15
Nov 17

«Acto contínuo/em acto contínuo»

Nota de imprensa

 

      Esta madrugada, a PSP matou por engano uma mulher após perseguição na 2.ª Circular. Confundiram as «viaturas»? «Correcto e afirmativo.» O que se diz nestes casos? Talvez ups, não? Nas palavras da PSP: «Esta viatura, durante a fuga, tentou atropelar os polícias, que tiveram de afastar-se rapidamente para não serem atingidos e, em ato contínuo, os polícias foram obrigados a recorrer a armas de fogo. Mais à frente, a viatura voltou a desobedecer à ordem de paragem por outra equipa de polícias, tendo sido intercetada pouco tempo depois.» Em acto contínuo é locução sinónima de acto contínuo, muito mais usada. Por muito que me custe admitir, a polícia tem razão. Já quanto aos tiros e à morte — porque não confirmam mais de uma vez antes de disparar? Agradecíamos.

 

[Texto 8343]

Helder Guégués às 15:15 | comentar | ver comentários (11) | favorito
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Léxico: «cientometria»

Ciência amputada

 

      «Também se procurou saber onde e como se faz a investigação oncológica, o que, segundo Oriana Rainho Brás [investigadora no Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações no Instituto Superior de Economia e Gestão], já se enquadra numa análise mais abrangente chamada “cientometria”» («De três artigos sobre cancro em 1976 passámos para 683 por ano», Andrea Cunha Freitas, Público, 15.11.2017, p. 31).

      Análise mais abrangente que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora ignora totalmente. Cientometria ou cienciometria.

 

[Texto 8342] 

Helder Guégués às 14:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Desencriptar/descriptar/decriptar»...

Então o que fazemos?

 

      «Numa reportagem feita pela Renascença há cinco anos, Alberto Luís contou como Agustina escrevia os seus romances à mão e ele decifrava a letra e escrevia à máquina.

      “Todos os romances dela eram escritos em três meses. Ela por ano só trabalhava três meses, mas trabalhava a sério, como um operário, todos os dias fazia uma página destas e eu passava à máquina. Decifrava, descriptava, às vezes ia perguntar-lhe o que era aquilo e ela só revia quando vinham as provas tipográficas, que eu lhe lia em voz alta e ela seguia pelo manuscrito”, disse Alberto Luís. “Era a única intervenção dela na correcção. Alterava, às vezes, uma frase, umas palavras. Toda a minha vida a decifrar, a descriptar, porque aquilo é muito difícil para quem não está habituado sobretudo em certas fases, porque ela tem fases de letra minúscula e outra de letra maior”, recordou o marido de Agustina Bessa-Luís» («Morreu Alberto Luis [sic], marido de Agustina Bessa-Luís», Rádio Renascença, 14.11.2017, 22h23).

      Acabei de ver a reportagem, não estivesse o jornalista — o que é raríssimo — enganado. Não está: Alberto Luís usa três vezes o verbo descriptar. Nunca eu o vi mais gordo, confesso. Já tenho lido, mas não me soa bem nem me parece português, decriptar, que o Aulete regista. Para dizer tudo: sempre empreguei apenas, nesta acepção, o verbo desencriptar, que alguns dicionários acolhem. Estranhamente (ainda nem me recompus da surpresa), o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista nenhum! Entretanto, procuramos e vemos que no Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora está descriptar. Não pode ser. E atenção: o sentido não está relacionado somente com a informática.

 

[Texto 8341]

Helder Guégués às 11:53 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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15
Nov 17

Léxico: «mar chão»

Para evitar isto e pior

 

      «– Está mar-chão. A Lua deitou-se na água. Nem se mexe! Está aqui está a dormir. Chiu...» (O Guarda da Praia, Maria Teresa Maia Gonzalez. Lisboa: Babel, 16.ª ed., 2013, p. 38).

      Uns momentos antes, o revisor adormeceu. É mar chão (flat sea, para a legião de anglófonos que nos segue), que não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 8340]

Helder Guégués às 00:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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