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Dez 17
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Dez 17

Léxico: «ecobotânico»

E não é nova

 

    «Ao pé de uma velha alfarrobeira, com mais de dois séculos, Fernando Pessoa mostra o seu trabalho mais recente: o percurso ecobotânico Manuel Gomes Guerreiro, um jardim in situ para dar a conhecer a história do barrocal algarvio, contada através das plantas» («Fernando Pessoa, o arquitecto que plantou poesia na paisagem», Idálio Revez, Público, 31.12.2017, p. 12).

    Na verdade, conheço o vocábulo ecobotânico há muito tempo, demasiado tempo para não estar ainda dicionarizado.

 

[Texto 8533]

Helder Guégués às 18:30 | comentar | favorito | partilhar
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30
Dez 17

Léxico: «porta-cocheira»

Tantas dentro quantas fora

 

      Uma porta-cocheira pode já não fazer falta a ninguém, excepto aos escritores e aos tradutores. Talvez também aos arquitectos. Está no VOLP da Academia Brasileira de Letras, falta no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 8532]

Helder Guégués às 20:24 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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30
Dez 17

Os Cabritas, os Zorrinhos, os Césares...

Simples, mas muitos erram

 

       «É ultrajante para a democracia que na ceia de Natal da família Vieira da Silva não exista uma única lasca de bacalhau, um único copo de vinho, presente, ou fatia de bolo-rei que não tenha sido pago através dos nossos impostos. Mas este, infelizmente, não é caso único: o mesmo acontecerá na casa dos Cabritas, dos Zorrinhos e dos Césares. Mas quantos mais destes exemplos existirão?» («A grande família socialista», João Gomes de Almeida, i, 15.12.2017, p. 32).

      Isso mesmo: simples, mas muitos erram. Infelizmente, estão nas editoras, nos jornais, na rádio, a televisão. Que em 2018 seja melhor, é o nosso desejo.

 

[Texto 8531]

Helder Guégués às 19:05 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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29
Dez 17

Léxico: «varegue/varangiano»

Vamos levá-los lá para dentro

 

      Percebeu logo que era russo, descendente dos conquistadores varegues e, por conseguinte, da mais antiga nobreza. Pois é, mas o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não sabe o que é varegue, nem varangiano, variante. Há dicionários fora dos dicionários.

 

[Texto 8530]

Helder Guégués às 23:33 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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Léxico: «onicectomia»

Ficamos no escuro

 

      «A minha mãe propôs não deixarmos a Sybil ir para a rua, nem fazermos uma onicectomia quando ela for mais velha» (O Diário de Aurora. Prestes a Explodir!, India Desjardins. Tradução de Rita Barroso. Alfragide: Oficina do Livro, 2012, p. 14).

      Por enquanto, a Sybil está livre dessa tortura, a onicectomia, que é a ressecção parcial ou total da unha. Ah, mas estou a ver que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não sabe do que se trata... (Tal como também não sabe o que é caudectomia, aconchectomia, onicectomia e cordectomia... Chega.) No Dicionário de Termos Médicos, porém, encontramos oniquectomia. Neste caso, não chega, tem de estar — em alguma das variantes — no dicionário geral.

 

[Texto 8529]

Helder Guégués às 23:13 | comentar | favorito | partilhar
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29
Dez 17

O Genríssimo

Um estranho superlativo

 

      Morreu esta madrugada, em Espanha, Carmen Franco, a filha única de Francisco Franco. Enviuvara em 1998 de Cristóbal Martínez-Bordiú, marquês de Villaverde, conhecido popularmente como o Yernísimo. Como o sogro era o Generalíssimo, depressa lhe puseram a alcunha de o Genríssimo. E, graças à boa vida que levava, passou também a ser conhecido como marquês de Vayavida, e, por ser importador exclusivo da Vespa, como marquês de Villavespa. Uma das filhas, Carmen Martínez-Bordiú, ex-mulher do falecido Alfonso de Borbón y Dampierre, pretendente legitimista ao trono de França, é a «nietísima». E entre nós? O poeta Murilo Mendes, casado com Maria da Saudade Cortesão, também era, para o historiador, o genríssimo.

 

[Texto 8528]

Helder Guégués às 14:18 | comentar | favorito | partilhar
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28
Dez 17

Ortografia: «extracto/estrato»

Nem no século XXV

 

     «Os bares [dos hospitais] vão igualmente deixar de poder vender águas aromatizadas, bebidas energéticas e bebidas com cola ou estrato de chá, guloseimas tipo rebuçados, caramelos, pastilhas com açúcar, gomas, snacks doces ou salgados, designadamente tiras de milho, batatas fritas e pipocas (doces ou salgadas)» («Bares dos hospitais proibidos de vender doces e salgados», Rádio Renascença, 28.12.2017, 7h32).

   Acho muito bem. O que acho muito mal é os jornalistas continuarem a confundir extracto (ou extrato, vá, e deixem que me persigne) com estrato. La.men.tá.vel.

 

[Texto 8527] 

Helder Guégués às 21:41 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Dez 17

Léxico: «tapiocaria»

Outra moda

 

      «Rita Pereira prepara-se para abrir mais uma tapiocaria, agora no Norte do País. A atriz não esconde a felicidade pelo sucesso como empresária» («Loja», Correio da Manhã, 27.12.2017, p. 45).

      Eu nem sequer sabia que existia, e já vai na sexta loja. Tapiocaria Beiju... Nem sequer os dicionários brasileiros, pelo que vi, registam tapiocaria.beiju, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é o «bolo feito de mandioca ou de tapioca», este sim, brasileirismo, e, sendo assim, prefiro consultar o Aulete, para o qual são quatro coisas distintas: «bolo feito com massa fina de mandioca ou tapioca assada; biju; iguaria assada, feita de fubá, manteiga e açúcar; espécie de biscoito muito fino, enrolado em forma de canudo; farinha de milho torrada em flocos, que se come com leite, iogurte etc.». A variante, como viram, é biju, que o dicionário da Porto Editora não regista com esta acepção. Para nós, biju (do francês) é um pãozinho arredondado, uma espécie de carcaça, feito de farinha de trigo.

 

[Texto 8526]

Helder Guégués às 21:31 | comentar | favorito | partilhar
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