13
Fev 18

Léxico: «multifeixe»

Só em inglês

 

   «O navio Almirante Gago Coutinho completou mais um levantamento hidrográfico no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Esta missão teve como objetivo complementar a informação recolhida anteriormente, de modo a permitir a cartografia física do fundo marinho e a atualização das cartas náuticas, através de um sondador multifeixe de elevada resolução» («Marinha faz levantamento hidrográfico», Correio da Manhã, 13.02.2018, p. 14).

     «Sondador» como sinónimo de «sonda» está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, mas já no que respeita a multifeixe, nada. Creio, aliás, que em nenhum dicionário se encontra tal palavra. Ainda há-de aparecer primeiro em inglês, multibeam echosounder.

 

[Texto 8740]

Helder Guégués às 22:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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«Criptomoeda», mais uma vez

Criptomoedas e garantia

 

      Nunca mais voltou a aparecer aqui o anónimo que criticou a definição de «criptomoeda». E a Porto Editora também não voltou a tratar do assunto. Escrevia o tal anónimo (que jeito dá não dar a cara): «Quanto a haver ou não garantia (o que quer que isso queira dizer), nada impede um governo ou outra instituição de oferecer tais garantias.» Não sabe o que é, mas não tem dúvidas de que um qualquer governo — e o da exemplar Venezuela serve de modelo — as pode dar. Sim senhor... Então entretenha-se agora a ler este excerto de uma notícia de hoje: «O supervisor europeu da banca, o dos mercados financeiros e o dos seguros emitiram ontem um comunicado conjunto a alertar para os riscos a que os consumidores estão sujeitos se comprarem moedas virtuais. [...] Por seu lado, os supervisores europeus lembram que as moedas virtuais “não são garantidas por um banco central ou autoridade nacional, não são moeda com curso legal, não estão cobertas por nenhum ativo tangível e não são reguladas a nível europeu”. Alertam que as moedas virtuais têm “sinais claros de bolha e que quem decidir comprá-las “deve ter consciência de que pode perder uma grande quantidade, ou a totalidade, do dinheiro aplicado”» («Supervisores unem-se para alertar sobre as moedas virtuais», Rui Barroso, Diário de Notícias, 13.02.2018, p. 18).

 

[Texto 8739]

Helder Guégués às 21:36 | comentar | favorito | partilhar

Léxico: «purpurina»

É mais ou menos isso

 

      «Regra geral, as purpurinas são feitas com pequenos pedaços de plástico (polietileno tereftalato – PET) e alumínio. “Estamos a falar de microplásticos [partículas inferiores a cinco milímetros]. A única maneira de saírem do corpo é no banho e não há nada que as retenha. Vão parar aos oceanos, tal como aquelas que são atiradas para o ar acabam por ir”, explicou ao DN Carla Rodrigues Lourenço, bióloga marinha e responsável pela Straw Patrol, um projeto de sensibilização ambiental, que alerta para a problemática do lixo marinho» («O brilho do Carnaval é uma ameaça para o meio ambiente», Joana Capucho, Diário de Notícias, 13.02.2018, p. 12).

     Todos nós pensamos saber o que é purpurina — incluindo os lexicógrafos. Lê-se no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «pó metálico e brilhante, prateado, dourado ou de outra cor, usado para impressões tipográficas, em trabalhos manuais, maquiagem, pintura, etc.». Talvez esteja na hora de rever a definição.

 

[Texto 8738]

Helder Guégués às 21:33 | comentar | favorito | partilhar

Sugestões do Word

É desligá-lo

 

       De uma coisa tem o Word a certeza: não se escreve «um animal cavernícola». Sugere «uma animal cavernícola», ou «um animal cavernícolo».

 

[Texto 8737]

Helder Guégués às 21:29 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «milpés»

Prefiro aquele que esquecem

 

      «A bióloga portuguesa Ana Sofia Reboleira descobriu na Abecássia o milpés mais profundo do planeta, uma nova espécie que aumenta para 44 as espécies descobertas pela cientista da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca. [...] Trata-se de um milpés ou millípede [sic], comummente conhecidos como “maria-café”, um animal cavernícola que “vive debaixo de terra e por isso carece de pigmento corporal, tem olhos muito reduzidos, antenas e patas muito longas e alimenta-se de detritos”, explicou Ana Sofia Reboleira à agência Lusa» («Milpés mais profundo do planeta descoberto na Abecássia por bióloga portuguesa», Rádio Renascença, 13.02.2018, 10h33).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só regista maria-café e milípede, mas não tenho a certeza de que se trate do mesmo animal, ou sim, porque os termos são genéricos. Define assim o primeiro: «Moçambique ZOOLOGIA pequeno animal invertebrado, de corpo segmentado e apêndices articulados que, como defesa, se enrola em esfera; congolote». E assim o segundo: «ZOOLOGIA designativo dado, por vezes, aos miriápodes». Uma certeza: o dicionário da Porto Editora não regista o nome mais peculiar, milpés. E «maria-café» será mesmo termo de Moçambique? Já no artigo, repararam em «Abecássia»? É a mais incomum, e porventura a pior, das várias grafias deste topónimo.

 

[Texto 8736]

Helder Guégués às 12:25 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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«Coser/cozer»

Básico, mas persistente

 

      No Dia Mundial da Rádio: «A droga estava escondida num conjunto de nádegas postiças, cozidas nuns calções, que o indivíduo usava junto ao corpo» («Apanhado no aeroporto com droga em nádegas postiças», Rádio Renascença, 12.02.2018, 00h14).

 

[Texto 8735]

Helder Guégués às 12:20 | comentar | favorito | partilhar
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Um erro persistente

O fato roto da EMEL

 

      O ePARK, a aplicação da EMEL, já tem 240 000 utilizadores, diz-me esta empresa numa mensagem de correio electrónico. Que bom — para a empresa. Tem, gaba-se, introduzido melhorias: «A criação do ePARK Empresas ou a possibilidade de pagar apenas o tempo que de fato se consome, [sic] são disso bom exemplo.» Então uma empresa que ganha baldes de moedas por hora não tem dinheiro para pagar os serviços de um revisor?

 

[Texto 8734]

Helder Guégués às 11:29 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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13
Fev 18

«Cãozarrão», uma anomalia?

E agora?

 

      «Papá, isto está bem? “– O pai da Joeanne mais parece um cãozarrão de olhos tristes e sem casa do que uma raposa – opinou a Nora. – Mesmo que tenha deixado a Joeanne para trás, eu sinto pena dele» (O Mistério da Rulote Vermelha, Julie Campbell. Tradução de Susana Ferreira e Bárbara Soares. Alfragide: Leya, 2014, p. 80).» E agora, que respondo à miúda? Que os linguistas não aceitam este aumentativo, mas que os falantes o usam? Que os lexicógrafos não o acolhem, mas aparece no Dicionário Terminológico, na sequência «cão/cãozinho/cãozarrão»? Que todos somos aconselhados a não o usarmos, mas que o encontramos em Mário Cláudio, Ramalho Ortigão, Campos Júnior, Manuel Mendes, Judith Navarro, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Isabel Ramos? Que recém-licenciados de Línguas e Literaturas o rejeitam, mas Elviro Rocha Gomes o aceita?

 

[Texto 8733]

Helder Guégués às 11:02 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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