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Dez 17
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Dez 17

Léxico: «roupão»

Entretanto, lá longe

 

      «“Roupões” são contentores de depósito roupa e calçado sem préstimo. A iniciativa da câmara da Maia cumpre objetivos ambientais e sociais: reciclar e angariar verbas para instituições de solidariedade» («“Roupões” da Maia já recolheram 7 mil euros para instituições do concelho», TSF, 27.12.2017, 8h35).

      Depois do electrão, do embalão, do livrão, do oleão, do papelão, do pilhão, do vidrão, o roupão. Entretanto, vi ontem no programa Eixo Norte Sul, na RTP1, que a Câmara Municipal de Moura, farta de ver arder contentores por causa de cinzas ainda com brasas, decidiu construir recipientes próprios que está a distribuir pela cidade. Podíamos pensar que o nome escolhido fosse «cinzão», mas não, foi cinzeiro. E muito bem, diga-se, até porque não é necessário nenhum alargamento de sentido, cinzeiro também é o lugar onde cai ou se junta cinza.

 

[Texto 8517]

Helder Guégués às 10:55 | comentar | favorito
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26
Dez 17

Inventar nomes para os filhos

Ora esta

 

      O prestimoso Correio da Manhã já veio revelar o nome das gémeas de Luciana Abreu, nascidas no passado sábado: Lamour e Lavie. O cidadão comum tem por vezes dificuldade em dar nomes comuns aos filhos. Eu próprio passei pela experiência na conservatória da Fontes Pereira de Melo. Em relação ao nome das filhas que teve com Djaló, Lyannii Viiktórya e Lyonce Viiktórya, a justificação absurda que li foi a de que, como o pai era estrangeiro, as filhas podiam ter estes nomes. Nomes inventados pelos pais? Agora ambos os pais são portugueses (esperemos que ser guia turístico não sirva desta vez de justificação). Dantes, cheguei a dar conta disso aqui, havia, ao que me lembro, duas listas de nomes próprios: uma de nomes admitidos e outra de nomes não admitidos. (Claro que basta uma: a primeira.) Desconheço a periodicidade com que era actualizada, mas imagino que fosse quando o rei fazia anos. Agora, há uma só lista, actualizada, ao que li, de três em três meses. Só para terem uma ideia, o primeiro nome feminino que nela consta é Aabirah e o primeiro nome masculino é Aabaj. Como os nomes estão todos misturados, desde Txissolas a Vanessas, o cidadão fica com a ideia de que pode atribuir qualquer destes nomes aos filhos. Não é assim. Surpresa: na lista não constam Lamour nem Lavie. Em suma, para o Estado, uns são filhos e outros enteados. C’est la vie (não Lavie). Há momentos, e este é um deles, em que me envergonho de ser português.

 

[Texto 8516]

Helder Guégués às 20:11 | comentar | ver comentários (2) | favorito

Os irmãos Sobrais

Muito bem

 

      No programa Agora Nós, José Pedro Vasconcelos, quando começava a entrevista aos realizadores do documentário «Sem fazer planos do que virá depois», Nuno Galopim e Miguel Pimenta, falou nos «irmãos Sobrais». Só já espanta o acerto.

 

[Texto 8515]

Helder Guégués às 19:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Ortografia: «automobilizado»

Belo presente

 

      «Numa altura em que a operação “Natal Tranquilo” da GNR já registou mais mortos do que no ano passado, a Associação de Cidadãos Automobilizados responsabiliza o Governo pelo aumento destes números da sinistralidade» («“Estado falhou” na segurança rodoviária, diz Associação de Cidadãos Automobilizados», Rádio Renascença, 26.12.2017, 11h08).

      Aludi ao Dia do Pensamento e isto começou logo a funcionar. É a primeira vez que vejo o nome daquela associação escrito desta forma. Recorde-se que se chama a si mesma Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, com a inconcebível sigla ACA-M, mais adequada a uma Associação de Comércio Automóvel da Madeira. Nem por ter um escritor na direcção... Auto- não é aqui o elemento de formação que exprime a ideia de automóvel? Então, apenas é seguido de hífen quando o elemento seguinte começa por vogal ou por h, r ou s. E no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o sentido do vocábulo automobilizado não devia ser alargado? Porque é automobilizado apenas o que conduz um automóvel? E os passageiros são o quê, *heteroautomobilizados? Com os automóveis autónomos cada vez mais próximos (o meu, com quase três anos, estaciona autonomamente), será sempre uma definição para rever.

 

[Texto 8514]

 

      P. S.: Agora é rezar para que a Renascença não venha, como a minha filha costuma dizer, *errogir isto.

Helder Guégués às 13:20 | comentar | favorito
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Léxico: «guia/guidismo»

Presente de Natal

 

      Baden-Powell, guias e escuteiros, Dia do Pensamento... Tudo muito bem, mas no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora no verbete guia não se encontra a acepção referente ao escutismo, e, como era previsível, também não encontramos guidismo. Conseguimos resolver esta falha até ao Ano Novo? Obrigado.

 

[Texto 8513]

Helder Guégués às 12:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «marchador»

Com que então cavalo...

 

      Há minutos, António Jorge, na Antena 1, falava da marchadora Inês Henriques, a recordista do mundo. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, marchador é apenas o «cavalo que marcha bem» e um «aparelho de chapelaria».

 

[Texto 8512]

Helder Guégués às 11:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «segundo-comandante»

Pois, mas também existe

 

      «Este é já o terceiro grupo de cabo-verdianos nos BVB. Todos estudantes do IPB. Os primeiros chegaram em 2013 e “causaram alguma estranheza”, confessa o segundo-comandante, Carlos Martins» («Aqui os estrangeiros só lamentam uma coisa: “Isso mesmo, o frio”», Samuel Silva, Público, 26.12.2017, p. 10).

      O que vemos é que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista «segundo-cabo», «segundo-furriel», «segundo-grumete», «segundo-marinheiro», «segundo-sargento», «segundo-subsargento» e «segundo-tenente», mas não segundo-comandante, que, contudo, vamos encontrar no Vocabulário Ortográfico Português do ILTEC.

 

[Texto 8511]

Helder Guégués às 11:42 | comentar | favorito
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26
Dez 17

«Passa-palavra/passa-a-palavra»

Não invente

 

      «Depois, o passar-palavra fez o resto» («Aqui os estrangeiros só lamentam uma coisa: “Isso mesmo, o frio”», Samuel Silva, Público, 26.12.2017, p. 10).

      Samuel Silva, garanto-lhe que não precisa de inventar nada: os vocábulos passa-palavra e passa-a-palavra já existem e estão dicionarizados. Agora, basta vencer a preguiça e consultar o dicionário sempre que se mostrar necessário.

 

[Texto 8510]

Helder Guégués às 11:40 | comentar | favorito
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