02
Fev 18

Léxico: «cardoa»

Ora esta!

 

      Por algum motivo, entretanto esquecido na voragem do tempo, apontei num caderninho vermelho, em 1994, que se dava o nome de cardoa a certa escova de piaçaba para limpeza de gado. E que aconteceu para não estar nos actuais dicionários, para não estar no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora? Deixou de haver cardoas ou deixou de haver gado? No Cantinho do Cavalo, no Hipódromo do Campo Grande, vendem-se cardoas: pêlo rijo, baixo, com cabo de madeira, a 5,50 euros (vejam aqui). Aliás, à escova semelhante, mas para dar brilho aos móveis encerados, também se dá o nome de cardoa.

 

[Texto 8669]

Helder Guégués às 15:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «linfoblástico»

Tomai esta

 

      «Sofia Lisboa era professora de fitness e estava grávida de 14 semanas quando, em 2010, lhe foi diagnosticada leucemia linfoblástica aguda, um cancro no sangue que se caracteriza pelo aumento descontrolado dos glóbulos brancos. Foi obrigada a interromper a gravidez e sujeita a tratamentos dolorosos» («Sofia Lisboa, ex-Silence 4, impedida de receber direitos de músicas após luta contra o cancro», Rádio Renascença, 2.02.2018, 10h55).

      Vale a pena ler o artigo na íntegra para comprovar como ainda nos regem leis cegas ou aplicadas cegamente, o que vem dar ao mesmo. Agora quanto à língua: então o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora acolhe linfoblasto e esquece-se de linfoblástico?

 

[Texto 8668]

Helder Guégués às 13:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «beta-amilóide»

Não é pecado

 

      «No estudo publicado na revista “Nature”, os cientistas adiantam que o teste, que permite detectar a proteína beta-amilóide ligada à doença de Alzheimer, conseguiu mais de 90% de precisão na investigação que envolveu cerca de 370 pessoas» («Alzheimer. Investigadores estudam análise que detecte precocemente a doença», Rádio Renascença, 2.02.2018, 00h23).

      É também a grafia por que opto, beta-amilóide, ao contrário do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que regista betamilóide/betaamilóide. Como expliquei a seu tempo, aglutinado apenas quando a última vogal do primeiro termo (que neste caso nem sequer é prefixo) não é a mesma do início do segundo termo; logo, apenas e só beta-amilóide, mas, por isso mesmo e como também vimos, betabloqueador. Mudar de opinião não é pecado nem sinal de fraqueza, acreditem.

 

[Texto 8667]

Helder Guégués às 10:39 | comentar | favorito

Léxico: «espartina»

Ouvidos abertos

 

      «O biólogo [João Afonso, do Centro de Ciência Viva de Tavira] tenta chamar a atenção das crianças para a fauna e flora tão diversificadas nesta Ria e para as diferentes plantas que ocupam diferentes zonas do sapal. “Como podem ver, ocupam espaços específicos. A spartina conseguem vê-la cá em cima?”, “Não”, respondem os jovens» («Uma aula no sapal», Maria Augusta Casaca, TSF, 2.02.2018, 9h08).

      Talvez a jornalista não ouvisse bem: é espartina (cordgrass ou cord-grass, para a legião de anglófonos que nos segue), cujo nome científico é Spartina patens. Patens, patentis, terceira declinação, deu o nosso «patente», aberto. Ouvidos abertos, atentos. Ah, sim, e abertas também as portas do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora para registar espartina. (Vão encontrá-la com esta grafia na página 136 do Guia Prático para a Identificação das Plantas Invasoras em Portugal, de Hélia Marchantes et al. [Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2014].)

 

[Texto 8666]

Helder Guégués às 10:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Topónimos em português

Muito bem

 

      «Pelo menos cinco pessoas morreram na queda de dois helicópteros do Exército francês. O acidente aconteceu perto do lago Carcès, no sudeste da França. [...] Carcès é uma comuna francesa na região administrativa da Provença-Alpes-Costa Azul, no departamento de Var, no sudeste da França» («Acidente com dois helicópteros faz cinco mortos em França», Rádio Renascença, 2.02.2018, 9h24).

      É só querermos, e tudo fica em português. Sim, Provença-Alpes-Costa Azul, e não, como outros escreverão, Provence-Alpes-Côte d’Azur.

 

[Texto 8665]

Helder Guégués às 09:48 | comentar | favorito
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02
Fev 18

Léxico: «monta-cargas»

Faz-me um desenho

 

      «“A corrente eléctrica foi restabelecida, o monta-cargas voltou a funcionar e, aos poucos, os trabalhadores estão a ser trazidos à superfície”, informou James Wellsted à agência France Press» («África do Sul. Mais de mil mineiros resgatados de mina de ouro», Rádio Renascença, 2.02.2018, 7h20).

      Para começar, tenho uma dúvida: nas minas, os monta-cargas são usados comummente para fazer descer e subir pessoas, mineiros? Posto isto, vejamos o que dizem os dicionários. A definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora levaria um alienígena a encolher os ombros: «elevador destinado a mercadorias». Com o Aulete já ficaria a saber muito mais: «Elevador próprio para transportar cargas e mercadorias de um andar para outro, em indústrias, empresas e restaurantes.» Talvez ainda melhor, o Dicionário de Galego da Junta da Galiza: «Aparato que se emprega para o transporte de pesos en sentido vertical ascendente e descendente, mediante unha plataforma, cabina ou gaiola, que corre encaixada en dúas guías.» Ou seja, e mais uma vez, há muita margem para melhorar as definições.

 

[Texto 8664]

Helder Guégués às 09:22 | comentar | ver comentários (2) | favorito