16
Nov 17

Léxico: «angiógrafo»

Pobres, afinal

 

      «O Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho inaugurou ontem um aparelho de Tomografia Axial Computorizada (TAC) de 3ª geração, o primeiro a ser instalado num hospital público da Península Ibérica, e um angiógrafo – os dois novos equipamentos foram instalados no Serviço de Cardiologia» («Centro Hospitalar com novo TAC», Destak, 16.11.2017, p. 3).

      Um angiógrafo é um aparelho caro, pode custar várias centenas de milhares de euros, e por isso não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 8349]

Helder Guégués às 22:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Abade comendatário»

Interessa pois

 

      «O Farol-Capela de São Miguel-o-Anjo foi construído por volta de 1528, por iniciativa e a expensas de Miguel da Silva, embaixador do rei junto do Papa, bispo de Viseu e abade comendatário do Mosteiro de Santo Tirso. Trata-se de uma peça de arquitetura marítima de valor singular no panorama patrimonial, tendo sido o primeiro farol construído de raiz em território nacional. Classificado no ano de 1951 como Imóvel de Interesse Público, o farol encontra-se fechado e em muito mau estado de conservação devido à salinidade do ar; ao desgaste natural de quase 500 anos de vida; às mutilações provocadas pelo encosto dos outros edifícios; e por usos espúrios, argumenta a DRCN» («Restauro de farol histórico avança», Destak, 16.11.2017, p. 2).

      Lá está o cognome naquela outra grafia possível, com hífenes, São Miguel-o-Anjo. Quero, todavia, deter-me noutra questão: a definição de abade comendatário. Ao consultarmos o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, não ficamos totalmente esclarecidos. Já com a leitura da entrada «abade» na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, ficamos esclarecidíssimos. Imite-se o que está bem, e seremos perdoados e até louvados.

 

[Texto 8348]

Helder Guégués às 22:00 | comentar | favorito
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Léxico: «hum-hum»

As interjeições, as interjeições...

 

      «– Hum-hum! – Depois, deu uma gargalhada espantosamente bonita e exclamou: – Apanhaste um cagaço, hein?!» (O Guarda da Praia, Maria Teresa Maia Gonzalez. Lisboa: Babel, 16.ª ed., 2013, p. 55).

      Sim, numa interacção verbal oral espontânea, é assim que falamos. Ou, pelo menos, alguns de nós. E nos dicionários? Nada de nada.

 

[Texto 8347]

Helder Guégués às 21:16 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Tradução: «aha»

As interjeições... Ai!

 

      Há oito anos, tratei da tradução da interjeição inglesa aha. Escrevi então: «“Ah, ha”? Como é que uma interjeição, aha (às vezes também grafada a-ha), se transforma, numa mitose fónico-gráfica, em duas interjeições, têm a bondade de me explicar? Só vislumbro uma solução: grafar à inglesa, pois que também pronunciamos à inglesa.» Reportava-me a esta tradução: «“Como é que se chama aquela mulher que vem na minha direcção? Ora bem, vamos lá a ver… Ah, ha! SUSIE!”» (Onde Deixei os Meus Óculos?, Martha Weinman Lear. Tradução de Jorge Beleza. Porto: Porto Editora/Ideias de Ler, 2008, p. 232). Reavaliando a questão, há outra solução: «– Ah-ha! Apanhei-te!» (O Guarda da Praia, Maria Teresa Maia Gonzalez. Lisboa: Babel, 16.ª ed., 2013, p. 91). O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não a regista; no Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora, contudo, descobrimo-la: «ah-ah». Pois é, mas não é assim que a pronunciamos. Como vamos resolver isto?

 

[Texto 8346]

Helder Guégués às 20:35 | comentar | favorito
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Léxico: «au»

Ai as interjeições

 

      Uma lesão na disciplina de Educação Física. Uma canadiana. Muitos ais e aus, sobretudo estes, aus, que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista (!), estranhamente. Vamos lá resolver o caso. «– Au! Estás a apertar-me com isso, Dunas! – refilei, afastando o braço» (O Guarda da Praia, Maria Teresa Maia Gonzalez. Lisboa: Babel, 16.ª ed., 2013, p. 75).

 

[Texto 8345]

Helder Guégués às 20:17 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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16
Nov 17

Como se fala na televisão

Ainda sem nota de imprensa

 

      Grande operação policial no Bairro da Cruz Vermelha, na Alta de Lisboa: 300 inspectores da PJ no local! Terão ido de metro? Como os outros de ontem, agora já constituídos arguidos, também estes se enganaram no prédio, e arrombaram várias portas erradas. O que se diz nestes casos? Talvez ups, não? A SIC Notícias está lá e a repórter Ana Moreira acaba de dizer que «várias casas foram buscadas»...

 

[Texto 8344]

Helder Guégués às 10:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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