10
Dez 17

Léxico: «quebra-gelo»

Ora, não me parece

 

      «Com tal abundância de hipóteses, porque não um quebra-gelo?» («Não é nenhum barco do amor mas quebra-gelo desde 1961», Marco C. Pereira, «B. I.»/Sol, 9.12.2017, p. 30).

      Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, quebra-gelo é o «navio munido de um dispositivo para quebrar o gelo, facilitando a navegação nas regiões frias». Não sou engenheiro naval, mas não me parece que esteja correcta esta definição. A característica mais distintiva é a forma da proa, ao que creio. Aquele de que fala Marco C. Pereira e foi fotografado por Sara Wong parece-me igual a qualquer outro navio — mas o casco foi reforçado e foi carregado com 100 toneladas de água para conseguir levar a cabo o seu trabalho de quebrar o gelo do golfo da Bótnia.

 

[Texto 8461]

Helder Guégués às 16:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «suómi»

Faz-me espécie

 

      «Em termos cénicos, Kemi não corta a respiração a ninguém. Também não é uma cidade finlandesa qualquer. Fica no píncaro do Golfo de Bótnia, junto ao único lugar onde a Suécia e a nação suómi se encontram à beira-mar, umas meras centenas de quilómetros a sul do Círculo Polar Ártico» («Não é nenhum barco do amor mas quebra-gelo desde 1961», Marco C. Pereira, «B. I.»/Sol, 9.12.2017, p. 28).

      Isto de nomes de povos e línguas não estarem nos dicionários faz-me muita impressão. Ah, mas vejo que está — com a grafia suômi — no VOLP da Academia Brasileira de Letras. Querem ver que o Brasil tem mais relações com a Finlândia do que Portugal...

 

[Texto 8460]

Helder Guégués às 15:57 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas: ,

«Pôr os pés»

Meter, pôr, colocar...

 

      «Logo, a esmagadora maioria dos suicídios não constituem notícia, aprende-se quando se chega à faculdade ou quando se mete os pés numa redação» («O suicídio, o jornalismo e as redes sociais», Mariana Madrinha, «B. I.»/Sol, 9.12.2017, p. 2).

      Só se isto mudou: então não se diz pôr os pés [algures]? Existe, isso sim, a expressão meter os pés ao caminho, em que se observa o uso atípico do verbo «meter». Já na expressão idiomática meter os pés pelas mãos, ou seja, atrapalhar-se, o sentido do verbo (não da expressão) é literal.

 

[Texto 8459]

Helder Guégués às 15:53 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «cone funerário»

Não neste caso

 

      «Os arqueólogos levantam a hipótese de o proprietário do túmulo ser um escriva chamado Maati, cujo nome surge junto ao da sua mulher, Mehi, em 50 cones funerários. Outra possibilidade é a de que pertença a uma pessoa chamada Djehuty Mes, cujo nome aparece esculpido numa das paredes, sobre quem se desconhece, porém, outros detalhes» («Descobertos dois túmulos milenares na cidade egípcia de Luxor», Rádio Renascença, 10.12.2017, 10h19).

      «Escriva»? Temos variantes assim, é verdade, mas não é o caso. É apenas escriba. Mas estamos aqui por causa de cone funerário, que podia estar nos dicionários.

 

[Texto 8458]

Helder Guégués às 14:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «podcast»

Seria mais informativo

 

      «A novidade começou por ser conhecida como “audioblogging”, só assumindo o nome podcast em 2004, num artigo do The Guardian. O termo é uma contracção dos termos broadcast e iPod, um aparelho da Apple que tinha revolucionado o áudio portátil. Aliás, a Apple é uma das maiores responsáveis pela popularização do formato, graças à criação de um segmento no software iTunes e de um directório na loja de conteúdos» («Os podcasts chegaram à idade maior», Diogo Queiroz de Andrade, Público, 5.12.2017, p. 28).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista apenas que vem «do inglês podcast, “idem”».

 

[Texto 8457]

Helder Guégués às 14:42 | comentar | favorito
10
Dez 17

Léxico: «molhanga»

É mais do que isso

 

      Certo cronista pergunta hoje no Público qual foi a última vez que comeu carne de porco assada. Felizmente dá a resposta, porque nós nunca saberíamos. Foi em 1977. No meu caso, foi precisamente ontem: na Pop Sandwich, na Frederico Arouca, aqui em Cascais. As sandes de carne assada nunca estão secas, e, no entanto, não têm molhanga nem manteiga. Estamos aqui por causa da molhanga: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora remete para molhança, da qual diz que é a «grande quantidade de molho». Não é apenas a grande quantidade de molho, molhanga também é o molho muito espesso ou muito condimentado, e até o molho pouco apurado.

 

[Texto 8456]

Helder Guégués às 08:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,