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Mai 18

Era uma vez... a concordância

Até a Boneca sabe

 

      Vamos lá praticar a última boa acção do dia. (Talvez não seja a última, ainda vou para Cascais e vou ter de ser, na estrada, pelo menos muito indulgente com os analfabetos que por aí andam.) «O País tem méis que nunca mais acaba e tem – se não nos falha o rigor – nove denominações de origem protegida (DOP) para o produto, mas há gente que passa a vida toda a consumir a mesma marca ou o mel da mesma região» («“Feito em” Trás-os-Montes», Edgardo Pacheco, «Sexta»/Correio da Manhã, 18-24.05.2018, p. 43). E a concordância, Edgardo Pacheco? Falhou o rigor. «A BONECA — Eu não sei se o que aconteceu comigo tem algum valor... mas tu não calculas a porção de coisas sérias que têm passado p’la minha cabeça por causa do que aconteceu comigo!... Coisas de nada e que nunca mais acabam!» (Obras Completas. Volume VII, Teatro, José de Almada Negreiros. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1993, p. 35).

 

[Texto 9244]

Helder Guégués às 19:31 | comentar | favorito | partilhar
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Léxico: «cornelho»

Nada se saberá

 

      «No tempo em que a fome apertava, as vagens das favas ainda não estavam cheias e já havia quem as comesse. Pelo menos nalgumas regiões do Douro era isso que acontecia, com o prato a chamar-se de cornelhos» («Ainda não formadas e já dão para comer», «Sexta»/Correio da Manhã, 18-24.05.2018, p. 32).

      Então tu, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que também és da região do Douro, não guardas a palavra? Aqui é outra coisa, mas cornelho designa sobretudo o fungão ou cravagem do centeio e do trigo, que antigamente o rapazio ia procurar nas searas e depois vendia nas boticas. Bem sei que registas cornecha/cornecho para o mesmo, mas não chega. Procura e encontrarás muitas abonações. Aquilino, por exemplo, também o usa, mas noutra acepção, a de alimpadura dos cereais: «Simultâneamente com o negócio das peles, Lúcio comprava cornelho, moinha, com que na cidade os pobres enchem as fronhas, e volfrâmio» (Casa do Escorpião, Aquilino. Lisboa: Livraria Bertrand, 1963, p. 77). Portanto, temos aqui várias acepções.

 

[Texto 9243]

Helder Guégués às 12:58 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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18
Mai 18

Léxico: «panco»

Temos de saber o que é

 

      «Passadas longas, abafadas. Devia calçar os sapatos de salto quase raso, com sola de panco, que lhe ficavam tão mal. Soledad!» (A Noite Roxa, Urbano Tavares Rodrigues. Lisboa: Livraria Bertrand, 1956, p. 110).

      Panco é uma tela grossa de algodão, ordinariamente azul com pintas brancas e amarelas, e, como é brasileirismo, está no VOLP da Academia Brasileira de Letras. Não o encontramos no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, e, contudo, José Pedro Machado, no seu Grande Dicionário da Língua Portuguesa, acolheu-o.

 

[Texto 9242]

Helder Guégués às 11:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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