11
Fev 18

Léxico: «adenomiose»

Três de uma vez

 

      Assim, de uma penada, três termos que não encontramos no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «Completam-se, em junho deste ano, 14 anos desde que João Martins Pisco realizou, pela primeira vez no Hospital St. Louis, em Lisboa, uma embolização das artérias uterinas, mas os detalhes desse dia não escapam à memória do especialista em radiologia, nem o seu desfecho feliz. [...] A intervenção consiste na introdução de um cateter através de um orifício de 1,5 milímetros. Dessa forma, “são enviadas partículas para a zona dos fibromiomas [também designados por miomas], com as quais cortamos a circulação do sangue que os irriga”, clarifica o especialista. Além do tratamento de miomas, a técnica pode ser usada em casos de adenomiose, problema associado à endometriose e que consiste na presença do tecido que reveste toda a parede interna do útero na camada muscular do órgão» («Tratamento dá esperança a 2000 mulheres. Miomas», Cláudia Machado, Correio da Manhã, 3.02.2018, p. 22). O pior é que um deles, adenomiose, nem sequer no Dicionário de Termos Médicos o encontramos.

 

 [Texto 8728]

Helder Guégués às 18:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Extremo Oriente

Extremo desmazelo

 

      «[Depois do ângelus, na Praça de São Pedro] O Papa endereçou também uma mensagem especial de congratulação às nações do extremo-oriente, que neste dia assinalam a passagem de ano lunar, um evento sempre acompanhado de grandes celebrações» («Papa inscreve-se na Jornada Mundial da Juventude no Panamá», Filipe d’Avillez, Rádio Renascença, 11.02.2018, 11h57).

      Filipe d’Avillez, alguma dificuldade com os topónimos? Grafam-se com maiúscula inicial e só excepcionalmente têm hífen. Assim, é Extremo Oriente, como também Médio Oriente ou Próximo Oriente. (E os dias mundiais disto e daquilo também se grafam com maiúscula: Dia Mundial do Doente. Acredite: fazer bem e fazer mal levam o mesmo tempo.)

 

 [Texto 8727]

Helder Guégués às 17:20 | comentar | favorito | partilhar
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Léxico: «hospitaleiro»

Pontas soltas

 

      «Carla Costa, psicóloga clínica, há 15 anos, na Casa de Saúde Bento Menni, refere que também ela gosta de fazer justiça ao ideal da fundadora desta congregação, Maria Josefa Récio. “O modelo hospitaleiro é um modelo que trabalha muito os cuidados humanizados, olha-se muito à pessoa. Para que se sintam realmente bem”, enaltece. [...] A congregação das irmãs hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus foi fundada em Ciempozuelos, Madrid, a 31 de maio de 1881 por S. Bento Menni, sacerdote da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus, juntamente com Maria Josefa Recio e Maria Angustias Gimenez» («Hospitaleiras apostam na arte para lidar com doença mental», Liliana Carona, Rádio Renascença, 9.02.2018, 15h41).

      Distracção da jornalista: se é Ordem Hospitaleira de S. João de Deus, tem de ser Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus. Ora bem, nos dicionários: têm de registar o adjectivo relativo às duas congregações.

 

[Texto 8726]

Helder Guégués às 16:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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«Apadrinhar/amadrinhar»

Crucificados nas aspas

 

      «A maratonista olímpica Rosa Mota está este fim-de-semana em Folgosinho para “amadrinhar” iniciativas de reflorestação e o Free Trail Solidário Renascer Folgosinho que decorre este domingo, com o objetivo [sic] de devolver a paisagem verde, àquela aldeia» («Folgosinho vai ter um castanheiro “Rosa Mota”», Liliana Carona, Rádio Renascença, 11.02.2018, 10h40).

      Quem percebe como pensam estes jornalistas? Liliana Carona, temos duas palavras: apadrinhar, que significa ser padrinho, patrocinar, e amadrinhar, que significa servir de madrinha a, patrocinar. Sendo assim, para que usa as aspas, pode saber-se?

 

[Texto 8725]

Helder Guégués às 16:19 | comentar | favorito | partilhar
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«Motim/rebelião»

Continuem, que vão longe

 

      «O diretor geral [sic] dos Serviços Prisionais afirmou este sábado à noite, em declarações à agência Lusa, que o abandono do posto por vários guardas do Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL) provocou “alguma gritaria” entre os reclusos, mas negou que tenha havido qualquer espécie de motim» («Rebelião de reclusos no Estabelecimento Prisional de Lisboa», TSF, 10.02.2018, 20h08).

      Pois, negou, o que é facilitado pelos jornalistas, que metem os pés pelas mãos. Até parece que é tudo igual, motim ou rebelião. Bem, para os dicionários, são praticamente sinónimos, sinal claro de que ainda têm muito para melhorar. Não podiam parafrasear Bertrand Russell, que afirmou certa vez que não se suicidara porque queria aprender mais matemática.

 

[Texto 8724]

Helder Guégués às 11:01 | comentar | favorito | partilhar
11
Fev 18

Léxico: «farinhote», «bolacho», «beloura»

Pouco falta para nada

 

      «Oito restaurantes servem mais de 45 mil doses de papas e perto de 20 mil de rojões, tripas e farinhatos (também conhecidos por farinhotes, bolachos ou belouras)» («Sarrabulho. Carnaval é tempo de papas em Amares», Secundino Cunha, «Sexta»/Correio da Manhã, 9.02.2018, p. 46).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora apenas acolhe farinhato, e viva o velho.

 

 [Texto 8723]

Helder Guégués às 10:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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