12
Mar 18

Léxico: «enlaçarotado»

Devolvam-no-lo

 

      «Mas é também a forma como o fado é ali descrito que ainda hoje o cativa: “Isto não é o fado enquanto forma musical, mas feito pessoa, encarnado, de carne e osso, a andar pelas hortas, pelos retiros, fora de portas. E lembra outra coisa: a boémia do fado, que não se pode pôr numa prateleirinha, muito bonitinho, vestidinho e enlaçarotado.”» («Paulo Bragança: “Estamos confinados ao degredo da vida e estamos cativos dela”», Nuno Pacheco, Público, 12.03.2018, p. 28).

      Talvez Paulo Bragança ande a ler A Ilustre Casa de Ramires, onde aparece o bonito adjectivo enlaçarotado. Não anda a ler o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que não o regista, ao contrário de outros dicionários e vocabulários.

 

[Texto 8907]

Helder Guégués às 19:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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No tempo do «Tollan»

Nada se repete

 

      «O “Betanzos”, a 6 de Março deste ano, e o “Tollan”, a 16 de Fevereiro de 1980, encalharam no Tejo, em Lisboa. Os dois navios encalharam em zonas diferentes, mas a história do barco espanhol trouxe à memória de muitos lisboetas a recordação do “Tolan”, que flutuou no Tejo durante três anos, com o casco para cima. [...] O nome foi aportuguesado para “Tolan” e passou a ser usado em restaurantes e cafés. A palavra ‘tolan’ entrou no vocabulário de muitos lisboetas e tornou-se sinónimo de “encalhado” e “alguém a quem não se consegue dar a volta”. Nessa época, era comum chamar aos jantares de despedida de solteiros, [sic] “jantares tolan”» («Será o “Betanzos” o novo “Tollan”?», Rádio Renascença, 12.03.2018, 13h57).

      Se eles dizem, talvez acredite. Quanto ao encalhado, sim, ouvi; já dos jantares, nada me chegou aos ouvidos. Chega a tempo. Ah, e o aportuguesamento em Tolan é um prodígio linguístico e criativo, não é?

 

[Texto 8906]

Helder Guégués às 19:26 | comentar | favorito | partilhar
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Léxico: «auto-referencialidade»

Eu não sei

 

       O autor pergunta-me agora por que razão o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista auto-referencial, mas não auto-referencialidade. Ora, boa pergunta — mas chega tarde, porque eu também já perguntei.

 

[Texto 8905]

Helder Guégués às 18:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «co-evoluir»

E agora? Coerência

 

      Coisas simples, de novo. O autor refere-se a dois processos, que os meus amigos não precisam de saber quais são, e afirma que «podem co-evoluir em paralelo». Ai, ai, e agora? O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só regista coevolução — grafia igual antes e depois do Acordo Ortográfico de 1990, o que mereceu aqui uma crítica minha em finais de 2014. Seja como for, falta o verbo.

 

[Texto 8904]

Helder Guégués às 18:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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12
Mar 18

«Caravela-portuguesa»

Só um acrescento

 

      «“Em caso de ser avistada, deve-se evitar o contacto com este organismo de nome científico ‘Physalia physalis’ e que vive na superfície do mar graças ao seu flutuador cilíndrico, azul-arroxeado, cheio de gás, cujos tentáculos podem atingir os 30 metros, sendo o seu veneno muito perigoso”, alerta a Autoridade Marítima Nacional (AMN) em comunicado» («Autoridade Marítima alerta para perigos de caravela-portuguesa em praias do Algarve», TSF, 8.03.2018, 12h42).

      No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, está quase, quase perfeito: falta o nome científico, Physalia physalis, uma ajuda, já o afirmei antes, preciosíssima em tradução e revisão.

 

[Texto 8903]

Helder Guégués às 18:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar