01
Fev 18

Léxico: «daguestanês»

Está na hora

 

       Em Dagestankiye Ogni, algures no Daguestão (os mapas da Google nem sabem, a que não será alheia, pois claro, a transliteração do topónimo), uma mulher deu à luz um bebé com 6,3 quilos. Logo, é um bebé (sim, também com problemas) da...? Dagues...? Daguestanês? O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não sabe, mas o etnónimo já por aí circula há anos. Temos de estabelecer mais laços com aquele país. Será que vive lá algum português?

 

[Texto 8663]

Helder Guégués às 22:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Como se traduz nos jornais

Um par de qualquer coisa

 

      Rádio Renascença: «Um membro do governo britânico demitiu-se por chegar atrasado ao parlamento. Michael Bates, secretário de Estado para o desenvolvimento internacional, chegou meia hora atrasado a uma sessão na Câmara dos Lordes, o que fez com que não respondesse a uma pergunta que lhe foi colocada» (7h46). Jornal i: «Michael Bates, secretário de Estado do Departamento para o Desenvolvimento Internacional no Reino Unido, chegou dois minutos atrasado à sessão de perguntas e respostas e, por isso, pediu a demissão “com efeitos imediatos”, noticia o The Guardian» («Secretário de Estado inglês demite-se por chegar 2 minutos atrasado», 12h25). The Guardian: «Bates had been due in the chamber at 3pm on Wednesday to answer a scheduled question from Lister on income inequality but arrived a couple of minutes late. In his absence the question was answered by the Lords chief whip, John Taylor» (31.01.2018, 20h23).

      O jornalista do i não sabe que, em contextos como este, «a couple of minutes» significa quase sempre, não dois minutos, mas alguns minutos, um lapso de tempo indeterminado, mas curto. Lamentável. A Rádio Renascença, por seu lado, parece ter uma fonte, não apenas alternativa, mas mais rigorosa.

 

[Texto 8662]

Helder Guégués às 22:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «lombalgia»

Queremos mais

 

      «A lombalgia é um dos tipos de dores de costas que mais pessoas afeta. Centra-se na zona lombar, entre a última costela e a região glútea, e pode irradiar para uma perna no caso de afetar o nervo ciático. [...] Segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, [o ortopedista Manuel Tavares de Matos] a lombalgia pode ser aguda (se durar entre um dia e seis semanas), subaguda (entre as seis e as 12 semanas) ou crónica (das 12 semanas em diante)» («Tem dores nas costas? Saiba como preveni-las», Rádio Renascença, 1.02.2018, 15h56).

      Com tanta informação disponível, que se pode revelar preciosa reunida num dicionário, não se compreende que os dicionários, como é o caso do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, continuem a definir lombalgia apenas como dor na região lombar. O que surpreende é que o Dicionário de Termos Médicos — que não substitui o dicionário geral — não diz mais nem melhor. É manifestamente pouco.

 

[Texto 8661]

Helder Guégués às 22:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar

Léxico: «ETARI»

Esta é nova

 

      «Este responsável [director de Qualidade e Ambiente da Celtejo, Soares Gonçalves] falava à comunicação social após uma vista de apresentação da nova estação de tratamento de águas residuais industriais (ETARI) da empresa, que entrou em funcionamento em 29 de Setembro de 2017 e cujo investimento foi de 12 milhões de euros» («Poluição no Tejo. Culpa foi das indústrias de pasta de papel», Rádio Renascença, 31.01.2018, 18h12).

      Não, leitor escarninho, não é um alentejano castiço a pronunciar ETAR, esta tem um acrescento: estação de tratamento de águas residuais industriais, ETARI. Não está no Dicionário de Siglas e Abreviaturas da Porto Editora.

 

[Texto 8660]

Helder Guégués às 15:31 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar

Léxico: «terawatt/TW»

É isso que se espera

 

      «A quantidade de energia produzida na Europa pelo setor das energias renováveis foi, em 2017, superior à gerada pelas fontes de carvão. É a conclusão de um estudo realizado pelo Sandbag, um grupo de reflexão dedicado às alterações climáticas.

