08
Mai 18

Léxico: «vinca-de-madagáscar»

São precisos dois dicionários

 

      «A vinca-de-madagáscar é mais do que uma planta bonita: tem ingredientes essenciais para a produção de uma substância importante no tratamento de vários tipos de cancro. Contudo, faltava encontrar duas enzimas para que a receita química dessa substância ficasse completa. […] Pode ser encontrada em qualquer jardim, mas a origem da vinca-de-madagáscar (de seu nome científico Catharanthus roseus) é Madagáscar. Há também quem lhe chame vinca-de-gato, boa-noite, bom-dia ou maria-sem-vergonha. E tem poderes mágicos como planta medicinal: as suas folhas costumam ser utilizadas para tratamento de diabetes, febre, reumatismo ou outras doenças» («Desvendada a receita química de substância usada contra o cancro», Público, 8.05.2018, p. 31).

   Não os encontramos no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, excepto o último, maria-sem-vergonha, mas não se trata da mesma espécie. O artigo refere também a vimblastina, substância activa utilizada no tratamento de vários tipos de cancros e produzida pela vinca-de-madagáscar, que, infelizmente, só encontramos no Dicionário de Termos Médicos.

 

[Texto 9185]

Helder Guégués às 20:19 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «uniciclo»

Passe mais tarde

 

      «O seu [de John Dingley] Mega Hub tem um nome que descreve bem a maneira como o uniciclo foi criado. Como só tem uma roda, o motor está localizado no interior desta, fazendo uma unidade integrada» («Conheça o monociclo mais potente do mundo», Motor 24, 8.05.2018, 11h18).

      Uniciclo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora? Não há. Passe mais tarde.

 

[Texto 9184]

Helder Guégués às 15:17 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «lentigo»

Não cabe?

 

      «Entre as 1548 pessoas que participaram num rastreio nacional no ano passado, 19 apresentavam melanoma e 70 tinham carcinoma basocelular. Segundo a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC), 43% dos rastreados evidenciavam lentigos celulares no tronco (manchas acastanhadas tipo sardas, mas mais largas) que “são testemunho de antecedentes de queimadura solar”» («Queimadura solar em 43% dos lusos», Destak, 8.05.2018, p. 5).

      O pobre falante quer saber o que significa lentigo, mas no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não se safa.

 

[Texto 9183]

Helder Guégués às 15:14 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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«Massudo/maçudo»

Têm a certeza?

 

      «Concretamente este [discurso], estou a recordá-lo, foi na Voz do Operário, foi até massudo porque peguei nos poderes e deveres do Presidente e escalpelizei-os um por um. Quando é que o veto político deve ser utilizado, quando é que o veto por inconstitucionalidade deve ser utilizado e em que termos», respondeu o Presidente da República na entrevista exclusiva ao Público e à Rádio Renascença («Presidente não vetará eutanásia “por razões pessoais”», David Dinis e Eunice Lourenço, Público, 7.05.2018, p. 6).

      «Massudo», de certeza? Os jornalistas perguntaram a Marcelo Rebelo de Sousa? Muitas vezes, o que é massudo (espesso, volumoso) também é maçudo (maçador, cansativo). Cá para mim, bacoreja-me que o discurso na Voz do Operário foi maçudo.

 

[Texto 9182]

Helder Guégués às 15:12 | comentar | favorito | partilhar
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Léxico: «mingreliano»

მარგალური

 

      «Os mingrelianos, ou mingrélios, constituem um grupo étnico georgiano que vive principalmente em Samegrelo (Mingrélia), região da Geórgia. A maioria fala o idioma mingreliano, que pertence à família linguística caucasiana meridional (cartulianas), mas utiliza o alfabeto georgiano» (Lavrenti Béria: O Carrasco ao Serviço de Estaline, José Milhazes. Alfragide: Oficina do Livro, 2018, p. 169).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora apenas regista mingrélio, para a língua e para o povo, mas O Atlas das Línguas, publicado em 2001 pela Editorial Estampa, para a língua opta pelo termo mingreliano.

 

[Texto 9181]

Helder Guégués às 15:10 | comentar | favorito | partilhar
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Léxico: «culaque»

Não os conhecem

 

     «Inicialmente, foram desterrados grupos sociais ou étnicos – capitalistas, burgueses, culaques, cossacos, sacerdotes –, mas, depois, chegou a vez de povos que foram, total ou parcialmente, deportados, tendo alguns perdido até as autonomias nacionais» (Lavrenti Béria: O Carrasco ao Serviço de Estaline, José Milhazes. Alfragide: Oficina do Livro, 2018, p. 107).

     Os culaques, que andam há anos em livros em língua portuguesa, eram uma classe nova, uma burguesia rural de proprietários abonados, enfim, camponeses relativamente prósperos, cujo surgimento fora favorecido pela NEP (sigla de Novaia Ekonomitcheskaia Politika – Nova Política Económica [1921-1928]).

 

[Texto 9180]

Helder Guégués às 15:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «poliquetas»

Não chega

 

      «Há espécies animais de origem marinha como os corais, moluscos ou poliquetas (vermes aquáticos), entre outros, que também conseguem produzir estes ácidos gordos essenciais para a saúde humana» («Corais, lapas e amêijoas também produzem ómega-3», Andrea Cunha Freitas, Público, 7.05.2018, p. 29).

      Na definição de poliquetas no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora («grupo de animais anelados, quetópodes, cujas sedas locomotoras estão dispostas em grupos inseridos em parápodes») falta, a meu ver, o óbvio: que se trata de vermes aquáticos. Vamos adivinhar?

 

[Texto 9179]

Helder Guégués às 15:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
08
Mai 18

Léxico: «mineromedicinal»

Não basta a água

 

      «Por Chaves, passaram 6.500 aquistas, mas é objetivo da autarquia “aumentar o número de aquistas e, em simultâneo, equilibrar económica e financeiramente as termas que, até hoje, deram sempre prejuízo”. [...] Com uma temperatura de 76 graus, a água mineromedicinal de Chaves é bicarbonatada e rica em minerais, sobretudo em sódio, sílica, fluoreto de hidrogenocarbonato. A sua principal ação é estimular as funções metabólicas e orgânicas devido à sua mineralização, sendo indicada no tratamento de patologias músculo-esqueléticas, do aparelho digestivo, cardiocirculatórias e de vias respiratórias» («Chaves aposta forte no turismo termal», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 7.05.2018, 14h47).

      É certo que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista o termo mineromedicinal, mas a definição que dá de aquista também não é correcta: «que ou pessoa que faz tratamento com águas medicinais». Ah, sim? Se alguém me mandar um garrafão desta água mineromedicinal e eu fizer umas abluçõezinhas, sou aquista? Ah, bem me parecia que não.

 

[Texto 9178]

Helder Guégués às 15:05 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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