24
Jan 18

Léxico: «peticionante»

Um dia, será inevitável

 

      «Quando são assinadas por mais de mil pessoas, os peticionantes são ouvidos na comissão parlamentar, a petição é publicada no Diário da Assembleia da República e quando atingem 4.000 [sic] são debatidas no plenário» («Parlamento recusa petição para banir Testemunhas de Jeová», Rádio Renascença, 24.01.2018, 14h06).

      O neologismo peticionante vai-se vendo aqui e ali, mas, na verdade, já temos peticionário, que significa exactamente o mesmo. Suponho, contudo, que, continuando a usar-se, terá de ir para os dicionários, até porque está bem formado.

 

[Texto 8617]

Helder Guégués às 20:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Diseuse» é que é

Um não-sei-quê

 

      «Fundamental no seu percurso — quer o de diseuse (detestava que lhe chamassem declamadora), quer o de professora do Conservatório — foi a frequência do curso de dicção do actor e professor George Le Roy em Paris, onde Germana Tânger se radicou no final dos anos 40 com o marido» («Germana Tânger: a poeta dos poetas», Luís Miguel Queirós, Público, 24.01.2018, p. 31).

      Realmente, declamadora tem um je-ne-sais-quoi de detestável. Ah, já sei: é português. Grande defeito. Para ser bom, como toda a gente sabe, não podia ser português.

 

[Texto 8616]

Helder Guégués às 09:56 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «vespa-asiática»

Esquecida

 

      «A vespa-asiática [Vespa velutina] tem assustado as abelhas (e os apicultores) em Portugal. Esperam junto das colmeias que as abelhas cheguem com pólen, capturam-nas, cortam-lhes a cabeça, as patas e o ferrão e levam-nas até aos seus ninhos no cimo das árvores. Depois, comem-nas. Os primeiros ataques terão acontecido em 2011 e já se contaram milhares de ninhos no país» («Eis a mais completa base de dados de espécies invasoras do mundo», Teresa Serafim, Público, 24.01.2018, p. 27).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora é que continua alheio a estes danos, tão alheio que nem regista vespa-asiática. Tem vespa-do-castanheiro e acha que nos contentamos.

 

[Texto 8615]

Helder Guégués às 09:40 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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24
Jan 18

Sobre «cassete»

Não toca

 

      «No fim do dia, a Electro Pizão ganha uma comissão sobre a entrega dos avisos. Os CTT cedem o material, desde armários, rolos de etiquetas, a balança para pesar as mercadorias, às cassetes, como se diz na gíria, que nada mais são do que as caixas onde se colocam as encomendas: vermelhas para as que seguem pelo correio normal; azuis para as que seguem por correio azul» («Socorro, já não há correios», Cristiana Moreira e João Pedro Pincha, Público, 23.01.2018, p. 17).

      Tem alguma coisa que ver com o conceito de cassete e a forma como os nossos dicionários a definem, basicamente uma caixa. Nos dicionários franceses, encontramos outra acepção mais próxima: cassette é também a caixa de arrumações dos alfaiates e dos cabeleireiros. Uma espécie de caixotim dos tipógrafos.

 

[Texto 8614]

Helder Guégués às 09:38 | comentar | favorito
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