      Segundo a investigação, a eletricidade produzida a partir de energias renováveis, como a eólica, a solar e a biomassa, forneceu 679 terawatts-hora (TWh), enquanto o carvão apenas produziu 669 TWh» («Pela primeira vez na Europa. Renováveis produziram mais eletricidade do que o carvão», Rádio Renascença, 31.01.2018, 10h06).

      Grupo de reflexão, muito bem. Isto quando se lê na Internet que a «Sandbag is a not-for-profit think tank based in Brussels and London». Mas porque não regista o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o vocábulo terawatt? Nem sequer o símbolo, TW, está no Dicionário de Siglas e Abreviaturas. Aproveite-se o ensejo para garantir que não seria excessivo, antes o que se espera de um dicionário, que na definição se dissesse explicitamente que 1 terawatt = 1012 watts, isto é, 1000 000 000 000. Os dicionários têm de continuar a ser o porto de abrigo de quem quer saber.

 

[Texto 8659]

Helder Guégués às 13:46 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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Léxico: «sebarrinha»

Mais português do que isto?

 

      A pobre sebarrinha — imagina-se nome mais português? — lá ficou esquecida pelo Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Se o verbete de seba foi corrigido, e bem precisava, àquela erva marinha não se abriu a porta do reconhecimento dicionarístico. Numa colecção oficial de legislação datada de 1923, da Imprensa Nacional, encontro uma lei em que se pode ler isto: «Nos canais cobertos permanentemente pela água salgada é do mesmo modo proibido o arrancamento da seba e sebarrinha, podendo sòmente proceder-se à sua apanha por meio de faca ou foice de mão, sendo proibido o emprêgo de qualquer instrumento que possa revolver os fundos ou arrancar as raízes.» Podia ser mais claro que se trata de duas plantas diferentes? No romance Vai Alta a Noite, de Alexandre Pinheiro Torres, cuja acção se situa na Póvoa de Varzim, também nos aparece a sebarrinha: «Não pretende mais que um aperitivo de filamentos verdes, palhas, filamentos de troncos, sebarrinhas. Mas o macho não pára na sua avidez» (Lisboa: Caminho, 1997, p. 53).

 

[Texto 8658]

Helder Guégués às 13:43 | comentar | favorito | partilhar
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«Proposta de lei», de novo

Ou melhor

 

      Tem razão o leitor A. C. S. Costa ao afirmar, em relação à definição de proposta de lei do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que este erra ao assimilar proposta de lei a projecto de lei, pois são dois conceitos diferentes. De facto, estabelece-se ali algum tipo de sinonímia que não corresponde à realidade. A lei é clara e claríssimo o fluxograma do processo legislativo comum para que nos remete. Os projectos de lei são da iniciativa dos deputados ou dos grupos parlamentares e de grupos de cidadãos. Assim, a definição tem de parar ali um pouco antes, assim: «projeto legislativo apresentado pelo Governo ao parlamento para que o discuta e converta em lei».

 

[Texto 8657]

Helder Guégués às 08:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
01
Fev 18

Léxico: «núcleo»

É uma questão de dinheiro

 

      Li ontem que o iMac Pro com configuração de 18 núcleos, a mais potente, já está a ser enviado para casa dos afortunados clientes que queiram e disponham de uns largos milhares de euros. Núcleo, vá lá, e não core, em inglês, como se ouve e se lê tantas vezes. Infelizmente, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, e não é o único, não regista esta acepção de núcleo. Acho muito mal. Nos processadores dos computadores, um núcleo é a unidade de processamento que recebe instruções e realiza cálculos ou acções, baseada naquelas instruções. Os processadores podem ter um ou múltiplos núcleos.

 

[Texto 8656]

Helder Guégués às 08:26 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
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