05
Dez 17

Léxico: «tipuana»

Descubra o erro

 

      Vêem-se cada vez mais tipuanas na cidade, e ainda bem porque são árvores belísimas, resistentes, que dão boa sombra. É mesmo a minha árvore preferida, e não é autóctone. Parece que a Câmara Municipal de Lisboa anda a acertar mais. E no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora? Bem sei que não se trata de um guia botânico, mas a definição é pobrezinha, e começa com um erro. Descubram-no: TipuanaTipu. «Brasil BOTÂNICA nome extensivo a umas árvores da América do Sul, da família das Leguminosas, que fornecem boa madeira, algumas delas cultivadas para fins ornamentais».

 

[Texto 8440]

Helder Guégués às 23:46 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Animais fora dos dicionários

Boa iniciativa

 

      «A Wilder, um projecto jornalístico criado em 2015 por Helena Geraldes, ex-jornalista do PÚBLICO, pretende desde a sua génese entusiasmar os cidadãos pelo mundo natural através de conteúdos de fácil compreensão, sempre apresentados de uma perspectiva científica. [...] Até à data, foram identificadas no site variadas espécies, nomeadamente uma rolinha-diamante (Geopelia cuneata), espécie exótica nativa da Austrália, criada em cativeiro em Portugal, ou mesmo um dos maiores grilos do país, o grilo-de-sela-de-perna-longa (Steropleurus pseudolus)» («Não sabe que ave, insecto ou planta acabou de ver? A Wilder responde», Maria Wilton, Público, 5.12.2017, p. 15).

      Magnífica iniciativa (mas o nome...). Hei-de mandar para lá umas quantas perguntas. Entretanto pergunto a mim mesmo porque não estão rolinha-diamante e grilo-de-sela-de-perna-longa nos dicionários.

 

[Texto 8439]

Helder Guégués às 23:43 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «dehoniano»

SCI

 

      Hoje, a minha filha perguntou-me o que era um padre dehoniano. «Vai ver no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.»

 

[Texto 8438]

Helder Guégués às 22:33 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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E que dizem de «impecilho»?

Quase inânias

 

      «Fronteira ainda é um impecilho sem solução» (Destak, 5.12.2017, p. 6). Grande calinada... ou não? Hoje em dia, todos dizem que sim, mas, na Revista Lusitana, Leite de Vasconcelos afirmou que «impecilho é melhor grafia». Não foi, porém, a que vingou.

 

[Texto 8437]

Helder Guégués às 15:43 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se traduz por aí

Com ovelhas, mas bípedes

 

      «Um dos maiores diamantes do mundo foi vendido esta segunda-feira, por cerca de 5,5 milhões de euros. A maior parte das receitas vai beneficiar a população da Serra Leoa. O “Diamante da Paz” tem o formato de um ovo, 709 quilates e foi encontrado por um pastor católico» («“Diamante da Paz” vendido para melhorar a vida das pessoas da Serra Leoa», Rádio Renascença, 4.12.2017, 23h49).

      A sorte deste pastor católico serra-leonês, realmente... Um belo dia, quando vai com o seu magro rebanho de ovelhas para o árido agro, dá uma valente biqueirada numa pedra e só depois, assestando melhor os lúzios, vê que encontrou um dos maiores diamantes do mundo. Vou tornar-me pastor, e é já! Mas esperem, esperem, diz-me aqui o Inquirer.net que quem descobriu o Diamante da Paz foi o «evangelical Pastor Momoh». Estou a ver: o pontapé não foi do pastor.

 

[Texto 8436] 

Helder Guégués às 10:59 | comentar | favorito
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05
Dez 17

Tradução: «task shifting»

Não se esperava outra coisa

 

      «O oftalmologista português João de Deus integra uma lista das 100 personalidades “mais influentes da saúde a nível mundial” e foi o único português a receber um prémio de personalidade da saúde mais influente internacionalmente. [...] Além da área da liderança, João de Deus destacou-se pelo trabalho desenvolvido quanto à transferência de tarefas médicas para outros profissionais de saúde (‘task shifting’), tendo desenvolvido vários estudos sobre esta temática. O médico considera que esta transferência de competência, iniciada como experiência nalguns países, “comporta riscos” e pode levar à “diminuição da qualidade dos cuidados prestados aos doentes”» («Médico português é um dos mais influentes do mundo», Rádio Renascença, 5.12.2017, 7h31).

      Para ser importante, tinha mesmo de envolver qualquer coisa em inglês, não é? Pelo que se vê, nem sequer era necessário recorrer à expressão inglesa, porque é disso mesmo que se trata, de uma transferência de tarefas médicas para outros profissionais de saúde. É o que diz a definição da Organização Mundial da Saúde: «Task shifting involves the rational redistribution of tasks among health workforce teams. Specific tasks are moved, where appropriate, from highly qualified health workers to health workers with shorter training and fewer qualifications in order to make more eficient use of the available human resources for health.»

 

[Texto 8435]

Helder Guégués às 10:46 | comentar | favorito
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