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Linguagista

Quod non est in actis...

É uma questão científica...

 

      «“Não é arguido, ponto final. O que não está no processo não esta [sic] no Mundo. Quando for constituído arguido não há drama nenhum”, referiu [o advogado] João Correia esta tarde aos jornalistas» («Advogado reitera: Luís Filipe Vieira “não é arguido, ponto final”», Carolina Rico, TSF, 31.01.2018, 19h47).

      O que não está no processo, não está no mundo. Isto parece e é profundo, mas não é da lavra do advogado. É um axioma jurídico, um brocardo latino: Quod non est in actis, non est in hoc mundo. O mundo verdadeiro está na lei.

 

[Texto 8655]

«Afim/a fim de»

Voltemos ao básico

 

       «O Santuário de Fátima assina, esta quinta-feira, um protocolo de cooperação com várias instituições académicas que visa “estabelecer um circuito de comunicação científica, afim de se estudar o fenómeno de Fátima na sua globalidade”, explica à Renascença o director do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário, Marco Daniel Duarte» («“Já se ganhou maturidade para olhar Fátima como objecto de estudo”», Ângela Roque, Rádio Renascença, 31.01.2018, 11h03).

      Como é que ainda se dá um erro destes? Ângela Roque, quando significa «com o objectivo de; para; para que; com o fim de; com a intenção de», escreve-se a fim de, uma locução prepositiva; se estamos a falar de alguma coisa ou alguém que tem afinidade, de um parente por afinidade, é afim que se escreve. Ou seja, só como substantivo ou como adjectivo é que nos aparece um único vocábulo. Difícil?

 

[Texto 8654]

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