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Linguagista

Léxico: «Vulgata»

E a verdade é que se usa

 

      A Vulgata, lê-se no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é a «versão latina da Bíblia, feita em grande parte por S. Jerónimo (séc. IV) e impressa pela primeira vez em meados do séc. XVI». Na Ponta da Língua – Mais de 200 palavras que ajudam a falar e a escrever melhor, Sérgio Luís de Carvalho (Lisboa: Clube do Autor, 2018) lembra que actualmente este termo adquiriu um novo significado: «pode, em linguagem política corrente, referir-se a um texto dogmático, rígido, excessivamente doutrinário». É verdade que, umas linhas mais à frente, aconselha a não se usar o termo neste sentido, mas é um sentido figurado próximo deste que encontramos no Aulete: «Qualquer versão de um texto que seja a mais adotada e tida como padrão.»

 

[Texto 9314]

Uma estranheza

Liberdade, sim, mas...

 

      «Bruno recordou, ou percebeu sem saber bem como, que era de tarde. Embora as cortinas estivessem bem fechadas, vigorava nos rebordos uma claridade fria e avermelhada» (O Sonho de Bruno, Iris Murdoch. Tradução de Vasco Gato. Lisboa: Relógio D’Água, 2018, p. 9).

      Escrever é sempre uma escolha de palavras e maneiras de dizer, mas na tradução essa liberdade está muito mais condicionada. Aquele «vigorava» provoca-me logo muita estranheza, que, confrontando com o original, aumenta: «The curtains were tightly pulled, but there was a cold reddish glow about the edges.» Aliás, edge traduzido, neste contexto, por «rebordo» não me deixa menos dúvidas.

 

[Texto 9313]