20
Fev 18

Léxico: «cauri» e «samambaia»

Dos Maoris

 

      Dois aspectos marcantes da cultura maori: as esculturas de madeira de cauri e as tatuagens com desenhos alusivos à fauna e à flora, como, por exemplo, de folhas de samambaia. Em relação a isto, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não anda bem. Cauri aparece, de facto, no verbete da palavra «jimbo» (primeiro erro), mas não está definido; está, como se pode ver, por «caurim», de que é variante: «Angola búzio pequeno ou cauri que, durante muito tempo, foi usado como moeda». Ora, o termo cauri para designar a árvore do género Agathis (Agathis australis), de que se extrai uma resina, vem do maori kawri e está em vários dicionários portugueses. Já quanto à samambaia, lê-se assim no Dicionário de Termos Médicos da Porto Editora: «Designação genérica dada, no Brasil, a várias plantas conhecidas em Portugal pelo nome de licopódio. O pó dos esporos do licopódio é utilizado em Farmácia para envolver pílulas.» Não se trata, obviamente, da mesma planta (Cyathea dealbata) adorada na Nova Zelândia, utilizada como emblema nacional e que aparece como símbolo na cultura maori. Logo, há aqui muito para acrescentar e melhorar.

 

[Texto 8775]

Helder Guégués às 21:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «cuidados continuados»

Um descuido

 

      «Cerca de 1.100 doentes continuam em lista de espera para um lugar na rede de cuidados continuados integrados, reconhece o coordenador nacional para a Reforma do Serviço Nacional de Saúde na área dos Cuidados Continuados Integrados» («Cuidados continuados. Lista de espera tem mais de 1.000 doentes», Rádio Renascença, 20.02.2018, 11h24).

      Depois dos cuidados intensivos e dos cuidados intermédios, o cuidadoso Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora tem de acolher os cuidados continuados.

 

[Texto 8774]

Helder Guégués às 21:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «cereais de pragana»

Insuficiente

 

      «No que respeita aos cereais de outono/inverno – que incluem trigo, cevada, centeio, aveia, triticale –, “as atuais previsões refletem uma redução da área, pelo quinto ano consecutivo, e posicionam a campanha de cereais de pragana como a pior dos últimos 100 anos”, segundo as previsões agrícolas do INE de janeiro» («Seca causa pior campanha de cereais dos últimos 100 anos», Rádio Renascença, 19.02.2018, 13h05).

      É a primeira vez que deparo com a expressão. Sempre a aprender. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora apenas acolhe o termo pragana («prolongamento rígido, filiforme, existente nalguns órgãos vegetais, também denominado aresta, arista e saruga»), mas é insuficiente para chegarmos à compreensão do que são cereais de pragana — trigo, aveia, centeio, cevada e triticale.

 

[Texto 8773]

Helder Guégués às 16:53 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
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«Fazer lóbi»?

Não me parece bem

 

      «Durão fez lóbi pela Goldman Sachs, mas Bruxelas garante que “regras foram cumpridas”» (Vasco Gandra, Rádio Renascença, 20.02.2018, 14h43). Isto está correcto, «fazer lóbi»? O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que parece incentivar o uso de palavras estrangeiras ao remeter de lóbi para lobby, define assim o termo: «1. grupo de pressão; 2. POLÍTICA grupo dos que frequentam as antecâmaras dos parlamentos com o objectivo de influenciar os deputados no sentido de votarem de acordo com os seus interesses». Curiosamente, o recente projecto de lei do PS sobre a matéria (aqui) fala em «mediação na representação de interesses», e apenas emprega uma vez, e na exposição de motivos, que não no articulado, um termo relacionado, no caso, «lobista». Nada mau.

 

[Texto 8772]

Helder Guégués às 15:46 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar

Léxico: «somalilandês»

Existe de facto

 

      Em 1991, a antiga Somália Britânica tornou-se independente e tem desde então, apesar de não ser reconhecida por nenhum outro país, o nome de República da Somalilândia. Tem moeda, o xelim somalilandês, Constituição e corpo de segurança próprios. Segurança que a vizinha Somália invejará, e não é para menos, pois mais de metade das verbas do orçamento destina-se à segurança. Acabo de ler um texto sobre este território peculiar, que vai agora apostar no turismo, e lá está o vocábulo somalilandês, que, como sucede com o país, os nossos dicionários não reconhecem. Mas usa-se, essa é que é essa.

 

[Texto 8771]

Helder Guégués às 14:05 | comentar | favorito | partilhar
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20
Fev 18

Léxico: «desfibrilhador»

É este que conhecemos

 

      «Portugal tem 1830 desfibrilhadores automáticos externos (DAE) licenciados em espaços públicos, para além de 832 ambulâncias e outros veículos de emergência equipados com aquele dispositivo portátil que pode salvar vítimas em paragem cardiorrespiratória. [...] Refira-se que estes dispositivos portáteis analisam o ritmo cardíaco da vítima em paragem cardiorrespiratória e recomendam ou não a administração de um choque elétrico» («Portugal tem 2662 desfibrilhadores», Inês Schreck, Jornal de Notícias, 20.02.2018, p. 10).

      Não é este, mais perto de nós, pois está, como se lê no artigo, em ambientes extra-hospitalares como «aeroportos, estações de comboios, empresas, centros comerciais, praias, bancos, casinos, escolas, hotéis e pavilhões desportivos e estádios», que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora define: «aparelho com o qual se aplica uma descarga eléctrica através do tórax, de forma a reverter ao ritmo normal uma fibrilação ventricular ou auricular». O desfibrilhador automático externo não se limita a aplicar uma descarga eléctrica, analisa o ritmo cardíaco (a fibrilhação ventricular ocorre em 90 % das paragens cardíacas) e aplica ou não a descarga, o que é natural, pois é para ser usado por leigos. Que mais? É portátil, tem uma bateria.

 

[Texto 8770]

Helder Guégués às 14:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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