30
Mai 18

Léxico: «cala»

Não se cale

 

      «“Vamos recuperar uma estrutura muito importante para o equilíbrio ecológico do Tejo. Este mouchão é, de facto, um santuário da avifauna, faz parte da Reserva Natural do Estuário do Tejo. Vamos reparar aquele rombo, recuperá-lo, fazendo um novo muro (dique) com novo enrocamento. Depois, vamos ter de drenar toda a água que entrou para dentro do mouchão e aterrá-lo com as próprias terras que vieram para a cala norte e que têm de sair dali”, vincou o governante [João Matos Fernandes, ministro do Ambiente], sublinhando que este é o maior mouchão do Tejo e que o objectivo futuro do Ministério do Ambiente é relançar a actividade agrícola pelo menos em 900 dos seus 1200 hectares» («Ambiente investe um milhão para salvar ilhota do Tejo», Jorge Talixa, Público, 30.05.2018, p. 17).

    É claro que é acepção — canal navegável — que falta no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 9308]

Helder Guégués às 11:10 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Votar/vetar»

Pobres leitores

 

      Vencedores de ontem? «Cavaco Silva. Saiu do retiro político a que se tinha vetado para se manifestar de forma dura contra a eutanásia. Cavaco Silva não se coibiu mesmo de ameaçar o seu próprio partido para levar a sua convicção avante» («Quem ganhou e quem perdeu», Luciano Alvarez, Público, 30.05.2018, p. 4).

      E é jornalista. Quando é o zé-povinho a escrever, o pouquíssimo que escreve, graças a Deus, que se pode esperar?

 

[Texto 9307]

Helder Guégués às 11:08 | comentar | favorito
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Léxico: «musealizável»

Registem-no

 

    «Não me chocaria, pois, que houvesse um Museu dos Descobrimentos. As razões por que acho que ele não deve existir são duas outras – uma prática, outra cívica. Quanto à primeira, além do que já está em exposição no Museu da Marinha e de mais alguns mapas ou crónicas da Torre do Tombo, há pouco espólio original musealizável da epopeia henriquina, dos navegadores ou das comunidades a que os portugueses chegaram» («Por um Museu da História de Portugal», José Miguel Sardica, Rádio Renascença, 30.05.2018).

 

[Texto 9306]

Helder Guégués às 11:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Haramídeos»?

Diria que não

 

      «Os haramídeos são um grupo que inclui os familiares mais próximos do antepassado comum de todos os mamíferos actuais, considera esta equipa. Os primeiros membros deste grupo terão surgido há cerca de 220 milhões de anos (Triásico) no hemisfério Norte e os últimos terão vivido há 70 milhões anos» («Novo primo dos mamíferos viveu há 130 milhões de anos», Teresa Serafim, Público, 29.05.2018, p. 28).

      Haramídeos. Será assim que se escreve? Hum... O que se lê por todo o lado é ordem Haramiyida. Estude-se o caso, por favor.

 

[Texto 9305]

Helder Guégués às 11:02 | comentar | favorito

Léxico: «morcego-da-fruta»

Depois da mosca

 

      «Como tinha uns dentes semelhantes aos dos morcegos-da-fruta, conseguiria morder, cortar e esmagar os alimentos» («Novo primo dos mamíferos viveu há 130 milhões de anos», Teresa Serafim, Público, 29.05.2018, p. 28).

   Ou, talvez até melhor, morcego-da-fruta-egípcio (Rousettus aegyptiacus), que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora desconhece.

 

[Texto 9304]

Helder Guégués às 10:59 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «bico-de-pato»

Aqui não há pão

 

      «Numas escavações no estado norte-americano do Utah, um grupo de cientistas encontrou um pé de um dinossauro bico-de-pato. Mas esta descoberta não ficaria por aqui. Mais tarde, os cientistas acabaram por perceber que, por baixo desse pé, havia outro fóssil. («Novo primo dos mamíferos viveu há 130 milhões de anos», Teresa Serafim, Público, 29.05.2018, p. 28).

      Dinossauro bico-de-pato, ou hadrossauro, e ambos o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora ignora. Bico-de-pato, diz-nos, é o «pãozinho de leite semelhante a um bico de pato, usado em pequenas sanduíches».

 

[Texto 9303]

Helder Guégués às 10:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «cuvete»

Não é apenas isso

 

      «Com o ano lectivo quase a acabar, os alunos da Escola Básica Maria Barroso sentiram pela primeira vez na semana passada o prazer de almoçar em pratos de loiça e com talheres de metal. A Câmara de Lisboa conseguiu finalmente pôr a máquina de lavar loiça a funcionar e as refeições deixaram de ser servidas em cuvetes de plástico, como até agora» («Na Maria Barroso, acabaram as refeições em pratos de plástico», João Pedro Pincha, Público, 29.05.2018, p. 15).

      É óbvio que estás enganado, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «recipiente que se coloca no congelador para formar cubos de gelo».

 

[Texto 9302]

Helder Guégués às 10:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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30
Mai 18

Léxico: «paliativo»

Reveja-se

 

      A edição de ontem do Público trazia um pequeno glossário sobre a morte medicamente assistida (pp. 6-7, N. F.). Dois dos conceitos eram o de doente terminal e doente paliativo. «Doente terminal. Pessoa que padece de doença incurável e progressiva que resultará na sua morte a curto prazo: três a seis meses, de acordo com a definição da Organização Mundial de Saúde.» «Doente paliativo. Aquele que padece de uma doença para a qual não existe um tratamento curativo ou de uma doença muito grave à qual está associado grande sofrimento físico e psíquico. Pode ser um doente oncológico e ter anos, meses ou semanas de vida.» Parece-me tudo bem. Agora repare-se como o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora define paliativo: «MEDICINA medicamento, tratamento ou cuidados específicos que proporcionam alívio a um paciente em sofrimento, mas que não combatem as causas nem as manifestações da doença que o afecta, geralmente em estado terminal, por já não ser possível remédio ou cura». Parece misturar os conceitos. Reveja-se.

 

[Texto 9301]

Helder Guégués às 10:53 | comentar | ver comentários (5) | favorito