12
Jan 18

Léxico: «entulheira»

Não é possível

 

      «A situação está a acontecer nas entulheiras das minas, onde estão depositadas muitas toneladas de resíduos, e foi activada pelo incêndio de 15 de Outubro, através das raízes das árvores que foram consumidas pelas chamas» («Carvão das minas em Pejão continua a arder após fogo de Outubro», Rádio Renascença, 12.01.2018, 11h09).

     O quê, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não tem o vocábulo entulheira?! Digam que estão a brincar. Esperem... está no VOLP da Academia Brasileira de Letras! Há dicionários fora dos dicionários.

 

[Texto 8573]

Helder Guégués às 19:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Tradução: «shithole»

E os bilingues?

 

      «“A linguagem que utilizei na reunião foram duras [sic], mas não foram essas as palavras que disse.” Foi pelo Twitter que Donald Trump rejeitou as notícias divulgadas por vários órgãos de comunicação social, entre os quais o “The Washington Post” e o “Los Angeles Times”, segundo os quais, [sic] o Presidente dos Estados Unidos terá reagido com um calão [sic] (“shithole countries”, países de merda, em tradução livre) à proposta de dois senadores sobre vistos concedidos a alguns cidadãos de países – entre os quais Haiti, El Salvador, Nicarágua e Sudão» («“Shithole countries”? “Não usei essas palavras”, diz Trump», Rádio Renascença, 12.01.2018, 14h37).

    Como é que se pode esperar que shithole vá para o Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora se nem sequer o corriqueiro commute, como aqui disse, acolhe? Tem toda a importância, pois só com bons instrumentos se fazem boas obras.

 

[Texto 8572]

Helder Guégués às 18:22 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas: ,

Tradução: «morocco leather»

Vá mandando

 

      «O próprio caderno onde a lista foi inscrita mostra a opulência da encomenda. Está encadernado em couro marroquino vermelho e marcado com as armas reais de Espanha, na capa e contracapa, com gravação a ouro. A lista, em excelente estado de conservação, fazia parte de numa coleção privada inglesa, e foi publicada pela primeira vez no catálogo da exposição “The S.J. Phillips Collection of Jewels of Portugal”, organizado pela Sotheby’s, em Lisboa, em maio último» («O que comprava uma rainha portuguesa em Paris há 200 anos? Lista tem 71 páginas», Carolina Rico, TSF, 12.01.2018, 14h39).

      Sim, Carolina Rico, no catálogo da Sotheby’s lê-se que é de «red morocco leather», mas bem pode ter sido feito em Alcanena. Morocco (leather), senhora jornalista, traduz-se por marroquim, que só etimologicamente é que é de Marrocos. Claro que não deixou de haver marroquim de Marrocos, não é? Não tem de quê, vá mandando sempre.

 

[Texto 8571]

Helder Guégués às 17:31 | comentar | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «tigre-branco/urso-negro-asiático»

Oh, não pode ser

 

      O tigre-branco (Panthera tigris tigris) Soohorang é a mascote dos Jogos Olímpicos de Inverno deste ano em PyeongChang, Coreia do Sul. Já a mascote dos Jogos Paraolímpicos é o urso-negro-asiático (Ursus thibetanus) Bandabi. Como desomenagem a este acontecimento desportivo cimeiro, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista nenhum dos vocábulos assinalados.

 

[Texto 8570]

Helder Guégués às 12:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «supercomputador/supercomputação»

Vamos lá ver

 

       «O objetivo é adquirir duas máquinas de supercomputação que façam 100 mil biliões de operações por segundo e outras duas intermédias (10 mil biliões) e desenvolver sistemas de desempenho que suportem um trilião de operações por segundo. Por último, gerir o acesso de um largo espectro de utilizadores públicos e privados. [...] Isto quando os supercomputadores são “valiosos para a sociedade em muitos domínios”, desde os cuidados de saúde (deteção precoce e o tratamento de doenças ou o desenvolvimento de novas terapias baseadas na medicina personalizada e de precisão) às energias renováveis, passando pela segurança (cifragem complexa; rastreio e na resposta a ciberataques)» («UE vai criar novos supercomputadores», João Moniz, Destak, 12.01.2018, p. 6).

      Não estão no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora e, contudo, encontramos supercomputador no dicionário de Inglês-Português da mesma editora. Ah, também não regista cifragem.

 

[Texto 8569]

Helder Guégués às 09:01 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,
12
Jan 18

Léxico: «polinizador»

Pois, mas é

 

      «Já a Comissão Europeia lançou uma consulta pública sobre como travar o declínio da população de abelhas e de outros polinizadores, o que ameaça a produção agrícola na UE num valor total de 15 mil milhões de euros» («UE está preocupada com declínio das abelhas e outros polinizadores», Destak, 12.01.2018, p. 4).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora esquece-se de que polinizador, como neste artigo, também é substantivo. O VOLP da Academia Brasileira de Letras não se esqueceu.

 

[Texto 8568]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito