29
Nov 17

«Ficar a ver navios»

Mais uma hipótese

 

      Já conhecia algumas hipóteses sobre a origem da expressão ficar a ver navios. Mais uma: «Foi uma falsa partida. A 26 de Novembro de 1807, a família real portuguesa embarcou em Belém pronta para fugir para o Brasil. Mas a viagem foi curta, até Cascais. Sem vento, a fuga só se concretiza, [sic] uns dias depois, a 29 de Novembro. O episódio está retratado numa pintura atribuída a Nicolau Delerive que pode ser vista a partir desta quarta-feira no Museu Nacional dos Coches, em Lisboa.

      “Partida da Família Real para o Brasil – 1807”, que será inaugurada às 18h30, conta a história desta atribulada viagem que deixou os soldados franceses de Napoleão “a ver navios”.

      Quando as tropas lideradas por Junot chegaram a Portugal, às 9h00 de dia 30 de Novembro, já a frota de 14 navios tinha levantado ferro e navegava, primeiro em direcção a Cabo Verde, depois até ao Rio de Janeiro. O exército, com cerca de 26 mil homens, ficou, literalmente, a ver navios» («Sabe porque dizemos “ficar a ver navios”?», Maria João Costa, Rádio Renascença, 28.11.2017, 15h34).

 

[Texto 8417]

Helder Guégués às 20:19 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «quadrivalência»

Boa pergunta

 

      «A estirpe deste ano ainda não está identificada – daí que a vacina seja trivalente – mas deverá ser particularmente perigosa» («Vacinação é mais relevante este ano», João Moniz, Destak, 29.11.2017, p. 4).

      E também podia ser uma vacina quadrivalente. Aquela de que mais ouvimos falar, porém, é a vacina trivalente, e talvez fosse bom tê-la nos dicionários. Mais importante ainda: se regista bivalência, trivalência e pentavalência, porque não regista quadrivalência o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora? Mistérios.

 

[Texto 8416] 

Helder Guégués às 09:06 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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29
Nov 17

Léxico: «ieti»

Cães e ursos

 

      «Cientistas verificaram que amostras de ossos, dentes, pele, cabelo e fezes atribuídas a nove espécimes do chamado Abominável Homem das Neves, criatura mitológica gigante dos Himalaias semelhante a um macaco, eram de cão e ursos. [...] A análise genética revelou que um dos ‘Ietis’ correspondia, afinal, a um cão e os restantes oito a ursos-negros asiáticos, a ursos-pardos dos Himalaias e a ursos-pardos tibetanos» («Mistério do Abominável Homem das Neves pode ter sido resolvido», Rádio Renascença, 29.11.2017, 00h47). E no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, como está? Yeti: «criatura lendária, de formas humanas e coberta de pêlo, que supostamente vive na região dos Himalaias». Até os jornalistas sentem que tem de ser em português.

 

[Texto 8415]

Helder Guégués às 08:41 | comentar | ver comentários (1) | favorito