29
Mar 18

Léxico: «draisiana/dresina»

Já são nossas

 

      «— Conto ir, minha amiga, desde que não me mandem subir para cima da draisiana» (A Marquesa de Alorna — Do Cativeiro de Chelas à Corte de Viena, Maria João Lopo de Carvalho. Alfragide: Oficina do Livro, 6.ª ed., 2012, p. 597).

      Pois é, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, nem draisiana nem dresina, e estão ambas, por exemplo, no VOLP da Academia Brasileira de Letras.

 

[Texto 8982]

Helder Guégués às 21:16 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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29
Mar 18

Léxico: «cachafrito»

Um pouco de memória

 

      «Nos restaurantes da vila e das redondezas surgem na ementa pratos regionais com designações que remetem para a origem de tais pitéus: cachafrito, carne de cabrito frita na frigideira; sarapatel, à base de sangue de cabrito ou de borrego cozido, das fessuras [sic], as miudezas do animal, pão alentejano e ervas aromáticas ou perna de borrego assada no forno» («Páscoa saborosa em Castelo de Vide», António Catarino, TSF, 28.03.2018, 13h07).

      Mais uma que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista. O cachafrito é típico do Alto Alentejo. Há-o de várias carnes, mas o que eu conheço bem é o de coelho. No fundo, era uma forma de conservar a carne por muito tempo, pois consistia em guardar o coelho cozido e levemente temperado com cebola num pote de banha. Na altura de se usar, tirava-se da banha e era frito. Havia pessoas que o punham em latas que mandavam soldar a um latoeiro para enviar por correio para o estrangeiro, para um filho ou alguém da família. Provavelmente, também o faziam durante a Guerra do Ultramar. Ainda é pitéu, como se vê, que se pode encontrar em alguns restaurantes, mas falta guardá-lo nos dicionários.

 

[Texto 8981]

Helder Guégués às 17:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito (1) | partilhar
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