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Mai 18

Léxico: «lombelo»

Ainda melhor

 

      Aqui numa modesta nota de rodapé da revista Brasília (Universidade de Coimbra, vol. 2, 1943), leio que lombelo é «o filete de carne de porco, em forma de charuto, situado na parte interior da caixa torácica, ao longo do espinhaço e junto às vértebras». Definição mais sugestiva do que a do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que diz que é «cada um dos pedaços de carne que se tiram do lombo do porco, chamados também coelhos». Contudo, quando consultamos o verbete «coelho», desta acepção nem rasto. Acontece. Acontece muito.

 

[Texto 9316] 

Helder Guégués às 18:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «balzaquiana»

Aí é que está

 

      Mas há alguma coisa insusceptível de ser melhorada? O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora define balzaquiana como a «mulher entre os 30 e os 40 anos (por alusão ao romance de Balzac A mulher de Trinta Anos)». Porquê só «mulher» com minúscula? Mas não é isso: Sérgio Luís de Carvalho, na obra Na Ponta da Língua – Mais de 200 palavras que ajudam a falar e a escrever melhor, lembra que a protagonista era Julie d’Aiglemont, o que na definição do dicionário não é necessário, mas também diz o que quem consulta o verbete no dicionário precisa de saber, no caso, que balzaquiana é a «mulher madura, livre, independente, realizada» (p. 206). Se um dicionário não disser isto, onde o podemos encontrar?

 

[Texto 9315]

Helder Guégués às 17:27 | comentar | favorito

Léxico: «Vulgata»

E a verdade é que se usa

 

      A Vulgata, lê-se no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é a «versão latina da Bíblia, feita em grande parte por S. Jerónimo (séc. IV) e impressa pela primeira vez em meados do séc. XVI». Na Ponta da Língua – Mais de 200 palavras que ajudam a falar e a escrever melhor, Sérgio Luís de Carvalho (Lisboa: Clube do Autor, 2018) lembra que actualmente este termo adquiriu um novo significado: «pode, em linguagem política corrente, referir-se a um texto dogmático, rígido, excessivamente doutrinário». É verdade que, umas linhas mais à frente, aconselha a não se usar o termo neste sentido, mas é um sentido figurado próximo deste que encontramos no Aulete: «Qualquer versão de um texto que seja a mais adotada e tida como padrão.»

 

[Texto 9314]

Helder Guégués às 17:11 | comentar | favorito
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Uma estranheza

Liberdade, sim, mas...

 

      «Bruno recordou, ou percebeu sem saber bem como, que era de tarde. Embora as cortinas estivessem bem fechadas, vigorava nos rebordos uma claridade fria e avermelhada» (O Sonho de Bruno, Iris Murdoch. Tradução de Vasco Gato. Lisboa: Relógio D’Água, 2018, p. 9).

      Escrever é sempre uma escolha de palavras e maneiras de dizer, mas na tradução essa liberdade está muito mais condicionada. Aquele «vigorava» provoca-me logo muita estranheza, que, confrontando com o original, aumenta: «The curtains were tightly pulled, but there was a cold reddish glow about the edges.» Aliás, edge traduzido, neste contexto, por «rebordo» não me deixa menos dúvidas.

 

[Texto 9313]

Helder Guégués às 16:42 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «enguia-europeia»

Não podia ser mais simples

 

      «É assim que Isabel Domingos, coordenadora da FCUL no projecto, nos descreve o ciclo de vida da enguia-europeia (Anguilla anguilla), que se encontra nos rios e estuários da região que vai do Norte da Europa ao Norte de África. O meixão é a cria da enguia, que é pequena e transparente. “São as enguias muito jovens que acabaram de chegar à nossa costa”, acrescenta» («Há um projecto que quer salvar a enguia-europeia da extinção», Teresa Serafim, Público, 31.05.2018, p. 26).

      Ora vejamos: se o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista no verbete enguia duas acepções, e a segunda se refere à Anguilla anguilla (estão a ver a utilidade do nome científico?), quer dizer que basta autonomizar esta segunda acepção e dar ao verbete o nome de enguia-europeia.

 

[Texto 9312]

Helder Guégués às 09:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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31
Mai 18

Léxico: «lontra-marinha»

Uma prima

 

      «Dois jovens machos de lontra-marinha, o Odi e o Kasi, resgastados no Alasca no ano passado, são os novos habitantes do Oceanário de Lisboa, anunciou hoje a instituição» («Oceanário recebe duas lontras-marinhas resgatadas no Alasca», Rádio Renascença, 30.05.2018, 15h15).

      Será que têm uma prima, não uma lontra vulgar, mas também uma lontra-marinha (Enhydra lutris), que possa ir para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora? Oxalá.

 

[Texto 9311]

Helder Guégués às 09:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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