23
Jan 18

Ah, o Knesset...

Para encher colunas

 

      «A embaixada dos Estados Unidos em Israel mudará de Telavive para Jerusalém antes do final de 2019, anunciou Mike Pence, vice-presidente dos EUA, num discurso ontem no Knesset (Parlamento israelita). “Jerusalém é a capital de Israel e o presidente Trump ordenou [essa mudança]”, disse» («EUA mudam a embaixada antes do final de 2019», Público, 23.01.2018, p. 26).

      Salvo pior opinião, isto, que já é uma tradição jornalística, não faz sentido nenhum. Só acontece, felizmente, com o nome de três ou quatro parlamentos (Duma, Dieta, Majlis), mas não deixa de ser mau por isso. O termo significa «assembleia» em hebraico. Então, cada vez que se falasse de um parlamento estrangeiro, tinha de se ir ver como se diz na respectiva língua? Islândia? Alþingi. Butão? Tshogdu. Tailândia? Ratthasapha. Não, parece-me que há formas mais criativas de ocupar espaço.

 

[Texto 8613]

Helder Guégués às 10:23 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «pisteiro»

Despistados

 

      «A polícia vai utilizar cães pisteiros na casa de David e Louise Turpin, o casal que manteve os 13 filhos sequestrados em condições sub-humanas na Califórnia, para verificar se há cadáveres — receia que alguma criança tenha sucumbido. O casal foi acusado de 38 crimes» («Cães pisteiros vão verificar se há corpos na casa dos Turpin [sic]», Público, 23.01.2018, p. 26).

      Onde é que um cão pisteiro iria topar com pisteiro na Infopédia, sabem? Só nos dicionários bilingues, pois no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não há rasto. É um erro demasiado repetido.

 

[Texto 8612]

Helder Guégués às 09:32 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «heroificação»

Mais um passinho

 

     «Esta heroificação oculta e torna quase inaudível a história da maioria dos emigrantes que fugiu a uma ditadura e a um país onde eles e os seus filhos estavam condenados à pobreza» («Heróis e vilões: as instrumentalizações da história da imigração portuguesa em França», Victor Pereira, Público, 23.01.2018, p. 47).

      Vamos encontrá-lo em vários dicionários; o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que regista heroificar e heroificado, não o acolhe.

 

[Texto 8611]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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23
Jan 18

Léxico: «lusotropicalismo»

Está mal

 

     «Esse discurso, onde se notam resquícios do lusotropicalismo, pretendendo acarinhar uma população que se sente muitas vezes esquecida pelas autoridades portuguesas, tem vários efeitos perversos» («Heróis e vilões: as instrumentalizações da história da imigração portuguesa em França», Victor Pereira, Público, 23.01.2018, p. 47).

    É como o vemos registado, por exemplo, no VOLP da Academia Brasileira de Letras, mas também se vê muitas vezes grafado com hífen, «luso-tropicalismo». No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, porém, não o encontramos. Não é apenas Gilberto Freyre que não merece este silêncio, é também e sobretudo o leitor que lê o termo em qualquer texto e, ao procurar no dicionário o seu significado, nada encontra.

 

[Texto 8610]

Helder Guégués às 08:55 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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