14
Nov 17

Léxico: «chapão»

Para variar

 

      «– Que grande chapão! – riu-se o meu instrutor. – Entraste mal. Agora tens de repetir» (O Guarda da Praia, Maria Teresa Maia Gonzalez. Lisboa: Babel, 16.ª ed., 2013, p. 33).

      Chapão (belly flop, para a legião de anglófonos que nos segue) não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que regista, isso sim, a locução de chapa, «em cheio, directamente», mas não é o mesmo. Mais uma abonação: «Ele levantou-se e correu um pouco com ela nos braços até se sentir cansado e voltar a cair de costas num chapão lindo de água a sorrir-se, — a água nesta parte era gasosa, parecia Pedras ou Castelo nas suas épocas de primitiva pureza» (Caranguejo, Rúben A. Lisboa: Assírio & Alvim, 1988, p. 88). 

[Texto 8339]

Helder Guégués às 23:21 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «galo-da-índia»

E o galo?

 

      «Uma folha de caderno dobrada, sem envelope, um búzio, duas penas de galo-da-índia, uma lupa e uma perna de estrela-do-mar» (O Guarda da Praia, Maria Teresa Maia Gonzalez. Lisboa: Babel, 16.ª ed., 2013, p. 13).

      No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, só galinha-da-índia. Discriminação de género. Galos revoltados queimam as esporas em frente ao n.º 365 da Rua da Restauração. Polícia de choque, chamada a intervir, assa-os com tasers. Ah, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora ainda só regista laser e maser.

 

[Texto 8338]

Helder Guégués às 22:02 | comentar | favorito
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14
Nov 17

Léxico: «classismo»

Porque ele existe

 

     «António Araújo, jurista e historiador, acrescenta que “o classismo que levou a que todas aquelas pessoas morressem e fossem esquecidas perdura até aos nossos dias porque não houve destruição de centros de poder ou locais simbólicos. O simbolismo dali eram as barracas.”» («Cheias de 1967. A tragédia que Salazar quis esconder», Dina Soares e Joana Bourgard, Rádio Renascença, 14.11.2017).

    Excelente trabalho da Rádio Renascença sobre a maior catástrofe natural em Portugal desde o terramoto de 1755 — as cheias de 1967. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora é que não vemos classismo.

 

[Texto 8337] 

Helder Guégués às 11:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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