26
Mar 18

Léxico: «xarroco»

Investiguemos

 

      «Um peixe fêmea Caulophryne jordani, da ordem dos Lophiiformes (a mesma do tamboril), foi pela primeira vez filmado em processo de acasalamento pela fundação Rebikoff-Niggeler, a cerca de 800 metros de profundidade. Estes peixes conhecidos como xarrocos acasalam através do chamado parasitismo sexual» («Imagens inéditas captadas ao largo dos Açores impressionam biólogos», Carolina Rico, TSF, 26.03.2018, 11h00).

      Xarroco, que tudo me leva a crer que se trata da mesma espécie, até está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora – «peixe teleósteo da família dos Cotídeos, que aparece na costa marítima portuguesa, também denominado enxarroco, peixe-sapo, peixe-diabo, sarronca, etc.» –, mas falta o nome científico, que é, como está no artigo e confirmei, Caulophryne jordani. Ora, também pesquisei e o Caulophryne jordani pertence à família dos caulofrinídeos, e não dos cotídeos, como o dicionário indica. Anote-se, também, que o dicionário da Porto Editora não regista o termo caulofrinídeo. Como não regista calionimídeo, nem caproídeo, caristiídeo ou cauliodontídeo; tão-pouco, essa é a verdade, caunacídeo, centracantídeo ou centrolofídeo; não encontrarão nele ceratiídeo, cetorrinídeo, ciclopterídeo ou ciemídeo; como também não acolhe cinoglossídeo, cloroftalmídeo, congrídeo... Bem, acho que já perceberam. Até amanhã.

 

[Texto 8972]

Helder Guégués às 22:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
26
Mar 18

Léxico: «biodinâmico»

Ele também não sabe

 

      «Os vinhos biodinâmicos resultam de métodos de produção que incluem o amanho das vinhas de acordo com o calendário lunar e o tratamento das mesmas com infusões de plantas» («Branco biológico. Vinho de 2016 da região de Lisboa», Edgardo Pacheco, «Sexta»/Correio da Manhã, 9.03.2018, p. 42).

      Quem não souber o que é biodinâmico, escusa de ir perguntar ao Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, ele também não sabe. Mais uma notinha. O cronista descreve assim este vinho: «Este Humus revela notas de maceração pelicular prolongada, típicas de um orange wine. Boca delicada, untuosa e com notas vegetais.» Todas as bocas são delicadas quando falam inglês — mas em português não se diz, Edgardo Pacheco, vinho laranja? Diz pois. E tu, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, já tão crescidinho e só conheces o vinho a martelo e o vinho fino? Num país com tantas variedades de vinho!

 

[Texto 8971]

Helder Guégués às 09:59 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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