Cunha Freitas, Público, 9.11.2017, pp. 26-27).

      Não são doenças para toda a gente: na Infopédia só a encontramos no Dicionário de Termos Médicos. De juncional, que encontramos no Aulete, por exemplo, nem rasto, nem de queratinócito, holoclone, paraclone nem meroclone. Para piorar as coisas, «queratinócito» é usado em artigos de apoio da Infopédia. Sem palavras, não há ciência.

 

[Texto 8315]

Helder Guégués às 19:04 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Coisas estranhas – I

Enganadoramente nosso

 

      «Recebido com passadeira vermelha quando saiu do Air Force One em Pequim – em contraste com a visita do antecessor, Barack Obama, obrigado a sair pela porta na traseira do avião em 2016 – Trump retomou ontem o bromance (um romance entre irmãos) com o presidente Xi Jinping. Os dois encetaram as boas relações no passado mês de abril durante uma visita do líder chinês e da mulher ao resort do presidente, em Mar-a-Lago, na Florida» («Xi recebe Trump como um imperador. Hoje é dia de discutir a Coreia do Norte», Helena Tecedeiro, Diário de Notícias, 9.11.2017, p. 24).

      Nem sequer em itálico, Helena Tecedeiro? O pobre leitor vai pensar que é português de lei. Francamente. E a explicação está errada. Escreve Sarah Knapton no Telegraph: «The rise of the ‘bromance’ could threaten heterosexual relationships, academics have warned, after discovering that many men find their close male friendships more emotionally satisfying than relationships with women» (12.10.2017, 4h55).

 

[Texto 8314]

Helder Guégués às 18:29 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «sobrefacturação/subfacturação»

E outras falcatruas

 

    «O capitão Oliveira tinha 48 500 € também em aplicações de certificados de aforro “resultantes do dinheiro entregue pelos empresários como compensação pela sobrefacturação”» («Guarda em casa 41 750 € em certificados de aforro», Correio da Manhã, 9.11.2017, p. 5).

      Há isto, sobrefacturação, e o contrário, subfacturação, não estão é no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, e tão-pouco noutros dicionários, apesar de serem usados.

 

[Texto 8313]

Helder Guégués às 15:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Cadeira gestatória»

Chaise gestatoire

 

      «Albino Luciani nasceu em Canale d’Agordo, Diocese de Belluno, no Véneto, a 17 de Outubro de 1912; era patriarca de Veneza quando foi eleito Papa a 26 de Agosto de 1978, assumindo o nome de João Paulo I; ficou conhecido como o “Papa do Sorriso”. Foi o primeiro pontífice, desde Clemente V, a recusar uma coroação formal, e não quis ser carregado na cadeira gestatória» («Aberto caminho à beatificação de João Paulo I», Rádio Renascença, 9.11.2017, 11h22).

     Se queremos saber o que é cadeira gestatória, na Infopédia não temos sorte. Só está registado no Dicionário de Português-Francês, que, obviamente, não apresenta definições. Ora esta!

 

[Texto 8312]

 

Helder Guégués às 15:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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09
Nov 17

Ortografia: «estratificação»

Estão enganados

 

      «Durante largos anos, a rocha de xisto rasgada com a ajuda de uma marreta e cinzel, nos “planos de estractificação e xistosidade”, serviu essencialmente para fazer os esteios das vinhas do Douro» («Vila Nova de Foz Côa exporta pedras com mais de 500 milhões de anos», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 9.11.2017, 12h58).

      Não é surpreendente: se muitos jornalistas confundem «extracto» com «estrato», claro que todas as derivadas e aparentadas correm o mesmo risco. E quanto a revisão, nada: escrevem, mas acham que não vale a pena alguém corrigir. Vê-se bem que estão enganados.

 

[Texto 8311]

Helder Guégués às 14:49 | comentar | favorito
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