02
Dez 17

Léxico: «Antropoceno/Antropocénico»

Pensemos

 

      «A expressão “Antropoceno” é atribuída ao químico e prémio Nobel Paul Crutzen, que a propôs durante uma conferência em 2000, ao mesmo tempo que anunciou o fim do Holoceno — a época geológica em que os seres humanos se encontram há cerca de 12 mil anos, segundo a União Internacional das Ciências Geológicas (UICG), a entidade que define as unidades de tempo geológicas» («E se formos os últimos seres vivos a alterar a Terra? Antropoceno», Raquel Dias da Silva, Público, 2.12.2017, p. 28).

      Peguemos primeiro em Holoceno, se não se importam. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, de Holoceno remete-se para Holocénico, e há quem afirme que esta forma é mais correcta. Em Plistocénico, porém, já remete para Plistoceno, por onde se prova que estas remissões não obedecem a nenhuma lógica. Estamos, agora, em condições de tratar do termo Antropoceno, o que se resolve com uma pergunta. Porque não regista aquele dicionário a variante Antropocénico?

 

[Texto 8425] 

Helder Guégués às 21:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito
02
Dez 17

Tradução: «escapologist»

Como Houdini

 

      «Foi Eduardo Marçal Grilo, ex-ministro da Educação e actual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, que esta semana fez uma comparação digna de registo. Numa entrevista à revista Visão, Marçal Grilo disse que o primeiro-ministro, António Costa, “parece o Grande Houdini” (um dos mais famosos escapologistas e ilusionistas da história, como explica a Wikipédia)» («A comparação. Houdini», Público, 2.12.2017, p. 11).

      Escapologista se acrescentarmos um a ao inglês escapologist. Então, dessa forma, não nos faltaria nenhuma. Não é propriamente esse o caminho recomendado. Pois, mas como se diz em português? Aceitam-se sugestões. E vejo que a podemos encontrar no Dicionário de Alemão-Português da Porto Editora. No verbete Entfesselungskünstler, Entfesselungskünstlerin, lá está: «ilusionista, escapologista».

 

[Texto 8424]

Helder Guégués às 20:24 | comentar | ver comentários (5) | favorito
01
Dez 17
01
Dez 17

«Pela mão de/à mão»

Como são semelhantes...

 

      «José Pedro era comendador à mão de Jorge Sampaio», disse ontem Ana Lourenço no programa 360º, na RTP3. Confusão com expressões semelhantes: a jornalista queria dizer pela mão de, ou seja, por intervenção de; por iniciativa de. Já à mão significa ao alcance, ao dispor. Nem sequer a expressão correcta seria a minha escolha, como também não foi a de Mário Lopes no Público de hoje, que escreveu que os elementos dos Xutos & Pontapés foram tornados comendadores, «cortesia do então Presidente da República Jorge Sampaio, em 2004».

 

[Texto 8423]

Helder Guégués às 17:49 | comentar | favorito
Etiquetas: ,