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Nov 17

Léxico: «miópico»

Essa é que é essa

 

      «O país tem ainda um longo percurso a percorrer, incompatível com visões miópicas que se focam no amanhã próximo», disse o ministro das Finanças, e eu, míope, não conhecia o adjectivo. Não estou só, contudo: também o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o desconhece.

 

[Texto 8352]

Helder Guégués às 11:59 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «cerebrocardiovascular»

Um pouco mais de sol

 

      «No mesmo ano, o tabaco foi responsável por 46,4% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crónica, 19,5% das mortes por cancro, 12% das mortes por infeções respiratórias do trato inferior, por 5,7% das mortes por doenças cerebrocardiovasculares e 2,4% das mortes por diabetes, lê-se no documento» («Tabaco matou uma pessoa a cada 50 minutos em Portugal», Rádio Renascença, 17.11.2017, 6h38).

      Um morto a cada 50 minutos — mas os que ainda estão vivos não aprendem nada. Não sei como é que o partido do deputado Leitão Amaro não proibiu também estas mortes... Doenças cerebrocardiovasculares é coisa que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não nos deixa ter. Ora vejamos: acolhe cerebrovascular e cardiovascular, mas não cerebrocardiovascular. Um pouco mais de sol — e fora brasa. É verdade, não me escapou o pormenor, que por vezes se usa outra grafia, cérebro-cardiovascular, mas também esta o dicionário não acolhe. Sendo assim....

 

[Texto 8351]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | favorito
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17
Nov 17

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Alguma coisa nova (e má)

 

      «No misterioso Black Rabbit Rose, de Hollywood, pode visitar o lounge, onde são servidos cocktails com algum espetáculo à mistura. O Bullet Catch é feito a partir de rum e café e servido com um floreio de fogo» («Experiencie o melhor do luxo em Los Angeles», João Moniz, Destak, 17.11.2017, p. 17).

      Sabe Deus o que João Moniz quis dizer com «floreio de fogo». Lá está o avariado «feito a partir de». Homem, é «feito com» e acabou-se. Floreio de fogo... De certeza que algum português já esteve naquele misterioso Black Rabbit Rose. Talvez Manuel S. Fonseca, editor da Guerra e Paz, quem sabe. Ah, mas esperem: não quererá o jornalista dizer que a bebida é flambeada? Pois, só que «flambeio» apenas existe como forma verbal, não podemos dizer «servido com um flambeio», que ele poderia ter confundido com «floreio». Leio aqui: «For a unique and decadent after-dinner drink, ask for the Bullet Catch, a dark and potent concoction of freshly brewed coffee, cigar smoke rum, coconut cream, cinnamon and a flaming shot of Green Chartreuse.»

 

[Texto 8350]

Helder Guégués às 10:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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