24
Fev 18

Como pensam alguns professores

Muito mal

 

      «Miguel Vieira é o muro, Luiz Phellype marca: Paços 1-0 Benfica (intervalo)», li agora mesmo no sítio da TSF. Vem mesmo a calhar: esta semana, certa professora de Português, em certa escola, corrigiu uma composição em que a aluna dera o nome de Ortênsio a uma personagem. Assim: «Ortênsio — Hortência?» Como é que um professor se atreve a corrigir o nome de uma personagem? Nem é necessário, porque não traz mais força ao argumento, mas aposto que Ortênsio até existe. Há certamente algum brasileiro com o nome, como há um Luiz Phellype, quando não dez ou cem. O ensino castrador e ignorante. Duplamente ignorante, porque a grafia correcta é Hortênsia. Duplamente castrador, porque transforma uma personagem masculina numa personagem feminina.

 

[Texto 8802]

Helder Guégués às 21:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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Léxico: «exossoma»

É ver se tem par

 

      «De acordo com os investigadores [do i3S, Instituto de Investigação e Inovação, da Universidade do Porto], já se sabia que as células de cancro comunicam à distância com outras células e que essa comunicação inclui o envio de proteínas e de vesículas, como[,] por exemplo[,] os exossomas» («Descobertas nanopartículas que influenciam evolução dos tumores», TSF, 24.02.2018, 15h39).

      É muito simples: quando registaram «endossoma» no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, não deviam ter-se esquecido de exossoma. Isto é quase, sei lá, como registar «vaca» e esquecer «boi».

 

[Texto 8801]

Helder Guégués às 20:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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24
Fev 18

Léxico: «fulmar»

Demasiado útil para desistir

 

      «O céu está limpo, o mar está calmo e duas embarcações vão em direcção à liberdade. No Galeota, um bote rígido da Polícia Marítima, vão várias caixas com 23 aves reabilitadas no Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (CRAM), do Ecomare — Laboratório para a Inovação e Sustentabilidade dos Recursos Biológicos Marinhos, na Gafanha da Nazaré (Aveiro)» («23 aves voltam para a sua casa no mar», Teresa Serafim, Público, 24.02.2018, p. 23).

      Já tinha desistido de sugerir os nomes comuns de animais e de plantas que vou encontrando ao sabor das minhas leituras, mas tenho de arrepiar caminho, pois é um trabalho mais útil do que alguns levianos que leiam isto possam julgar. Em princípio, as fontes serão sempre jornais, neste aspecto muito mais fiáveis do que, por exemplo, traduções. Habitualmente, os nomes surgem em reportagens ou entrevistas com biólogos ou especialistas que sabem do que falam, e quase sempre temos o nome científico e o nome comum. Que mais queremos nós, que mais querem os lexicógrafos? Assim, das aves libertadas — gansos-patolas, tordas-mergulheiras, airos e fulmares —, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só não regista esta última. «“Prontos para outro?”, anuncia a bióloga [Marisa Ferreira]. E tira a tampa para o fulmar (Fulmarus glacialis) sair da caixa.»

 

[Texto 8800]

Helder Guégués às 17:24 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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