06
Dez 17

Sobre «beau-père»

O contexto dirá

 

      Lá partiu para o Além Jean-Philippe Smet para continuar no bem-bom e a fugir aos impostos. Ah, sim, assim de repente não sabem de quem se trata. É o nome real de Johnny Hallyday. Hoje, na Cadena Cope, estavam três ou quatro tagarelas a discutir porque adoptara o cantor aquele nome artístico. Como se não existisse a Internet. Assentaram que seria porque o inglês estava então em voga (e agora?), o que é verdade, decerto, mas não é a explicação. Boa parte da população belga tem os apelidos Smet, de Smet e Smets (o equivalente, em inglês, a Smith, ou aos alemães Schmidt, Schmitt e Schmit). Talvez, sei lá, uma espécie de Silva entre nós. Imaginem Marco Paulo com o nome João Simão da Silva. Com os pais separados logo no início da sua infância, o menino Jean-Philippezinho foi recolhido por uma tia paterna cuja filha tinha um companheiro, dançarino acrobático americano, amigo e modelo de Jean-Philippe Smet, que pisava os palcos com o nome artístico Hallyday. E por fuga aos impostos: aqui há uns anos, foi notícia: «Le beau-père de Johnny Hallyday condamné à 6 mois». É curioso que beau-père signifique sogro e padrasto. Tem duplo sentido. (E, então com 64 anos, Johnny Hallyday podia ter sogro e/ou padrasto.) Como beau-père é um pai por casamento, tanto se aplica ao sogro como ao padrasto. (E, mutatis mutandis, pode dizer-se o mesmo de belle-mère.)

 

[Texto 8442]

Helder Guégués às 17:39 | comentar | favorito
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06
Dez 17

Léxico: «ferodo»

Fero, ferido, ferodo

 

      O que o Sr. Paulo M. («gestor de cliente») me disse é que convinha pôr selante nas jantes para evitar que o ferodo adira mais e danifique a liga leve. Hum... Valha-nos o dicionário da Real Academia Galega: «Material feito con fibras de amianto e fíos metálicos que se emprega fundamentalmente, para forrar as zapatas dos freos.» O Sr. Herbert Frood (1864-1931) não ia gostar nada deste silêncio do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 8441]

Helder Guégués às 11:49 | comentar | favorito
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05
Dez 17

Léxico: «tipuana»

Descubra o erro

 

      Vêem-se cada vez mais tipuanas na cidade, e ainda bem porque são árvores belísimas, resistentes, que dão boa sombra. É mesmo a minha árvore preferida, e não é autóctone. Parece que a Câmara Municipal de Lisboa anda a acertar mais. E no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora? Bem sei que não se trata de um guia botânico, mas a definição é pobrezinha, e começa com um erro. Descubram-no: TipuanaTipu. «Brasil BOTÂNICA nome extensivo a umas árvores da América do Sul, da família das Leguminosas, que fornecem boa madeira, algumas delas cultivadas para fins ornamentais».

 

[Texto 8440]

Helder Guégués às 23:46 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Animais fora dos dicionários

Boa iniciativa

 

      «A Wilder, um projecto jornalístico criado em 2015 por Helena Geraldes, ex-jornalista do PÚBLICO, pretende desde a sua génese entusiasmar os cidadãos pelo mundo natural através de conteúdos de fácil compreensão, sempre apresentados de uma perspectiva científica. [...] Até à data, foram identificadas no site variadas espécies, nomeadamente uma rolinha-diamante (Geopelia cuneata), espécie exótica nativa da Austrália, criada em cativeiro em Portugal, ou mesmo um dos maiores grilos do país, o grilo-de-sela-de-perna-longa (Steropleurus pseudolus)» («Não sabe que ave, insecto ou planta acabou de ver? A Wilder responde», Maria Wilton, Público, 5.12.2017, p. 15).

      Magnífica iniciativa (mas o nome...). Hei-de mandar para lá umas quantas perguntas. Entretanto pergunto a mim mesmo porque não estão rolinha-diamante e grilo-de-sela-de-perna-longa nos dicionários.

 

[Texto 8439]

Helder Guégués às 23:43 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «dehoniano»

SCI

 

      Hoje, a minha filha perguntou-me o que era um padre dehoniano. «Vai ver no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.»

 

[Texto 8438]

Helder Guégués às 22:33 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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E que dizem de «impecilho»?

Quase inânias

 

      «Fronteira ainda é um impecilho sem solução» (Destak, 5.12.2017, p. 6). Grande calinada... ou não? Hoje em dia, todos dizem que sim, mas, na Revista Lusitana, Leite de Vasconcelos afirmou que «impecilho é melhor grafia». Não foi, porém, a que vingou.

 

[Texto 8437]

Helder Guégués às 15:43 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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05
Dez 17

Como se traduz por aí

Com ovelhas, mas bípedes

 

      «Um dos maiores diamantes do mundo foi vendido esta segunda-feira, por cerca de 5,5 milhões de euros. A maior parte das receitas vai beneficiar a população da Serra Leoa. O “Diamante da Paz” tem o formato de um ovo, 709 quilates e foi encontrado por um pastor católico» («“Diamante da Paz” vendido para melhorar a vida das pessoas da Serra Leoa», Rádio Renascença, 4.12.2017, 23h49).

      A sorte deste pastor católico serra-leonês, realmente... Um belo dia, quando vai com o seu magro rebanho de ovelhas para o árido agro, dá uma valente biqueirada numa pedra e só depois, assestando melhor os lúzios, vê que encontrou um dos maiores diamantes do mundo. Vou tornar-me pastor, e é já! Mas esperem, esperem, diz-me aqui o Inquirer.net que quem descobriu o Diamante da Paz foi o «evangelical Pastor Momoh». Estou a ver: o pontapé não foi do pastor.

 

[Texto 8436] 

Helder Guégués às 10:59 | comentar | favorito
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