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Linguagista

Charcos que são charcas

Mais rigorosamente

 

      A minha amiga Cecília S., jurista, montanhista e quase escrevia «mapista», mas, para ser preciso, editora de mapas de pormenor, diz-me que na serra da Estrela — cujo relevo ela conhece tão bem como eu conheço o relevo do tapete da minha sala — há muitos charcos naturais (um deles, assinalado nos mapas, tem o curioso nome de Chancas). Contudo, são conhecidos por charcas. São os mistérios da língua.

      No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora ainda não está bem registado, pois de charca remete, sem mais, para charco, verbete em que encontramos, na terceira acepção, este sentido. Para tudo ficar claro, eu tiraria esta definição daqui e pô-la-ia no verbete charca.

 

[Texto 8420]

«Bangladechiano/bangladeshiano»

Anónimo que escreves

 

      «“Por exemplo, não somos grandes consumidores de queijo, temos apenas dois tipos de queijo no Bangladesh. Mas um deles foi trazido pelos portugueses e ainda hoje se consome.” Hoje, diz [Imtiaz Ahmed, o embaixador do Bangladesh em Lisboa], a situação é inversa, com uma comunidade crescente de bangladeshis a vir viver para Portugal» («Rozario, Costa e Gomes esperam Papa no Bangladesh», Rádio Renascença, 30.11.2017, 6h52).

      Quem escreveu o artigo é que não se sabe, na Renascença é assim, como nos blogues. Bem, tal como no caso do termo bangla, vê-se de imediato que o problema é tratar-se, em boa parte, de uma tradução, daí as opções menos pensadas. Ora, em português — regista-o, e muito bem, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora —, diz-se bangladechiano e bangladeshiano.

 

[Texto 8419]