07
Mar 18

Léxico: «hijabe»

Decidido

 

      Em árabe transliterado, o lenço ou touca ou qualquer cobertura da cabeça da mulher muçulmana é ħijāb. Como estamos habituados a ver a palavra em textos de qualquer natureza? É hijab, sem contestação. E que nome tem, em português, o nicho que, nas mesquitas, aponta para Meca? É mirabe. E qual é a transliteração do étimo árabe? É miḥrāb. Conclusão: nunca mais deixarei de escrever hijabe para me referir ao tal véu/lenço/cobertura. E já comecei hoje.

 

[Texto 8879]

Helder Guégués às 20:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «cordão dunar»

Agora no Algarve

 

      «A montanha de areia colocada na praia do Barril, para proteger o cordão dunar, desapareceu com o temporal dos últimos dias. O cemitério das âncoras da antiga armação de atum ficou desprotegido e toda a areia que tinha sido colocada na praia — no âmbito de um programa da Sociedade Polis da Ria Formosa no valor de três milhões de euros — desapareceu com a força da ondulação, pondo à vista mais duas estruturas da pesca do atum. [...] Embora os impactos do avanço do mar sejam grandes, no Barril permitiu pôr mais história à vista. O concelho de Tavira, diz Brígida Baptista, é o “único sítio do país onde existe a maior quantidade de vestígios das antigas armações de atum”. E o mau tempo deu uma ajuda, colocando a descoberto mais duas âncoras, o que eleva o número de exemplares para 250» («Temporal revela mais âncoras da antiga armação de atum no Barril», Idálio Revez, Público, 7.03.2018, p. 18).

      Cordão dunar ou lido — o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora apenas regista este último. Esta acepção de armação o dicionário da Porto Editora regista-o, sim, mas não acolhe vários termos relacionados, como arraial, o sítio onde estão os armazéns e barracões em que se guardava o material de uma armação de atum, e mesmo os termos relativos às partes de que é composta uma armação, a guia e a rabeira.

 

[Texto 8878]

Helder Guégués às 19:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «abeberamento»

Apontai aí

 

      «No sector pecuário, explicam os associados desta federação [Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (FAABA)], “além da escassez de água para abeberamento dos animais”, a comida para o gado também escasseia e “as pastagens naturais não existem” por força das condições meteorológicas. Verifica-se, assim, um “aumento exponencial das despesas por parte dos produtores pecuários, muitos dos quais, em desespero de causa, já tiveram de se desfazer de parte do seu efetivo.”» («Agricultores do Baixo Alentejo pedem “medidas excecionais” contra a seca», Rosário Silva, Rádio Renascença, 7.03.2018, 16h06).

 

[Texto 8877]

Helder Guégués às 16:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «anilíngua/botão-de-rosa»

Sem preconceitos

 

      E a propósito do também vulgarismo berlaitada, é com toda a naturalidade que vejo que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, que tantas vezes já citei, inclui o termo cunete, o termo do calão para a prática que consiste na estimulação oral do ânus. Não havia necessidade, diria o diácono Remédios, mas a verdade é que a perspectiva dos lexicógrafos tem de ser despreconceituosa, imparcial e não moralista. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista, e há muito, os termos minete, broche, cunilíngua, e o mundo não veio abaixo por causa disso. Agora, têm de continuar a incluir os que ficaram de fora, e dois deles, sinónimos, são precisamente um alatinado mas não menos porco usado anilíngua e botão-de-rosa (rimjob, para a legião de anglófonos que nos segue). Existem, usam-se, registem-se.

 

[Texto 8876]

Helder Guégués às 15:52 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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Léxico: «clínex»

Lenço de papel

 

      «“Vamos ter de ir tão longe quanto possível, sempre com a consciência de que não vai ser como passar um ‘clinex’ [toalhete descartável] e o país fica limpinho de uma ponta à outra”, acrescentou [o ministro da Agricultura]» («Incêndios. Governo pede limpeza “máxima”, mas admite que país “não vai ficar limpinho”», Rádio Renascença, 6.03.2018, 21h23).

      De facto, houve uma altura em que se ouvia muito, agora nem tanto. Como aconteceu com Gillettegilete, e tantas outras, é de admitir igualmente Kleenexclínex. O Dicionário da Real Academia Espanhola regista clínex: «Pañuelo desechable de papel.» Contudo, lenço de papel é suficiente, não se vê necessidade desta derivação imprópria.

 

[Texto 8875]

Helder Guégués às 15:46 | comentar | favorito
07
Mar 18

Tradução: «interporting/turnaround»

Agora em português

 

         «“Todas as autoridades portuárias apresentam nos seus números de 2017 um aumento positivo nos passageiros embarcados e desembarcados, sendo de destacar também que é Lisboa que se destaca no mercado do ‘interporting’ e do ‘turnaround’, neste último com uma subida das 73 escalas de navios registadas em 2016, para as 82 em 2017”, refere ainda» («Portos portugueses batem recorde de escalas e passageiros», Rádio Renascença, 6.03.2018, 14h04).

      Mau, então agora até uma coisa destas tem de ficar em inglês? E como é que o leitor médio (fraco...) vai saber o que significam? Não podemos traduzir interporting por porto de escala ou interporto e turnaround por porto de embarque/desembarque? Ainda se ao menos explicassem os termos estrangeiros que usam, mas não.

 

[Texto 8874] 

Helder Guégués às 14:40 | comentar | favorito
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