24
Mar 18

Léxico: «judicialização»

Será inevitável

 

      «Espanha: a judicialização da política» (Jorge Almeida Fernandes, Público, 24.03.2018, p. 63). Já aqui propusemos — porque existem, porque se usam, evidentemente — alguns vocábulos para designar esta realidade, mas ainda nenhum foi para os dicionários, mas será inevitável. Mais uma vez, um vocábulo que não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora e, contudo, encontramos nos dicionários bilingues da Porto Editora. Afinal, também o usam — mas não o registam, não o definem, o que é insustentável.

 

[Texto 8967]

Helder Guégués às 23:24 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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Como se fala na rádio

Eliminem isso

 

      Repórter Rita Fernandes, da Antena 1, em vários noticiários: «Armados com facas, marretas e paus de madeira, um grupo de motards bloqueou uma rua no Prior Velho, invadiu um café e agrediu outro grupo que estaria dentro do estabelecimento.» O comissário José Monteiro, da PSP, disse que se tratava de paus, mas a jornalista achou que devia especificar, não fossem os ouvintes pensar que fossem paus de canela ou paus de incenso ou até, uma vez que aconteceu num café, paus de gelado. E parece que a repórter também exagerou um tudo-nada ao dizer que eram marretas, quando o comissário falou em martelos. Quem conta um conto...

 

[Texto 8966]

Helder Guégués às 19:59 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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«Lúcifer/Lucíferes»

Uns fingidores

 

      Por vezes, os tradutores fingem que são ceguinhos. No original está «Lucifers», mas este verteu para «Lúcifer». Aliás, um contexto mais alargado até mostra melhor o dislate: «todos os Lúcifer». Pois, pois... Já o vimos aqui em algum destes 8964 textinhos em relação a outro vocábulo semelhante: ao pluralizar, algumas palavras esdrúxulas terminadas em r ou n vêem o acento tónico deslocar-se para a segunda ou terceira sílaba a contar do fim. 

 

[Texto 8965]

Helder Guégués às 18:33 | comentar | favorito | partilhar
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Um bebé é sempre um bebé

Ou é como o autor quiser?

 

      «Corria o ano de 1910 quando no dia 26 [de Agosto] ao final da tarde, nascia uma bebé pequena e frágil» (Madre Teresa de Calcutá – A Mãe dos Pobres, Cândida Santos Silva. Lisboa: Alêtheia Editores, 2017, p. 4). Na página seguinte, porém, já é um bebé: «Agnes tornou-se em poucos meses num bebé rechonchudo e de faces rosadas.» A revisora, Cinderela Bastos, é que não ajudou nada, e o livro tem escassas páginas.

 

[Texto 8964]

Helder Guégués às 18:11 | comentar | ver comentários (10) | favorito | partilhar
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Léxico: «tampico»

Desapareceu antes das lojas

 

      «Da pequena loja, que começou por fazer vassouras nos anos 20 do século passado, saem escovas para fatos, calçado e chapéus, e pincéis para a barba, com diferentes pelos: crina e rabo de cavalo, cerda de porco, pelo de cabra e javali, ou fibra de tampico (€5 a €100), além de escovilhões e de escovas para ourives (de arame de latão)» («Escovaria de Belomonte, Porto», F. A., Visão, 22.03.2018, p. 127).

      Há uns bons anos que conheço as escovas de tampico, que é o nome que tem a fibra obtida do agave e da iúca, mas nos nossos dicionários nem rasto.

 

[Texto 8963]

Helder Guégués às 17:59 | comentar | favorito | partilhar
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Léxico: «pneu»

Pois está

 

      «João Sousa derrotou, esta sexta-feira, o belga David Goffin, número nove mundial, e avançou para a terceira ronda do Masters 1000 de Miami. Foi uma das maiores vitórias da carreira do tenista vimaranense, número um nacional e 80.º colocado do ranking ATP. Em apenas dois sets, com um “pneu” à mistura (primeira vez na carreira que deixou um adversário top-10 sem pontuar), Sousa superiorizou-se ao finalista vencido das ATP World Tour Finals pelos parciais de 6-0 e 6-1» («João Sousa arrasa Goffin e está na terceira ronda em Miami», Rádio Renascença, 23.03.2018, 16h11).

      Talvez esteja na hora de os dicionários olharem mais para outros desportos que não apenas o futebol, não?

 

[Texto 8962]

Helder Guégués às 09:50 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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24
Mar 18

Tradução: «shirt-grill»

Que estranha opção

 

      Isto de traduzir uma palavra inglesa por uma palavra francesa sempre me fez espécie. O cavalheiro vestia shirt-grilljabot, garante o tradutor. Como no caso da beca e da toga, talvez tenhamos de chamar um alfaiate. Vamos lá ver: se é intraduzível, o que evidentemente não é o caso (já para não dizer que é sempre possível traduzir, nem que seja por meio de uma explicação), fica na língua original.

 

[Texto 8961]

Helder Guégués às 08:57 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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