06
Jun 18

Léxico: «unicórnio»

Mais informação

 

      A propósito da OutSystems, a imprensa de hoje falou nas empresas unicórnio, que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não deixa de definir: «ECONOMIA gíria designação de uma empresa startup avaliada em valor igual ou superior a mil milhões de dólares». Na edição de hoje do Diário de Notícias, a definição é muito mais completa: «Startups ou empresas que não estão cotadas em bolsa avaliadas em pelo menos mil milhões de dólares (854,7 milhões de euros) depois de uma ronda de investimento privada. Esta é a definição de um unicórnio, estatuto que a OutSystems conseguiu obter depois do financiamento anunciado ontem» («Unicórnio e o toque de magia nas empresas», p. 17).

 

[Texto 9358]

Helder Guégués às 18:43 | comentar | favorito

Os intérpretes do AO90

É o que temos

 

      «Entre os mais de 90 mil alunos que realizaram as provas de aferição de História e Geografia do 2.º ciclo, no ano passado, 45% não conseguiram localizar Portugal continental em relação ao continente europeu utilizando os pontos colaterais da rosa-dos-ventos. Ou seja: não conseguiram localizar o país como estando [sic] no Sudoeste da Europa» («45% dos alunos não situam Portugal no mapa da Europa», Pedro Sousa Tavares, Diário de Notícias, 5.06.2018, p. 4).

      São os intérpretes do Acordo Ortográfico de 1990 que temos. A forma correcta é rosa dos ventos, sem hífenes. E o uso de maiúscula ou minúscula nos pontos cardeais não está claríssimo na Base XIX, 1.º e), do Acordo Ortográfico de 1990?

 

[Texto 9357] 

Helder Guégués às 18:34 | comentar | favorito
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Ortografia: «malparado»

Isto está mal parado

 

      «Em 2016 e 2017 o crédito mal parado (Non-Performing Loans ou NPL) caiu 13,5 mil milhões de euros, e a maior parte dessa queda ocorreu no ano passado: foram 9 mil milhões de redução dos créditos sem desempenho» («Abrandamento da economia pode levar a queda do preço das casas», Hugo Neutel, TSF, 6.06.2018, 13h05).

      Só há uma coisa boa nisto tudo: em 2070, Portugal terá apenas oito milhões de habitantes, menos 23 % que a actual população, e nessa altura este e outros erros vão ver-se menos, não é assim? Hugo Neutel, escreve-se «crédito malparado».

 

[Texto 9356]

Helder Guégués às 14:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «cerejeira-brava»

Pode haver confusão

 

      «O Castro [de Ovil] faz parte do projeto das 100 mil árvores da Área Metropolitana do Porto e nos dois hectares de povoado foram plantadas espécies como carvalhos, sobreiros, medronheiros e cerejeira-brava» («Castro de Ovil: Um povoado do séc. IV a.C. e uma fábrica de papel», Rute Fonseca, TSF, 5.06.2018, 18h22).

      A Prunus avium está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora — mas com o nome comum de cerejeira, e não cerejeira-brava. Não me surpreende que haja confusões.

 

[Texto 9355]

Helder Guégués às 12:41 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «estação»

Só de serviço

 

      «“Estamos na estação arqueológica do Castro de Ovil, é um povoado da Idade do Ferro. Aqui no Entre Douro e Vouga é das primeiras aldeias sedentárias. A cultura castreja é tradicionalmente do granito e de grande altitude, mas aqui estamos a baixa altitude e domina o xisto”, começa por explicar Jorge Salvador, o arqueólogo responsável pelas visitas guiadas gratuitas ao Castro de Ovil» («Castro de Ovil: Um povoado do séc. IV a.C. e uma fábrica de papel», Rute Fonseca, TSF, 5.06.2018, 18h22).

      Escusam de ir ver: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista esta acepção, tão vulgar, de estação. E se passasse a registar cultura castreja também não estaria mal, pelo contrário.

 

[Texto 9354]

Helder Guégués às 12:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Contagem/contabilização»

Telhados de vidro

 

      «No mesmo dia em que a imprensa noticiava a decisão governamental de negar aos professores a contabilização do tempo de serviço congelado, com um inevitável extremar de posições e novas ameaças de greve, nesse mesmo dia, não nos percamos, ficámos a saber que 45% dos alunos do 2º ciclo sujeitos a provas de aferição em 2016 e 2017 não situam Portugal no mapa da Europa ou que só 28% de crianças do 5º ano conhecem o rio Mondego» («Educação sem norte», Paulo Fonte, Correio da Manhã, 6.06.2018, p. 2).

      Cada qual com as suas fraquezas: também o jornalista, e para mais chefe de redacção, não sabe que se diz contagem do tempo de serviço, e não aquela barbaridade pseudoculta que escreveu.

 

[Texto 9353]

Helder Guégués às 10:20 | comentar | favorito
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Léxico: «podolatria»

Metade do trabalho

 

      «Já o fascínio de muitos por pés abre espaço à prática da podolatria. Há uma submissão ao parceiro no sentido de massajar, lamber e acariciar os pés» («Fetiches bizarros causam excitação», João Saramago, Correio da Manhã, 6.06.2018, p. 41).

      Enquanto o Correio da Manhã prossegue o nobre desígnio de educar os seus leitores, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora descura os seus deveres: regista podólatra, esquece-se de podolatria. Ora bolas.

  

[Texto 9352]

Helder Guégués às 10:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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06
Jun 18

Um livro, uma vergonha

Nabos há muitos

 

      Ontem veio parar-me às mãos O Príncipe Nabo, de Ilse Losa, das Edições Afrontamento. É, concretamente, a 16.ª edição (edição é como quem diz...), datada de Abril de 2017. É um livro recomendado para o 5.º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada, e faz parte do Plano Nacional de Leitura. Muita recomendação — só não sei como a editora não se envergonha de ter aquilo à venda. Para começar, ora aplica o Acordo Ortográfico de 1990, ora não aplica. E o resto? Só na página 15: «à sucapa»; «princezinha»; «bem educada»; «hei-de». Isto nas mãos dos alunos, está-se mesmo a ver a confusão que vai causar. E os professores também ficam vacilantes e como que desautorizados. Os responsáveis do Plano Nacional de Leitura pelo menos lêem as obras que recomendam? A meu ver, não é apenas o princípe que é nabo aqui.

 

[Texto 9351]

Helder Guégués às 09:04 | comentar | favorito
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